REDUTO DO COMODORO AMPLIADO
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Postado em 24/07/2005
A NOITE DOS CULTS EXTREMOS
SESSÃO DUPLA DO COMODORO - 03 de agosto de 2005
A Sessão Dupla do Comodoro de agosto vai exibir dois filmes bastante cultuados e inéditos nos cinemas brasileiros: CÃES RAIVOSOS (Cani Arrabbiati), o último filme do mestre europeu do cinema de horror, Mario Bava, e TETSUO, O HOMEM MÁQUINA (Tetsuo), o premiado filme de estréia de Shinya Tsukamoto.
CÃESD RAIVOSOS será mostrado em sua versão original, falado em italiano, com legendas em inglês e TETSUO, O HOMEM MÁQUINA, falado em japonês, com legendas em português, graças (mais uma vez) aos irmãos Tauffenbach.
As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão a disposição a partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.
CÃES RAIVOSOS
(Rabid Dogs, aka Cani Arrabbiati, aka Wild Dogs)
Itália – 1974
96 minutos - colorido
falado em italiano, com legendas em inglês
diretor – MARIO BAVA
Roteiro: Cesare Frugoni and Alessandro Parenzo
Fotografia: Mario Bava
Montagem: Carlo Reali
Musica Original: Stelvio Cipriani
Elenco: Riccardo Cucciolla (Riccardo); Maurice Poli (Doc); Lea Lander (Maria); Luigi Montefiori (Thirty-two); Aldo Caponi (Blade); Erika Dario (Maria, the hitchhiker); Gustavo De Nardo (Gas station attendant)
Outros títulos: Semaforo Rosso; Red Traffic Light

Sinopse
Ladrões truculentos, após um violento assalto, fazem uma mulher de refém, e obrigam um senhor de carro, que carrega uma criança doente no interior, a dirigir com segurança até o local onde pretendem dividir o produto do assalto.
Informações sobre a produção
Último filme do mestre Mario Bava, que foi filmado cinco anos antes de sua morte em dezesseis milímetros (Bava queria um filme ágil e seco), mas que não pode ser completado por causa da morte de um dos financiadores principais. Questões legais fizeram o projeto ser esquecido por algum tempo. Em 1998, os negativos foram encontrados e o filme pode ser finalmente editado, tal como Bava o imaginou, seguindo fielmente as anotações deixadas por ele. Lamberto Bava, filho de Bava e seu assistente no filme, acompanhou a edição final.

Opiniões superlativas
- A masterwork of violence, irony and vulgarity.
- Bava's crime masterwork!
- A perfect film.
- A gritty, realistic masterpiece.
- "Rabid Dogs" is a roughly-hewn masterpiece.
- Rabid Dogs is up there with Edgar G. Ulmer's Detour and Ida Lupîno's The Hitch-Hiker as one of the best examples of this exciting subgenre.
Sobre MARIO BAVA
http://www.superwonderscope.com/mario_bava_e.htm
MARIO BAVA : IL PIU GRANDE
Textos críticos
http://www.horrorview.com/Rabid%20Dogs.htm
“Rabid Dogs" (1974) is possibly the last truly great film to be directed by Italian maestro Mario Bava.
http://www.thespinningimage.co.uk/cultfilms/displaycultfilm.asp?reviewid=201
Bava's Legendary 'Lost' Film!
http://culturedose.bravepages.com/review_10002875.html
Mario Bava's Rabid Dogs: The Maestro's Lost Masterpiece
http://www.imagesjournal.com/issue05/infocus/rabiddogs.htm
Rabid Dogs is an exceptional work in the distinguished career of Mario Bava--Italy's foremost director of fantasy and horror films.
TETSUO, O HOMEM DE FERRO

(Tesuo, aka The Ironman)
Japão – 1988
96 minutos – branco e preto
falado em japonês, com legendas em português
direção e roteiro - Shinya Tsukamoto
diretores de fotografia: Kei Fujiwara e Shinya Tsukamoto
música original: Chu Ishikawa
montagem: Shinya Tsukamoto
ELENCO
Tomorowo Taguchi .... Man
Kei Fujiwara .... Woman
Nobu Kanaoka .... Woman in Glasses
SINOPSE
(se é que isso seja possível)
Um homem esquisito, "fetichista do metal", possui uma estranha compulsão de aplicar metal em seu próprio corpo e é, aparentemente, assassinado por um operário, quando estava na companhia de sua namorada. Mais tarde, o operário descobre que contraiu uma estranha doença que também transforma sua carne em sucata de metal e que seu antagonista está tomando conta do interior de seu corpo.

PRÊMIOS
- Melhor Filme (júri oficial) no FANTAFESTIVAL (Roma) (1989)
- Melhor (júri popular) no Sweden Fantastic Film Festival
SITE DO DIRETOR
http://shinyatsukamoto.info/Home.php
Opiniões
“Constant comparisons to such distinctive celluloid experimentalists as David Cronenberg and David Lynch may give the uninitiated an idea of what to expect aesthetically and thematically from the works of renegade Japanese filmmaker/actor Shinya Tsukamoto, though as complimentary as they may be, the comparisons ultimately don't do justice to the remarkably original and frantic essence of his hauntingly jarring cinematic nightmares.” – ALL MOVIE GUIDE
Análises sobre o filme
http://www.midnighteye.com/reviews/tetsuoim.shtml
http://www.mandiapple.com/snowblood/tetsuo.htm
Postado em 13/07/2005
SANTA MARIA, A CIDADE QUE RESPIRA CINEMA
Relutei algum tempo até decidir postar este texto. Mas diante do comovente depoimento de Milton Prado sobre o nosso primeiro contato pessoal, escrito especialmente para o catálogo do 4o. FESTIVAL NACIONAL DE VÍDEO E CINEMA DE SANTA MARIA, não hesitei em pedir permissão ao diretor do evento para incluí-lo neste site.
foto de Marina Chiapinotto
Voltei no último domingo de Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde recebi
uma das mais calorosas homenagens de toda a minha vida.
Organizado e dirigido por Luiz Alberto Cassol e "acionado" por Bebeto Badke, Marcos Borba e uma jovem e eficiente equipe de estudantes da cidade, o evento privilegia o cinema movido pela paixão.
FILME DEMÊNCIA, ALMA CORSÁRIA e DOIS CÓRREGOS foram exibidos em praça pública e a versão "redux" de GAROTAS DO ABC no tradicional Theatro Treze de Maio. Indescritível a experiência de mostrar FILME DEMÊNCIA em praça pública. A reação do público presente na sessão da versão de duas horas e meia de GAROTAS DO ABC foi arrebatadora (me arrependo de não ter batido o pé e mantido o filme tal como foi concebido no papel).
Lembrar a homenagem final, com o Theatro Treze de Maio lotado e aplaudindo de pé este escriba, me faz entender a importância de passar meia semana em contato direto com um novo público, mostrando e debatendo os filmes. Graças ao Cassol e sua equipe meus filmes ganharam um nova e inédita contrapartida cúmplice.
Como se não
bastasse, o festival possui um dos mais originais e belos troféus concebidos
neste país para premiar seus homenageados especiais e os melhores filmes e
vídeos de curta metragem, locais e nacionais. Trata-se do troféu VENTO NORTE,
concebido por Ana Norogrando, uma das mais importantes artistas plásticas do Rio Grande do Sul.
Em Santa Maria não há tapete vermelho, vedetes da televisão e nem
holofotes. Há filmes o dia inteiro e muita gente discutindo o cinema e sua
linguagem. A competição é voltada para os curtas metragens em vídeo e película,
mas a população da cidade pode assistir (de graça) de João Moreira Salles a Peter Baiestorff.
O Festival de Santa Maria tinha tudo para dar errado, tendo em vista a
distância de sua localização (quatro horas de carro, para quem vem de de Porto
Alegre) e a temperatura no mês escolhido para a evento. Mas a paixão pelo cinema
que flui pela cidade durante a semana esquenta a platéia mais que o quentão que
é vendido na praça principal. A ânsia de ver filmes (às vezes até debaixo de
chuva gelada - quem esteve no primeiro evento foi testemunha), e debatê-los a
céu aberto, contagia a cidade inteira. Por conta de sua cinefilia, Santa Maria
se impôs definitivamente no calendário anual dos festivais brasileiros.
Vida longa ao SANTA MARIA VÍDEO E CINEMA !!!!
Vale a pena visitar o site do festival para conhecer os vencedores da
competição de curtas e vídeos:
http://www.santamaria.rs.gov.br/festival/
Segue abaixo o texto-depoimento de Milton do Prado para o catálogo do Festival de Santa Maria.
P.S. - Fui obrigado a enviar um e-mail para Milton confessando que voltei a fumar, depois de dois anos e meio de abstinência forçada. Na próxima semana eu prometi ao dr. Alexandre, meu cardiologista, iniciar um tratamento severo para voltar a abandonar o vício. Oxalá os repentes de depressão e/ou euforia excessiva não se repitam!
fotos de Marina Chiapinotto
Carlos Reichenbach, cinema e vida
Era 1997, eu preparava minha monografia de final de curso sobre Cinema Marginal e tinha ido a São Paulo fazer algumas entrevistas. Consegui somente duas, no meu último dia na cidade. Num sábado, às 14 horas horas, eu me encontraria com Carlos Reichenbach; às 17 horas, com José Mojica Marins.
Cheguei 13h55 na casa de Reichenbach. Ele acabava um artigo sobre A Ostra e o Vento, de Walter Lima Jr., que estava para ser lançado. Durante 15 minutos, defendeu apaixonadamente o filme. Convidou-me então para a cozinha, onde, cinco horas, duas garrafas térmicas de café e vários cigarros depois, tínhamos conversado sobre seus filmes, sobre os filmes dos outros, sobre cinema, sobre a vida, sobre Brasil. Saí entusiasmadíssimo, com quatro certezas: que eu acabara de ter uma das melhores aulas de cinema de minha vida, que eu seria amaldiçoado pelo Zé do Caixão por ter faltado à entrevista marcada e que minha monografia não seria mais sobre Cinema Marginal, mas sobre os filmes do Carlão (que seria como o chamaria daí em diante).
Faço questão de contar o episódio não somente pelo caráter anedótico que ele possa ter, mas porque para mim resume muito do que o Carlão é e, por conseqüência, o que está em seus filmes. Sim, porque Carlão faz filmes de autor (expressão gasta, vilipendiada e mal utilizada hoje em dia), ele ESTÁ nos seus filmes, talvez como nenhum outro cineasta brasileiro, com o perdão do exagero.
Carlão foi estudante de Cinema na Escola São Luís, de São Paulo, onde entrara com o objetivo de ser roteirista. Foi Luís Sérgio Person que o convenceu a dirigir, enxergando seu potencial. Depois de alguns curtas, Carlão dirigiu episódios de dois longas-metragens que dialogavam diretamente com a explosão do Cinema Marginal daquele momento. São filmes dos quais ele mesmo não gosta, colocando-os mais como experiência de vida do que qualquer outra coisa.
Ele vem a realizar seu primeiro longa-metragem a partir de um convite para dirigir um filme estritamente comercial. Como o ator principal saiu antes das problemáticas filmagens, Carlão passou a experimentar a linguagem justamente a partir da falta de condições de produção. Corrida em Busca do Amor, cuja única cópia existente, em 16mm, foi recentemente descoberta em São Paulo, pode não ser dos seus bons filmes, mas sedimenta algumas das características que ele imprimiria em seu cinema daí em diante.
Depois de um período trabalhando com publicidade, ele investe tudo que possui num projeto extremamente pessoal. O resultado é Lilian M - até hoje um de seus filmes mais importantes, onde já se nota a preocupação com a figura feminina, o humor impedindo qualquer traço de demagogia, a inventividade da narrativa.
Passam-se quatro anos e, com uma nova encomenda, Reichenbach vai dar outra guinada em sua carreira. Chamado para dirigir o que seria uma pornochanchada, ele faz A Ilha dos Prazeres Proibidos e inicia uma série de filmes em que trabalha sempre com vários níveis de leitura. Sucesso de bilheteria no Brasil e na América Latina, A Ilha… é um policial erótico recheado com idéias anarquistas e libertárias espalhadas entre as marcas de celulite das pernas das atrizes. A receita vai ser ainda mais bem dosada em Império do Desejo, um de seus melhores filmes, e vai virar uma marca do autor: o aproveitamento e a subversão do repertório popular para a expressão de suas idéias. O sucesso de público vai lhe permitir a fazer trabalhos mais pessoais, ainda sob o esquema de produção da Boca do Lixo e sob a alcunha da pornochanchada: Amor, Palavra Prostituta (que foi cortado pela censura e teve a cópia completa recentemente recuperada), Paraíso Proibido, Extremos do Prazer.
Se alguns dos seus filmes foram sucesso de público, a leitura mais intelectual e menos preconceituosa sobre os mesmos demorou a vingar. Aos poucos, graças em parte à crítica cinematográfica do sul do país e a festivais como os de Gramado (em 1984 ele recebe menção honrosa pela integridade de sua obra graças a Extremos do Prazer) e Rotterdam (no mesmo ano, Hubert Bals, criador deste festival, apaixona-se por Lilian M), Carlão se consagra como autor respeitado.
É nesse momento feliz da carreira, no final dos anos 80, que vão aparecer dois dos seus filmes mais importantes. De um lado, Filme Demência, auge do cinema como expressão pessoal, como experimentação radical, tendo um personagem masculino à deriva, como de certa forma já aparecia em A Ilha…, Extremos do Prazer, Paraíso Proibido. Do outro, o classicismo e a delicadeza de Anjos do Arrabalde, onde estão presentes novamente o universo feminino, a opressão social sem demagogia, como em Lilian M e Amor Palavra Prostituta. De certa forma e mesmo sem intenção, são filmes-balanço dessas duas vertentes.
Depois de anos difíceis, quando ele pensa até mesmo em abandonar o cinema para se dedicar à música, vem Alma Corsária. Filme de retomada em todos os sentidos: memorialista, ali estão presentes todos os temas tratados por Carlão em sua carreira, sempre levados pelas apaixonadas citações literárias (Augusto dos Anjos, Cesário Verde), musicais (Jimi Hendrix, Debussy) e cinematográficas (Samuel Fuller, Godard), em especial do cinema brasileiro (Luís Sérgio Person, Humberto Mauro, chanchada). Caleidoscópio de referências pessoais e de toda uma geração, Alma Corsária foi feito com parcos recursos (Carlão acumulou várias funções a fim de viabilizar o filme) e lançado em um momento de agonia do cinema nacional, conquistando os principais prêmios no Festival de Brasília de 1993. Quem não viu ainda precisa abrir o coração e a mente para esse filme luminoso.
Carlão continua a surpreender. Quando todos esperavam outra ode ao anarquismo, ele aparece com a delicadeza de Dois Córregos. De uma tristeza profunda, o filme funciona quase como um antídoto contra qualquer cinismo – o que o torna, à sua maneira, extremamente ousado em tempo de filmes “modernos” (atenção às aspas!). Surge também com um filme moderno, com uma narrativa extremamente inventiva e um fantástico trabalho de montagem: Garotas do ABC fala de trabalho, de lazer, do mundo feminino, de racismo, de facismo. Talvez um de seus trabalhos mais mal-compreendidos, tira boa parte de sua força da tensão entre o realismo do tema e do seu tratamento anti-naturalista. E, por fim, Bens Confiscados, que ainda não tive oportunidade de ver.
O cinéfilo que está sendo apresentado a Carlos Reichenbach por esse texto talvez identifique uma possível contradição. Falo de temas recorrentes, defendendo o lado autoral de Carlão, mas falo também de surpresas a cada filme. Também pode ter achado exagerado a quantidade de citações colocadas em tão curto espaço. Convido-o então a assistir à mostra que vai ser exibida no Festival de Santa Maria e a tirar suas próprias conclusões. Quem puder assistir aos quatro belos exemplos de seu cinema vai entender que coerência não significa acomodação e vai se dar conta que havia muito mais a falar sobre eles, até porque a obra do Carlão dá muito o que falar.
É um pouco como aquele primeiro encontro que tive com ele, cinco horas de muita conversa inteligente e nada pedante, bem-humorada e séria, gentil mas nada condescendente, regada a muito café – mas não mais a cigarro! Oito anos e três pontes de safena depois, Carlão não pode mais fumar. Talvez por isso ele tenha mais fôlego para fazer e assitir a mais filmes, dar cursos e palestras, promover uma sessão de cinema mensal com raridades underground, escrever em seu blog, promover um prêmio anual para sites e blogs de cinema, caminhar pelas ruas de São Paulo, entrar em sebos em busca de mais um filme para sua coleção, conversar sobre cinema com quem lhe demonstra interesse e curiosidade. Na vida, como no cinema, Carlão é intenso e inquieto.
Falei anteriormente que tinha saído do encontro que tive com Carlão Reichenbach com quatro certezas, mas citei apenas três. Deixei para o final uma espécie de confissão: quando saí do seu apartamento em 1997, eu tinha certeza que queria fazer cinema.
Milton do Prado
montador e sócio da produtora Clube Silêncio
Postado em 30/06/2005
OS NOVOS OBJETOS DE DESEJO
Eis alguns filmes que estão saindo em DVD, nos Estados Unidos, no mês de julho. Vamos começar a coçar a carteira e o cartão de crédito desde já.

POINT BLANK (À Queima Roupa - 1967) - Finalmente em DVD, um dos maiores
clássicos do moderno cinema policial . Dirigido por John Boorman, com Lee Marvin
e Angie Dickinson em grande forma, À QUEIMA ROUPA inovou o gênero com sua
montagem descontínua e o truculento cinismo de seus protagonistas.

JOSEPH SARNO "GIRL MEETS GIRL" TRILOGY - Três filmes e um CD musical, com os
melhores trabalhos do lendário diretor sueco-americano Joseph Sarno, um dos
papas do erotismo. Em todos eles, a presença deslumbrante de Marie Forsa (uma
cover assanhadíssima de Catherine Deneuve). Os filmes disponíveis no "pacote"
são: "Vampire Ecstasy" (a.k.a. Veil of Blood), considerado o mais erótico de
todos os filmes de vampiros já realizados (deverá ser mostrado ainda este ano na
Sessão Dupla do Comodoro); "Girl Meets Girl" (a.k.a. Bibi) e "Butterflies", um
exercício subversivo de "naturalismo devasso", com a participação bem humorada
do "astro pornô" Harry Reems (o médico safo de "Garganta Profunda"). Sarno, que
vive metade do ano na Suécia e a outra metade nos Estados Unidos (ele tem
problemas de saúde com o frio em excesso), é um dos poucos diretores do gênero "exploitation"
que vem sendo incensados atualmente pela crítica mundial.

THE NARROW MARGIN (Rumo ao Inferno - 1951) - um dos melhores filmes de Richard
Fleisher, um dos grandes representantes do chamado "cinema do corpo"; daquelas
obras essenciais e marginalizadas, que a gente nunca imaginou que fossem - um
dia - autoradas em DVD.

BORN TO KILL (Nascido para Matar - 1947) - um belo clássico "noir" de Robert
Wise, com o truculento Lawrence Tierney e a magnífica Claire Trevor.

CLASH BY NIGHT (Só a Mulher Peca - 1952) - Raridade do mestre maior, Fritz Lang,
com um elenco soberbo: Barbara Stanwyck, Robert Ryan, Paul Douglas, Marilyn
Monroe e J. Carrol Nash. Destaque para a espetacular fotografia preto e
branco de Nicholas Musuraca. O DVD traz nos extras os comentários de Peter
Bogdanovitch.

DILLINGER (1945) - Esta é a versão fílmica que influenciou Jean-Luc Godard, em
"Acossado" (por causa dela, o diretor franco-suiço homenageou a Monogram
Pictures). Escrito por Philiph Jordan, dirigido por Max Nosseck e protagonizado
por Lawrence Tierney, essa versão de DILLINGER se tornou um estandarte na luta
pela liberdade de expressão contra os "conselhos de ética e moral" dos grandes
estúdios americanos da época. O DVD traz comentários de John Milius, outro fã
confesso desta versão.
Postado em 26/06/2005
SESSÃO DUPLA DO COMODORO - dia 06 de julho de 2005
A Sessão Dupla do Comodoro, do dia 06 de julho, já apelidada de "Sessão Viagra", irá mostrar dois marcos do moderno cinema erótico: A ALCOVA, de Joe D´Amato, e PAPRIKA, de Tinto Brass, recente e finalmente homenageado pela Cinemateca Francesa. "A Alcova" será projetado em sua recente versão restaurada na Alemanha, e legendada em português graças à colaboração de um freqüentador das sessões. "Paprika" será exibido com legendas em inglês.
As sessões, como sempre, começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratuitas estarão à disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.
A ALCOVA (1984)
(L´Alcova)
de Joe D´Amato
Itália, 90 minutos
em alemão, com legendas em português (ou em inglês, com legendas forçadas em alemão)
diretor - Joe D'Amato
roteiro - Ugo Moretti (inspirado em romance de Juditte Wexley)
fotografia - Joe D´Amato (como Federico Slonisco)
música - Manuel De Sica
montagem - Mariano Laurenti
elenco
Lilli Carati, Laura Gemser, Al Cliver (Pier Luigi Conti), Annie Belle e Roberto Caruso

SINOPSE
Em uma cidade italiana, no ano de 1936, retorna da frente abissínia, o comandante Elio, trazendo como troféu, Zerbal, uma belíssima princesa nativa, que ganhou como presente por ter salvo a vida de um rei local. O militar fascista, ao retornar a Itália, descobre que, além de estar mergulhado em imensas dívidas financeiras, é obrigado a dividir as atenções afetivas e sexuais de sua bela esposa devassa com a própria secretária lésbica. Zerbal é introduzida neste ambiente decadente como serviçal e vai, aos poucos, descobrindo as fraquezas e vilanias de todas as pessoas da casa. Graças à sua beleza e sensualidade, em pouco tempo coloca, literalmente, todos eles a seus pés.
SOBRE JOE D´AMATO
Joe D´Amato, um dos mais prolíficos cineastas da história, cujo nome de batismo era ARISTIDE MASSACCESI, nasceu em Roma, em 15 de setembro de 1936 e morreu em janeiro de 1999. Iniciou sua carreira profissional como fotografo de cena, foi operador de câmera e diretor de fotografia em mais de 100 filmes e dirigiu aproximadamente 186 filmes de longa metragem. Assinou filmes com inúmeros pseudônimos: Michael Wotruba, Peter Newton, Kevin Mancuso, John Larson, David Hills, Richard Franks, John Franklin, Alex Carver, Charles Borsky, Steven Benson, Fred Slonisko, Maxima De Best, Tom Salina, John Bird, Hugo Clevers, Alexandre Borsky, Hidi Morris, Haidi Morras, Richard Haller, John Cart, Bernard Brel, Alex Susmann, Oliver J Clarke, Dirk Frey, Philippe Fromont, Gerry Lively, James Burke, Joan Russell, Chang Lee Sun, Robert Yip, Young Sean Bean Lui, Jeiro Alvarez, Andrea Massai, Chang Chun, O. J Clarke e John Shadow. Exercitou quase todos os gêneros cinematográficos, incluindo filmes de sexo explícito; por esta razão foi alvo de todo tipo de preconceitos, sendo inclusive alcunhado de "o pior cineasta da Itália". Chegou, inclusive, a rodar dois filmes simultaneamente em São Domingos, na República Dominicana ("Porno Holocaust" e "Erotic Nights Of The Living Dead"), que são considerados "dois musts" por seus fãs. Seu filme mais polêmico é "Emanuelle na América", de 1977, proibido em mais de 40 países, por conter cenas de bestialismo explícito e uma (falsa, mas muito bem realizada) seqüência de "snuff movie". Alguns de seus melhores filmes vem sendo redescobertos pela crítica e estudiosos do cinema da Península: "Papaya dei Caraibi", "Buio Omega" (já exibido na Sessão Dupla do Comodoro), "Orgasmo nero", "Antropophagus" (The Grim Reaper), "Rosso sangue", "L´Alcova", "Il Piacere", "Killing birds - uccelli assassini" e "Marquis de Sade" (talvez, o mais transgressivo e fescenino dos filmes de sexo explícito da história). Entre todos eles, o mais cultuado é "A Alcova", graças aos cuidados da produção, as suas cenas de sexo realmente bastante excitantes e a beleza natural de suas duas atrizes principais: a magnífica ex-Miss Java, Laura Gemser, e Lilli Carati.
COMENTÁRIO
Joe D´Amato está para a Itália assim como Oswaldo de Oliveira esteve para o cinema brasileiro. Profissional dos mil instrumentos realizou filmes de todos os gêneros e de baixo e médio custo. A ALCOVA e BUIO OMEGA podem ser consideradas as sua obras primas. D´Amato filmava a sexualidade sem nenhuma culpa. Em BUIO OMEGA abordou a necrofilia de maneira subversora, quase explícita, como que filmando uma inocente história de amor obsessivo. Em "A Alcova", transforma uma princesa núbia numa espécie de "anjo vingador", deflagrando uma revolução dos sentidos no seio de uma família fascista decadente. Para acentuar a atmosfera, que lembra demais os livros de Gabriele d'Annunzio, D´Amato trocou a sua habitual parceria com o músico e cantor Nico Fidenco, pelo “muzak” minimalista (mas sempre eficiente) de Manoel De Sica (Dellamorte Dellamore). Em vários sentidos, A ALCOVA lembra o TEOREMA, de Pier Paolo Pasolini. D´Amato sabia muito bem a diferença entre sensualidade e sexualidade porque exercitou ambos à exaustão em seus filmes. Soube como (muito) poucos explorar a "combustão" lúbrica de suas musas Laura Gemser, Lilli Carati, Rosa Caracciolo e Simona Valli. Com excessão de Laura Gemser, que - conforme a lenda - não gostava muito de praticar o que representava na frente das câmeras, as outras três "estrelas" adoravam vivenciar as suas performances. Os filmes de Simona Valli, por exemplo, podem ser usados como material pedagógico em qualquer aula de sexo. Valli e Rosa Caracciolo são provas cabais da existência do tal "Ponto G".
OPINIÕES
Thomas Simmons (IMDB) - "A Surprisingly well-crafted piece of twisted art-house erotica from Joe D' Amato. An soldier (Cliver) returns home from the war with the daughter of a tribal king (Gemser) as his slave (a gift that he was given for "saving" the kings life). The spoils of war, ya know? While he's been gone, his wife has been having an affair with the female housekeeper (Belle). Not at all pleased with being a slave, the Ebony princess notices the mistress of the house engaging in a quick bit of foreplay with the housekeeper and plots her revenge starting with the seduction of the mistress. Jealousy spreads like wildfire and before you know it, she has turned the household into a lustful frenzy of sex and hatred. I can't give away too much more or it would ruin the story, but there are plenty of little twists along the way. Speaking of twists, this film is actually far more twisted than it sounds. One of the more disturbing moments being a sequence about the filming of an inquisition-themed porno that turns into the sadistic rape of a lesbian / virgin by the filthy and none too bright gardener. Sporting tons of full-frontal nudity, simulated lesbian and straight sex and some hard-core (as seen in an old stag film), this has the sleazy goods to go along with the D.H. Lawrence-ish setting and atmosphere, and is definitely recommended for fans of such.”
Anon in 'Bama - “Some good chemistry here! If I have a criticism right off the bat it's the usual: too many guys and not enough of the women! Still, what's there is pretty good, even though none of the love scenes are particularly long. Basically, this entire film takes place on the estate of one of Mussolini's officers, back from the war in Ethiopia. It's a lush setting, as Italy always is. The officer in question has brought back a beautiful Ethiopian girl, perfectly cast in the role by Laura Gemser. Those familiar with the Emmanuelle series already know how attractive Laura is, and when the officer gives her to his wife (played by the very sensual Lilli Carati) the storyline quickly picks-up steam. Carati is already playing footsie with the cute little housekeeper (Annie Belle), so when she begins eyeing her sexy slavegirl of course there's going to be some jealousy. The love scenes between the women tend to be rather tame, but I thought this movie did a great job of setting up these passionate encounters. Toward the end it gets a little weird, but watching this one was still a mostly enjoyable experience. The women are all beautiful, and I liked the basic story of passions and possessions.”
PAPRIKA (1991)
(Paprika, Life in a Brothel)
de Tinto Brass
Itália, 100 minutos
em italiano, com legendas em inglês
diretor - Tinto Brass
roteiro - Tinto Brass e Bernardino Zapponi (inspirado na novela “Fanny Hill or, Memoirs of a Woman of Pleasure”, de John Cleland)
fotografia - Silvano Ippoliti
música - Riz Ortolani
montagem - Tinto Brass
elenco
Deborah Caprioglio, Stéphane Ferrara, Martine Brochard, Stéphane Bonnet, Rossana Gavinel, Renzo Rinaldi e Nina Soldano.
SINOPSE
Garota do interior da Itália vem para a cidade trabalhar em um bordel, no intuito de juntar dinheiro para que o seu noivo consiga abrir o seu próprio negócio. A cafetina a apelida de Paprika motivada pela sua espantosa disposição para a árdua tarefa.

SOBRE TINTO BRASS
Giovanni Brass, nasceu em março de 1933. Neto do famoso artista plástico Italico Brass, recebeu do avô o apelido de "Tintoretto"; por isso, mais tarde, Giovanni adotou o nome artístico de Tinto Brass. Tinto começou sua carreira cinematográfica trabalhando com Federico Fellini e Roberto Rosselini. Seus primeiros filmes foram acentuadamente influenciados pelo cinema experimental e pelo movimento underground americano. Filmes como Col cuore in gola (1967 - no Brasil, "Escalation"), Nerosubianco (1969), L´Urlo (1970), Drop-out (1970 - no Brasil, "Os Desajustados do Amor") e La Vacanza (1971) apontavam Brass como um dos cineastas mais estimulantes e inventivos da Península. O sucesso comercial de Salon Kitty (1976) e todo o incidente e escândalo mundial envolvendo a atribulada produção de Caligola (1979), provocaram uma quinada radical na carreira do diretor, marcando-o comercial e artisticamente como “il maestro” do filme escandaloso. Insurgindo-se com a crítica italiana que não o perdoou pela “traição” ao cinema experimental, Brass filmou “La Chiave”, inspirando-se num clássico da literatura erótica oriental de Junichirô Tanizaki, desnudando - sem nenhuma cerimônia - a musa “rafaeliana” Stefania Sandrelli. Estimulado pelo estrondoso retorno financeiro deste filme, Brass começa a revelar para o mundo uma série de opulentas estrelas de cinema em outra série de filmes bem sucedidos comercialmente: Serena Grandi, em “Miranda”, Francesca Dellera, em “Capriccio”, Raffaella Baracchi, em "Snack Bar Budapest", Deborah Caprioglio, em “Paprika”, Claudia Koll, em “All Ladies Do It”, Katarina Vasilissa e Cristina Garavaglia, em "L´Uomo Chi Guarda", Anna Ammirati, em "Monella", e Yuliya Mayarchuk, que ele descobriu trabalhando como garçonete num bar de Budapeste e transformou na protagonista assanhada do filme "Transgredire". As vestais de saliências e consoles generosos, os cortes abruptos, a zoom sapeca e a mania obsessiva do contra-plongée a dois palmos do traseiro de suas protagonistas, impuseram o estilo sáfico do ogre Tinto Brass. As feministas detestam, mas todos os heteros e cultores da abundância adoram.
OPINIÕES
Aílton Monteiro (Diário de um Cinéfilo) – “Tinto Brass é talvez o único cineasta da atualidade que faz cinema erótico - e com praticamente um pé na pornografia - que trafega com respeitabilidade dentro do circuito dos filmes de arte. PAPRIKA (1991) é Tinto Brass em grande forma. O filme mergulha no submundo dos antigos bordéis italianos, antes deles serem fechados pelo governo. Quem viu ROMA, de Fellini, tem uma idéia de como eram esses lugares. Mas Tinto Brass vai mais a fundo, ao contar a história de Paprika, nome de guerra de uma jovem de 18 anos que pretende passar apenas duas semanas trabalhando de prostituta num bordel para conseguir dinheiro para ajudar o necessitado noivo. Por uma série de eventos, as duas semanas se prolongam bem mais do que ela esperava. Ao chegar no bordel, ela é encaminhada ao médico, para que seja verificado se ela tem alguma doença venérea. Ela gosta tanto do toque do médico que quer logo que ele seja o seu primeiro cliente. Também não faltam experiências com o mesmo sexo para Paprika. Brass faz um verdadeiro elogio aos bordéis e suas prostitutas nesse filme. Sem moralismos. Até os padres freqüentam os tais lugares. A seqüência que mostra Paprika indo a um médico clandestino para fazer um aborto - o médico é o próprio Tinto Brass, com cara de safado e fazendo questão de pegar nos peitos da paciente -, é seguida de uma cena de pura felicidade. Não há lugar para a culpa cristã em PAPRIKA. Debora Caprioglio, a Paprika, era namorada de Klaus Kinski. Diz a lenda que Brass estava procurando uma intérprete ideal para o seu novo filme, quando viu Debora assistindo a uma partida de tênis e teve certeza que era ela a Paprika. Conseguiu o telefone da casa da moça e quando a mãe dela soube que a filha iria ser convidada para trabalhar com o mestre do erotismo, em vez de proibir, ficou felicíssima. PAPRIKA foi realizado na virada dos anos 80 para os 90, época em que a AIDS era uma doença ainda mais mórbida do que é nos dias de hoje. Por isso, há em todo o filme um clima de saudosismo, a começar pelos créditos de abertura, com uma bela música reaproveitada de A CHAVE, um dos mais celebrados filmes de Brass. O diretor dá a entender que eram mais felizes aqueles que viveram nos tempos dos bordéis, um tempo em que era possível curtir os prazeres da vida sexual sem uma preocupação maior.”
Spawn (Radikalboard) – “Tinto Brass es el director más venerado en el género erótico, sus películas son siempre un espectáculo para la vista porque siempre busca la sensualidad más abrumadora, las curvas más peligrosas y las mujeres más rutilantemente deliciosas del elenco de actrices italianas, conocidas o no, que da la buena tierra italiana.
Los Burdeles de Páprika es una película homenaje a unas mujeres maltratadas socialmente pero amadas en secreto por esa misma sociedad hipócrita, las prostitutas. El guión lo escribió el propio director basándose en sus propias experiencias, y encontró en la voluptuosidad de una actriz de 20 años totalmente desconocida la exhuberancia que quería para su Páprika, una prostituta con cara de inocente pero tan picante como el famoso condimento húngaro. La historia es sencilla pero encantadora, una chica de 18 años, de pueblo, enamorada hasta la médula de su novio, un electricista demasiado listillo que quiere dinero fácil, se mete provisionalmente en un prostíbulo en secreto para conseguir el dinero que su novio necesita. Aquí dentro encontrará su verdadera vocación y dejará boquiabiertos a todos los hombres y mujeres que la conocen por su entrega a la profesión.
Páprika comienza una aventura en busca de la autodeterminación y luchando por escapar del mundo de la prostitución en el que cae una y otra vez movida por sus ansias de sexo y por amor a hombres que solamente quieren su dinero y su estupendo cuerpo. Tinto Bras es generoso mostrándonos las redondéces de esta gloriosa joven italiana, diosa del celuloide erótico y deleite a los ojos. Las escenas de sexo son más cómicas que otra cosa pero efectivas, Bras consigue mediante el esperpento y la exageración provocar la mayor de las excitaciones en el espectador (en mí lo consiguió), siendo esta cinta de culto cita obligada para todo el amante del buen cine erótico. Es tal la magia de esta película que ahora me doy cuenta que ha marcado la manera de mostrar los prostíbulos de lujo en el cine, y es que la gracia y la sensualidad de este director italiano crea escuela.”
Andres Rais (IMDB) – “The plot is very simple. In late '50s a young lady starts working as a prostitute in a brothel in order to help his boyfriend. She thinks that is the easiest way to make money. I do agree. Mr. Tinto Brass centered the view in Debora Caprioglio, who plays the roll of Paprika. Hell, she is very hot, sensual... but as nothing is perfect in her life she will go from one place to another and this is a kind of repetitive. She is filmed from every angle you can imagine. You can imagine that with the view centered on Caprioglio the other ladies are not seen in plenitude. Doesn't matter Caprioglio is the hottest woman in the movie and is a well chosen actress for the leading actress. Her performance is very good. Finally I would like to say that this movie is far from pornography.”
DEPOIMENTO DO DIRETOR
“Como si se tratase de uno de los más libertinos romances, he seguido a Páprika de un prostíbulo a otro, una joven tan inocente y, al mismo tiempo, tan sumamente perversa. Todo esto ha hecho de Páprika una apoteosis de los cinco sentidos, resumidos por encima de los demás en uno sólo: la vista. Es bien sabido que tratándose de erotismo la única perversión condenable es... la castidad. Decía Dino Buzzati que ‘la clausura de los prostíbulos fue una pérdida para la humanidad semejante al incendio de la Biblioteca de Alejandría: un inmenso compendio de civilización erótica destruido para siempre’. Con Páprika he vuelto a abrir ‘aquellas casas’...” Tinto Brass, Diretor.
Postado em 11/06/2005
AS IMAGENS EXCLUSIVAS DO 15o. CINE CEARÁ
O sol de Fortaleza.
Visão do paraíso.
A sede 2005 do festival.
O cenário dos meus sonhos e pesadelos. Na quinta-feira, 09 de junho, dia da premiação, eu acordei às 6 horas da manhã e fui caminhar por esta orla fantástica. No meio de uma praça eu tive uma crise de labirintite. O cenário ficou rodando nos meus olhos por quase oito minutos e fiz um esforço descomunal para não vomitar. Havia uma guarita da Guarda local e eu fui obrigado a me abraçar num poste. Não há nada no mundo mais terrível do que se descobrir impotente às reações incontroláveis do corpo ou organismo. Tenho certeza que dei a impressão de estar completamente bêbado. Consegui voltar ao hotel e coloquei meu estômago inteiro para fora. Conto tudo isso porque passei a tarde inteira numa imensa depressão. À noite, ao subir ao palco para receber os prêmios dos meus queridos amigos Werner e Betty, veio a catarse. Dei uma de presidente e por pouco não irrompi num choro convulso. Peço desculpas aos amigos pelo mico.
Werner Schünemann em frente ao já histórico Cine São Luiz, no centro de Fortaleza.
Website de Werner:
http://www.wernerschunemann.com/
Werner e Reichenbach, antes da projeção de BENS CONFISCADOS.
Meu primeiro encontro com o amigo virtual Aílton Monteiro, do premiado blog DIÁRIO DE UM CINÉFILO.
http://cinediario.blogspot.com/
Colóquio siteblogueiro. Aílton Monteiro acompanhado de Ana Bárbara (BIRILO) e Maíra Suspiro (site CINEMA COM RAPADURA).
http://www.cinemacomrapadura.com.br/
http://www.birilo.blogger.com.br/
O 15o. Cine Ceará homenageou Rosemberg Cariri, que aparece no centro da foto ladeado por um amigo e o diretor do festival, Wolney Oliveira.
A jornalista e pesquisadora Maria do Rosário Caetano autografa o seu livro "CANGAÇO, O NORDESTERN NO CINEMA BRASILEIRO".
Rosário e a jornalista Vera Ferreira (neta de Maria Bonita e Lampião) autografam o livro para Luiz Alberto Zakir.
A grande atriz paraibana Marcelia Cartacho e o cineasta Wolney Oliveira, diretor do CINE CEARÁ, durante uma peixada "de respeito" oferecida aos participantes.
Marcelia Cartaxo, Fernando Adolfo (diretor do Festival de Brasília) e Claudio Assis ("Amarelo Manga"), muito bem acompanhado.
A deslumbrante Dira Paes, a "senhora cinema brasileiro", e suas tietes cearenses.
Ivan Cardoso, "a marca da invenção", mostrou em primeira mão seu filme mais dissoluto, estimulante e deflagrador: A MARCA DO TERRIR. Um inventário sincero, contracultural, corsário e anticareta, mas sempre inocente e nunca hipócrita do próprio rito de passagem. Pivetes se masturbam em frente ao Forte da Urca, a namorada de adolescência faz cunnilingus na amiga mais próxima, o poeta Torquato Neto cai de boca no pescoço de suas tietes, o conteudismo é imolado em praça pública, Paulo Vilaça solta a franga no Sururu Catiripapo, chuva de brotos em pleno infernálio fluminense, um intelectual corta o prepúcio com uma tesoura cega, a sina do judeu. Cardoso antecipa em dez anos (a maior parte das imagens foram rodadas em Super-8, no início da década de 70) a rebelião estética e os propósitos do "Cinema de Transgressão", de Nick Zedd e Richard Kern. A MARCA DO TERRIR é o cinema do espanto, do desconforto e da poesia áspera. Deveria ter ganho o prêmio de melhor filme exibido no evento.
Ivan mimetiza o ídolo José Mojica Marins no cine São Luiz. Vamos aguardar ansiosos a estréia de AMAZÔNIA MISTERIOSA.
Nelson Hoineff mostrou seu longa metragem, o documentário O HOMEM PODE VOAR, no encerramento do Cine Ceará. Esteve acompanhado do ator e narrador Roberto Maia, de seu roteirista Henrique Lins de Barros e do sensacional músico David Tygel (que compôs e arranjou uma das trilhas musicais mais singelas e saborosas do cinema brasileiro atual). Didático sim, mas nunca aborrecido ou trivial, o documentário fez o editor do REDUTO grudar os olhos na tela por todos os seus noventa e poucos minutos. As imagens exclusivas do último vôo de Santos Dumont são de uma beleza única e arrebatadora. O filme deveria terminar com estas cenas deslumbrantes: o público que lotou o cine São Luiz na noite da premiação, ao aplaudi-las entusiasticamente, corroborou esta opinião.
Recebendo o Troféu Samburá (o prêmio mais "robusto" ganho até hoje pela Dezenove Som e Imagens), atribuído pela Fundação Demócrito Rocha e o jornal O Povo, do Ceará, ao filme BENS CONFISCADOS, como melhor longa metragem exibido durante o evento. O filme foi escolhido por unanimidade por um júri formado pelo cineasta Nirton Venâncio, o crítico Wilson Balthazar e o jornalista e crítico Frederico Fontenele Farias (que aparece na foto entregando o troféu). A justificativa do prêmio: "Pela contribuição exponencial de diretor Carlos Reichenbach ao cinema nacional e pelo tema escolhido, num roteiro que está inspirado em crises recentes da república, e nas entrelinhas a que se refere a película àqueles que, apesar de há 20 anos ter voltado a raiar a liberdade no horizonte do Brasil, nem puderam da Pátria, filhos, nem viram contente a Mãe gentil.".
A foto foi "socializada" do site CINEMA COM RAPADURA:
http://www.cinemacomrapadura.com.br/cineceara/
Dira Paes, Aílton Monteiro e Reichenbach, na frente do Cine São Luiz, com os prêmios oficiais do filme BENS CONFISCADOS.
Postado em 20/05/2005 e 03/06/2005
ABERTURA DA RETROSPECTIVA REICHENBACH NO CCBB SÃO PAULO
Fotos de VEBIS JUNIOR
Marcelo Lyra, curador da mostra, apresenta Carlos Reichenbach e Eder Mazini, respectivamente o diretor/roteirista/diretor de fotografia e o produtor/montador de AMOR, PALAVRA PROSTITUTA.
Flagrante da platéia do CCBB/São Paulo, durante a apresentação da retrospectiva. Compenetrados, Francis Vogner e Guilherme Martins.
Após a projeção do filme, cineastas, críticos, jornalistas e cinéfilos se reuniram para a "confraternização azteca" organizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, Francisco Cesar Filho e Marcelo Lyra.
Jacob Solitrenick reuniu-se com os organizadores do evento PENSAMENTOS INSTIGANTE - FILOSOFIA E ARTE. Ivany e Cláudio Bergamo foram prestigiar a abertura da Retrospectiva Reichenbach.
Marcaram presença Antonio Leão da Silva Neto (Dicionário de Filmes Brasileiros) e Archimedes Lombardi, do Clube dos Colecionadores de Filmes em 16 Milímetros.
Outros pesquisadores renitentes estiveram presentes ao evento, Remier Lion e Alessandro Gamo. O sinal de Lion não condiz muito com a pertinência e a seriedade de seu trabalho de propecção.
Paulo Sacramento encontra Cleber Eduardo e Paulo Santos Lima.
Flavia Rea e Daniela Carneiro encontram o "garoto do ABC" Vébis Junior, fotógrafo oficial do Reduto e mentor do blog Fotograma Experimental.
A Xanadú Produções Cinematográficas (As Libertinas e Audácia!) se reencontra, após quarenta anos. As libertinas e o pornógrafo em pleno amor, esta palavra prostituta. Na foto: João Callegaro e Carlos Reichenbach.
Meia Casa de Imagens (Andréa Tonacci e Reichenbach) voltou a se reunir na festa dos quarenta, após 15 anos. Cristina Amaral observa o reencontro. Tonacci, fecha os olhos, e pensa: "Agora, nunca mais". Reichenbach retruca: "Ninguém é de Ninguém". Os dois filmes (e diretores) continuam no prelo.
O CCBB, Francisco Cesar Filho e Marcelo Lyra produziram um ótimo "boas vindas" aos convidados da sessão "quase" inaugural de AMOR, PALAVRA PROSTITUTA. Depois da miséria existencial e nativa na tela, a fartura mexicana nas mesas. Faltou só os "mariachis". Ou não ?
Carol e Daniel Chaia (roteirista de BENS CONFISCADOS) fizeram questão de experimentar a quacamole e a deliciosa polenta com carne moída que foi servida com um honesto vinho tinto.
Francis Vogner (Cinimperfeito) mandou bem. Vebis Junior (nosso eterno "Capitão de Fragata") fez questão de pousar ao lado de José Eduardo Belmonte (Subterrâneos), que está em São Paulo concluindo a edição sonora de seu novo longa metragem.
Mantido em 10/05/2005
MOSTRA REICHENBACH CCBB - São Paulo
Esta é a programação completa da mostra DIRETORES
BRASILEIROS: CARLOS REICHENBACH, que é promovida de 17 a 29 de maio no Centro
Cultural Banco do Brasil de São Paulo.
O evento promove a primeira exibição pública de uma versão integral de
"Amor, Palavra Prostituta", longa-metragem que aborda o aborto e que foi
mutilado pela censura à época de seu lançamento (1980).
Entre os títulos pouco conhecidos da programação destaca-se "Corrida Em
Busca do Amor" (1972), considerado perdido pelo diretor e resgatado pela
Associação Brasileira de Colecionadores de Filmes em 16 mm. O filme é o primeiro
longa-metragem dirigido por Reichenbach, que anteriormente havia assinado três
episódios de longas. A cópia foi localizada em dezembro último pelo pesquisador
Archimedes Lombardi, presidente da Associação, e adquirida por R$ 80,00. É
provavelmente a única cópia do filme.
Destaque também para "As Libertinas", 1968, primeiro longa em episódios
dirigido por Reichenbach, que estava desaparecido, mas foi localizado por João
Callegaro, diretor de um dos episódios.
Também foi restaurada a cópia de "Extremos do Prazer". A única cópia
disponível anteriormente tinha cortes e estava em péssimo estado.
Na sessão de sábado, 21/05, às 15h00, outra raridade. Será exibida uma
versão "redux" de "Garotas do ABC". Trata-se da uma versão original do longa,
com 30 minutos a mais daquela exibida comercialmente em 2004, que teve sua
duração cortada por questão contratual com os exibidores. Essa será a única
exibição, já que essa versão não será lançada em vídeo ou dvd.
No dia 19/05, quinta-feira, às 20h00, acontece um debate reunindo
Reichenbach, Lyra e o crítico Inácio Araújo.
16 de maio (segunda-feira) - SOMENTE PARA CONVIDADOS
20h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão
completa inédita
17 de maio (terça-feira)
18h00 - O IMPÉRIO DO DESEJO - Carlos Reichenbach (105 min, 1980)
20h00 - CORRIDA EM BUSCA DO AMOR - Carlos Reichenbach (92 min, 1971)
19 de maio (quinta-feira)
18h00 - DOIS CÓRREGOS - Carlos Reichenbach (112 min, 1999)
20h00 - DEBATE - com Carlos Reichenbach, Inácio Araújo e Marcelo Lyra
20 de maio (sexta-feira)
18h00 - FILME DEMÊNCIA - Carlos Reichenbach (90 min, 1986)
20h00 - EXTREMOS DO PRAZER - Carlos Reichenbach (92 min, 1983)
21 de maio (sábado)
15h00 - GAROTAS DO ABC (versão redux) - Carlos Reichenbach (155 min, 35mm, 2004)
versão inédita
18h00 - ESTA RUA TÃO AUGUSTA - Carlos Reichenbach (8 min, 1966)
SANGUE CORSÁRIO - Carlos Reichenbach (10 min, 1979)
SONHOS DE VIDA - Carlos Reichenbach (10 min, 1979)
DESORDEM EM PROGRESSO - Carlos Reichenbach (20 min, 1989)
OLHAR E SENSAÇÃO - Carlos Reichenbach (10 min, 1994)
EQUILÍBRIO E GRAÇA - Carlos Reichenbach (10 min, 2002)
20h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão
completa inédita
22 de maio (domingo)
18h00 - BENS CONFISCADOS - Carlos Reichenbach (110 min, 2005) - pré-estréia
20h00 - O IMPÉRIO DO DESEJO - Carlos Reichenbach (105 min, 1980)
25 de maio (quarta-feira)
18h00 - ALMA CORSÁRIA - Carlos Reichenbach (116 min, 1994)
20h00 - CORRIDA EM BUSCA DO AMOR - Carlos Reichenbach (92 min, 1971)
26 de maio (quinta-feira)
18h00 - LILIAM M, RELATÓRIO CONFIDENCIAL - Carlos Reichenbach (90 min, 1975)
20h00 - GAROTAS DO ABC - Carlos Reichenbach (125 min, cor, 35mm, 2004)
27 de maio (sexta-feira)
18h00 - O PARAÍSO PROIBIDO - Carlos Reichenbach (95 min, 1981)
20h00 - AS LIBERTINAS - Carlos Reichenbach, Antônio Lima e João Callegaro (90
min, 1968)
28 de maio (sábado)
18h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão
completa inédita
20h00 - EXTREMOS DO PRAZER - Carlos Reichenbach (92min, 1983)
29 de maio (domingo)
18h00 - ALMA CORSÁRIA - Carlos Reichenbach (116 min, 1994)
20h00 - A BADALADÍSSIMA DOS TRÓPICOS X OS PICARETAS DO SEXO - Carlos Reichenbach
(42 min, 1969)
Postado em 25/05/2005
SESSÃO DUPLA DO COMODORO - dia 01 de junho de 2005
A Sessão Dupla do Comodoro, do dia 01 de junho, irá mostrar dois filmes inéditos nos cinemas brasileiros: “Sessão Espírita”, de Kiyoshi Kurosawa, um dos mais incensados diretores do moderno cinema nipônico, e o premiadíssimo “Dias Contados”, de Imanol Uribe.
As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão à disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.
SESSÃO ESPÍRITA (2000)
(Kourei, aka Seance)
de Kiyoshi Kurosawa
Japão, 118 min
em japonês, com legendas em inglês
roteiro - Kiyoshi Kurosawa eTetsuya Onishi
história original - Mark McShane
produtores - Takehiko Tanaka e Yasuyuki Uemura
música original - Gary Ashiya
fotografia - Takahide Shibanushi
montagem - Junichi Kikuchi
elenco
Kôji Yakusho, Jun Fubuki, Tsuyoshi Kusanagi e Hikari Ishida.
SINOPSE
Um casal vive uma vida tranqüila e modesta. Koji é um técnico de efeitos sonoros e sua esposa Junko, uma sensitiva, que atende consultas espirituais esporadicamente. Um jovem policial, que estuda psicologia, tenta convencer Junko ajudar a polícia em algumas de suas investigações.Koji está captando ruídos em uma floresta quando,Yoko, uma menina que está fugindo de um seqüestrador, tranca-se acidentalmente em sua caixa do equipamento. Koji, sem saber o que aconteceu, transporta Yoko até a sua casa, e a caixa é deixada na garagem por alguns dias. A polícia pede para Junko ajudá-los a encontrar a menina seqüestrada. Junko acaba encontrando a menina inconsciente dentro da caixa de equipamento na garagem. Temendo que os polícias não acreditem na coincidência e nem em suas habilidades psíquicas, Junko imagina um plano para que a menina seja encontrada pela polícia numa construção em ruínas. O problema é que a menina acorda e ao ver Junko, se assusta. A partir daí, a tragédia se instaura na monótona vida do casal.
COMENTÁRIO
O uso da metáfora e da alegoria no horror não é nenhuma novidade, mas no caso de Kiyoshi Kurosawa, a sua inserção em meio à banalidade do cotidiano tange a transgressão. As linhas violentas do horror são traçadas por Kuroawa com profunda análise social, e a audiência é conduzida a um passeio sombrio e angustiante ao extremo que evidencia gradativa e lentamente as implicações "políticas" de suas histórias.
Produzido por um canal de televisão, SESSÃO ESPÍRITA é baseado na novela "Séance", de McShane. A forma límpida de filmar de Kurosawa transforma um pequeno e eficiente plot policial, num calvário agônico quase insuportável rumo ao abismo. Os filmes de Kiyoshi Kurosawa inovam o cinema de gênero que transita entre o suspense, o mistério e o horror. Para vários especialistas, o diretor foi o maior sopro de originalidade que aconteceu no cinema japones dos últimos anos.
"Vampires drink blood. Zombies eat flesh. My ghosts are very Japanese...they don't do anything." - Kiyoshi Kurosawa
PRÊMIOS
Cannes Film Festival
2001 - FIPRESCI Prize Un Certain Regard
Fant-Asia Film Festival
2001 Won Critic's Prize
OPINIÕES
IMDB
“Beautiful reflection on death, and how we fill our lives waiting for it. This movie should not be seen as a straightforward ghost movie, nor as a basic series of set-ups, struggles and resolutions. It is a gripping movie, masterfully shot, bleak in its vision yet assembled with an inspiring meticulousness.”
MOVIE GEEK
“Movies like that can sometimes be a lot of fun, but they're rightly called schlock; Kurosawa is working on another level entirely. Now that he's being noticed here in the West, I'll definitely be paying attention to his work.”
MOVIEFORUM
http://www.movieforum.com/features/festivals/tiff00/reviews/seance.shtml
“Imagery aside, "Seance" remains most compelling with its interior, domestic drama worthy of comparison to vintage Polanski. Is the psychic the real deal, or a charlatan? Does her concocting a kidnapping hoax for publicity negate her paranormal abilities? Are the husband's spiritual recordings just garbles, interpreted as something darker by his need to believe in his wife (at first, he seems to tolerate his wife's spiritist assemblies like he would a weekly bridge club) and absolve himself of his own guilt in participating in the hoax? The understated performances of Koji Yakusho (returning from "Cure") and Jun Fubuki render their characters sympathetic to the end...we become caught up in the couple's scam-gone-awry, hoping they'll undo the damage even as their actions become exponentially more desperate and grisly. Far from an ambiguous cop out, the film's gruesome climax will leave you satisfied and shaken but arguing with friends for days. What more can you ask of a movie, other than we get a chance to see it beyond a repertory house one-off or convention bootleg?” Robert L
23.30 horas

DIAS CONTADOS (1994)
de Imanol Uribe
Espanha, 105 minutos
falado em espanhol, com legendas em inglês
Diretor - IMANOL URIBE
Roteiro - IMANOL URIBE (adaptado de uma novela de Juan Madrid)
Diretor de fotografía: JAVIER AGUIRRESAROBE
Música: JOSÉ NIETO
Montadora: TERESA FONT
ELENCO
Antonio: CARMELO GÓMEZ
Lisardo: JAVIER BARDEM
Rafa: KARRA ELEJALDE
Charo: RUTH GABRIEL
Vanesa: CANDELA PEÑA
Ugarte: PEPÓN NIETO
Lourdes: ELVIRA MÍNGUEZ
Carlos: JOSEBA APAOLAZA
Portugués: CHACHO CARRERAS
Alfredo: PEDRO CASABLANC
RESUMO
Militante basco se envolve, afetiva e sexualmente, com uma adolescente "junkie", seus amigos drogados e policiais truculentos, colocando toda uma violenta ação terrorista em risco.
PRÊMIOS
"Concha de Oro" de Melhor Filme e Melhor Ator (Javier Bardem) no Festival de San Sebastián (1994)
Premio Goya 1995 (o Oscar espanhol) de Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Principal (Carmelo Gómez), Melhor Atriz Revelação (Ruth Gabriel), Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem - primeiro Goya de sua carreira), Melhor Atriz Coadjuvante (Candela Peña), Melhor Montagem e Melhor Efeitos Especiais.
SOBRE IMANOL URIBE
Imanol Uribe nasceu em 28 de Fevereiro de 1950, em San Salvador, El Salvador. Filho de pais espanhóis, apesar de ter nascido na América Latina, foi educado na Espanha, onde depois de estudar jornalismo vem a formar-se em 1974 no curso de direção na Escola Oficial de Cinematografia. Um ano depois funda a produtora Zeppo Films. As suas primeiras obras chamam desde logo a atenção ao demonstrarem o seu interesse por um cinema sóciopolítico: É o caso de "El Processo de Burgos", um controverso documentário realizado com poucos meios, apoiado em extensas entrevistas a antigos membros da ETA condenados à morte no tristemente famoso processo de 1970, no final da ditadura do General Franco. Outro exemplo é "La Fuga de Segovia", onde narra a fuga da prisão de Segóvia de trinta membros da ETA; ou, ainda, o grande êxito "La Muerte de Mikel", onde analisa a última etapa da vida de Mikael, um homossexual de uma pequena localidade basca, morto em estranhas circunstâncias. Depois de criar sucessivamente as produtoras Cobra Films e Aiete Films, muda em 1986 de registro e dirige "Adios Pequeña", a adaptação de uma obra de Andreu Martin sobre as relações sentimentais entre uma advogada e um traficante de drogas. Seguiram-se a história de terror "La Luna Negra" e "El Rey Pasmado", baseado em "Crónica del Rey Pasmado" de Ballester. Em 1994 é largamente contemplado nos "Prémios Goya", assim como no Festival de San Sebastian onde conquista a Concha de Ouro com "Dias Contados", uma turbulenta história de amor entre um membro da ETA e uma toxicodependente. No ano seguinte roda "Bwana", uma análise ao racismo, conquistando novamente a Concha de Ouro em San Sebastian. Seguiram-se os policiais "Extraños" e "Plenilunium" e em 2002 "A Viagem de Carol", uma película intimista onde Uribe visita a infância durante o período da Guerra Civil Espanhola.
COMENTÁRIO
Angustiante, atmosférica e excitante história do envolvimento quase impossível entre um ativista do ETA e uma jovem prostituta viciada em heroína. Imanol Uribe conduz o filme com um domínio absoluto da linguagem cinematográfica e sem firulas modernizantes. Por trás de sua simplicidade aparente vislumbra-se, aos poucos, uma rara sofisticação. DIAS CONTADOS impregna a memória do espectador por muito tempo, graças a belíssima luz saturada, o esquisito encanto de sua atriz central, a angústia de seus protagonistas, a atualidade de seu tema, a sensualidade e ousadia de suas cenas de sexo e o achado deflagrador e niilista de seu desfecho. Esta é mais uma "gema" do moderno cinema espanhol nunca lançada comercialmente nos cinemas brasileiros.
A atriz Ruth Gabriel
OPINIÕES
"Thriller pasional, hiperrealista y desaforado que de un golpe descubre lo mejor del panorama interpretativo español" (Luis Martínez: Diario El País)
"Imanol Uribe created quite a stir when he debuted this film at the San Sebastian Film Festival, which is held in the Basque country of Spain, for this film deals with the ETA, a Basque terrorist organization responsible for many acts of violence throughout Spain. Winning several Goya awards including best actor, best new actress, best film, best supporting actor, and best director, the film traces the gradual disillusionment of Antonio with his mission and his life, spurred on by his increasing involvement with Charo, a prostitute and junkie. Javier Bardem does a wonderful turn as a junkie/dealer/pimp. The film is a gritty and realistic approach to the subject matter."
"Good film. I predict you'll like this film, with the added benefit of plenty of steamy sex and nudity, but if you're like me, you will have a difficult time forcing yourself to forget that he is a terrorist."
"Imanol Uribe's Dias Contados recieved widespread critical aclaim for its compassionate but unsentimental, multi-layed analysis of the tumultuous relationship between a Basque terrorist assigned to bomb a Madrid police station and the neighboring prostitute with whom he falls in love." - Sandra Brennan
Postado em 10/05/2005
CONFERINDO KING HU e KLAUS KINSKI
Fotos de VÉBIS JUNIOR
Postado em 24/04/2005
SESSÃO DUPLA DO COMODORO – 04 de maio de 2005
A Sessão Dupla do Comodoro de maio vai exibir dois filmes inéditos no Brasil: CHUVA DE LUZ NA MONTANHA VAZIA (Raining in the Mountain), a obra prima do falecido King Hu, considerado o maior diretor de cinema de Hong Kong, e PAGANINI (idem), o único filme de longa metragem escrito e dirigido pelo exuberante e demencial ator Klaus Kinski.
As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão a disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.
CHUVA DE LUZ NA MONTANHA VAZIA
(aka Raining in the Mountain, aka Pluie de Lumière dans la Montagne Vide, aka Kong shan ling yu)
Taiwan - Hong Kong - 1979
115 minutos - colorido
falado em mandarim, com legendas em inglês
diretor - KING HU
roteiro e montagem – KING HU
fotografia - Henry Chan
Musica - Ng Tai-Kong
elenco - Feng Hsu, Yueh Sun, Shih Chun e Feng Tien
Resumo
Na China da dinastia Ming, o superior de um monastério budista precisa escolher um sucessor. Entre os dignitários convidados a assistir a escolha do novo abade, alguns cobiçam ardentemente o inestimável pergaminho protegido pelo Templo. Mentiras, traições, tentativas de vôo e assassinatos vão acompanhar as cerimônias de entronização.
Comentário
Ppr seu extremo rigor fílmico, King Hu é constantemente comparado a Sergio Leone. Sua influência foi marcante nos filmes orientais de artes marciais, notadamente em diretores como John Woo, Tsui Hark, e mais recentemente, no Zhang Yimou de “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”.
King Hu (1931-1997), nome artístico de Wu Kam-Chen, nasceu em Beijing, China. Começou apresentando programas de rádio e editando livros budistas. Era militante de esquerda, quando estudou na Escola de Arte de Beijing, e resolveu concluir seus estudos em Hong-King. Inicou sua atividade no cinema como “set-designer” e foi trabalhar com os irmãos Shaw. Atuou e escreveu em mais de dez filmes e quando resolveu estrear na direção mudou de nome. No total, King Hu realizou 16 filmes como diretor.
No ocidente, King Hu foi consagrado com o filme “The Touch of Zen”, que ganhou o “prêmio da Comissão Técnica Superior” no Festival de Cannes, em 1975.
Nos últimos anos de vida, Hu mudou-se para Los Angeles, onde lecionou direção de cinema na universidade.
“Raining in the Mountain” foi rodado quase que simultaneamente a “Legend of the Mountain”, na Coréia, e estes dois filmes são considerados as suas obras-primas. Ambos tratam do mesmo tema, a ambição pelo poder e os impulsos humanos, mas com dois pontos de vista diferentes. Cada película é o espelho da outra, onde o relacionamento com o sutra é invertido totalmente, e levam a uma mesma conclusão.
King Hu explicou certa vez que extrai mais as suas inspirações da literatura, da pintura e da ópera do que propriamente do cinema. Essa é a diferença essencial entre ele e os seus contemporâneos.
Para suas duas obras primas, Hu escolheu o formato do cinemascope visando integrar verticalmente elementos como cachoeiras, montanhas, árvores e os raios de luz entre as folhas. Trabalhando sempre com perspectivas complexas, suas imagens impressionam pela força da sugestão pictórica.
Embora o potencial imagético seja dominante no cinema de Hu, foi ele quem introduziu o humor nos filmes de ação chineses. Além do humor, Hu herdou da ópera chinesa, o gosto pela coreografia complexa de corpos humanos arremessados no espaço cênico.
"Eu considerei sempre as seqüências de ação de meus filmes mais como danças do que como lutas, porque sempre fui interessado na Ópera de Peking, com seus movimentos e seu impacto na ação", confessou o diretor.
Não seria exagero dizer que “Chuva de Luz na Montanha Vazia” (Raining in the Mountain) é uma das experiências imagéticas mais estimulantes concebidas em toda a história do cinema mundial.
Opiniões
"On ne sait plus si l'on est devant un film de cape et d'épée, un ballet, un policier ou une initiation bouddhique. Mais ce que l'on sait, c'est que Raining in the Mountain est un chef-d'oeuvre."- Télérama
"Film directors come and go, but true masters of the craft are few and far between. Up there with luminaries such as John Ford, Yasujiro Ozu and Jean-Luc Godard is a less well-known figure: King Hu." -- Richard James Havis.
“Au final, Raining in the mountain, est un film parfaitement maîtrisé, superbement filmé, dans un environnement unique, qui nous délivre son puissant message philosophique avec beaucoup de grâce et d'intelligence. Une oeuvre fascinante donc, que je vous conseille vivement si vous voulez connaître ce que Taiwan a pu produire et filmer de meilleur.” (CASAPLUM)
PAGANINI
(aka KINSKI PAGANINI)
Itália - França - 1989
82 minutos (versão para os cinemas) - colorido
falado em inglês, sem legendas (a maior parte dos diálogos são falados em off e não possuem nenhuma importância para o entendimento do filme)
- observação: serão exibidos trechos do "making-off", antes da exibição do filme
diretor - KLAUS KINSKI
produtor - Augusto Caminito
produtor executivo - Carlo Alberto Alfieri
roteiro - Klaus Kinski
música - Niccolò Paganini
fotografia - Pier Luigi Santi
montagem (original - não aprovada pelo produtor) Klaus Kinski
elenco - Klaus Kinski, Debora Caprioglio, Nikolai Kinski, Dalila di Lazaro, Eva Grimaldi, Bernard Blier e Marcel Marceau
Resumo
Leitura pessoal e experimental da vida de Niccolo Paganini, que foi chamado de “o violinista do diabo” pela igreja católica, que o perseguiu obstinadamente. Desvairado, libertino e libertário, Paganini envolveu-se afetiva e sexualmente com várias mulheres da sociedade do século 18, incluindo algumas menores de idade. No final da vida, dedicou-se obsessivamente ao seu filho Achille e a extrair timbres sobre humanos de seu violino.
Comentário
Durante muitos anos, Kinski sonhou personificar Paganini, com quem acreditava ter inúmeros pontos de contacto. O produtor Augusto Caminito (“Forever”, de Walter Hugo Khouri), com quem havia filmado “Nosferatu a Venezia”, aceitou o desafio de produzi-lo e logo se arrependeu quando assistiu aos primeiros copiões enviados pelo laboratório. Eram mais de trinta minutos de cenas abstratas (muitas vezes filmadas pelo próprio Kinski com a câmera na mão, correndo pelo cenário ou se agitando em cima de uma cama) e uma profusão de detalhes quase ginecológicos de sua mulher na época, a bela Débora Caprioglio. Quando o filme foi mostrado ao diretor Gilles Jacob, do Festival de Cannes, em sua versão editada pelo próprio Kinski, o júri de seleção o considerou pornográfico e um acinte ao gênio de Paganini. Kinski ficou possesso e o produtor Caminito resolveu remontar o filme longe do diretor. Foi esta versão mais comportada que chegou aos cinemas. Mesmo assim, o filme continuou mantendo sua principal qualidade, a ousadia formal. “Paganini”, o filme, é um poema musical, um solo de improviso, um mergulho imagético e sonoro no êxtase e no frenesi das experiências extremas. Trabalhando com atores de várias nacionalidades, o diretor optou pelos diálogos em off, que não possuem muita (ou nenhuma) importância para o entendimento do filme.
Kinski, assim como Paganini, sempre viveu nas extremidades da sanidade física e mental. Para o ator-diretor, Paganini era “um diabólico vampiro com um violino”, que incendiava a audiência com sua música e personalidade irresistíveis. Obviamente, o desvairado Kinski jamais faria um biografia burocrática do demoníaco virtuoso. Sua leitura anticonvencional da vida de Paganini, construída de fragmentos autênticos e históricos, serve-se de alguns episódios de sua vida apenas para mostrar a danação de seu talento único e de suas grandes paixões: o violino, as mulheres e o dinheiro.
Opinões
“Extreme, unleashed, furious, tender, brutal, loving, merciless, hated & beloved”
“Wow! What a fascinating mess!”
Uma ótima matéria (em inglês) sobre Klaus Kinski e o filme PAGANINI em:
http://www.nitrateonline.com/1999/fpaganini.html
Postado em 22/04/2005
SOUVENIRS DE RECIFE E CHICAGO
Vista do quarto de hotel. Recife é linda demais.
Betty Faria, Marcelo Lyra e Maria Altberg, na sala de recepção do Festival de Pernambuco.
Antonio Pitanga e Carlos Reichenbach se rencontram no hall do hotel.
Eduardo Dussek é recebido como um califa pela galera, no hall do Centro de Convenções de Redife, no dia da exibição de BENS CONFISCADOS. Duas ou três fãs mais exaltadas pedem para ele cantar "Nostradamus"; um gaiato prefere "Cobra Venenosa" (que pica, que pica).
Dussek, Betty e Sara Silveira aguardam o momento de serem chamados ao palco para apresentarem BENS CONFISCADOS para um público de 3.000 espectadores. Dussek levou a platéia ao delírio em todas as seqüências hilárias do húngaro Miklos.
Betty Faria teve dificuldade para subir ao palco "toureando" os fotógrafos.
Na noite de encerramento e premiação, vários amigos pernambucanos de Betty vieram ao Recife torcer por ela.
Mestre Pitanga recebeu uma linda homenagem do Festival, por toda a sua brilhante carreira no cinema. Só isso já valeu pelas decepções relativas aos prêmios de melhor atriz e melhor ator coadjuvante "confiscados".
A acintosamente moderna Chicago, recebeu bem GAROTAS DO ABC. No final da última exibição do filme, a gerência do cinema foi obrigada a expulsar o público que permaneceu na sala por mais de duas horas querendo debater o filme. Mas o melhor aval veio do notório crítico Jonathan Rosenbaum, do Chicago Reader: "This 2003 Brazilian melodrama in more mainstream than the others I´ve seen by director Carlos Reichenbach (Suburban Angels, Buccaneer Soul and Two Streams), but is visual flair is still very much in evidence."
Na entrada do Museu de Arte Contemporânea de Chicago, uma curiosa instalação deixava os pedestres ressabiados. Seria esta a arte do novo milênio; quem sobreviver (sem sapato), verá!
Uma imagem sintagmática da cidade de Chicago. Do outro lado das águas, o Canadá.
Pamela Diaz de León comanda todos os passos dos convidados do Chicago Latino Film Festival munida apenas de um telefone celular. É impressionante a eficiência desta mexicana radicada em Miami. Neste dia o Comodoro quase foi parar no hospital com a quantidade de "salsa picante" digerida neste formidável restaurante mexicano. Dá-lhe guacamole!
O incansável Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival, em companhia de Carlos Reichenbach e da linda atriz guatemalteca Andrea Rivera. Pepe Vargas é um entusiasta do cinema latino americano e tem especial apreço pelo cinema brasileiro. Deveria ser - urgentemente - homenageado por algum festival brasileiro. Neste ano o Chicago Latino Film Festival contemplou o cineasta brasileiro Carlos Diegues com o Gloria Award, um troféu belíssimo e valioso, por toda a sua obra fílmica.
Postado em 20/04/2005
O DESABAFO DE MARCO AURÉLIO MARCONDES
O Bonequinho CEGO, SURDO e MUDO, ou, A MALDIÇÃO do Bonequinho, ou ainda, O Bonequinho AMORDAÇADO, ou, Bonequinho, A LOTERIA.
Por Marco Aurélio Marcondes (mam1950@terra.com.br) - São Paulo, 15 e 16 de abril de 2005.
“Estou chamando um caboclo espalha-brasas que vai trabalhar este fim de semana para que o pujante filme de Toni Venturi, com interpretações maravilhosas de Leonardo Medeiros e Débora Duboc, consiga que o público carioca – moços e/ou velhos - aprenda a ver CABRA-CEGA, com suas qualidades e (porque não) defeitos, e triunfe sobre esta maldição.”
Creio que não há na mídia mundial nada comparável ao Bonequinho de O GLOBO. Ele é do século passado, creio que do final da década de 40 e nós que trabalhamos com o cinema sabemos que ele pode ser tudo ou nada para determinados filmes.
Algo parecido – nota e/ou avaliação de filmes, dadas pela critica cinematográfica - tentou a Folha e o Estadão (agora o irmão mais novo deste, o JT, tem ao invés de estrelas, saquinhos de pipoca). A Folha (ou seria o Estadão?) já utilizou carinhas (rindo, chorando, esperneando, etc.). Mas nada comparado à força do Bonequinho.
O JB tem suas estrelinhas e a bola preta, não me lembro de quando datam, ou se tiveram vida intermitente, e elas fazem (ou faziam) certo contraponto.
Alias são estrelas (de 5 a uma) o que utilizam, por exemplo, os críticos do The Guardian de Londres. O New York Times, não as utiliza. As Vejinhas (Rio e SP) tem, assim como hoje a Folha e o Estadão, suas estrelinhas e suas bolinhas.
Algo similar o San Francisco Chronicle tem.
http://sfgate.com/cgibin/article.cgi?f=/c/a/2005/04/01/DDGQ8C0SRR1.DTL&type=movies
– não saberia dizer, se é uma cópia do Bonequinho de O GLOBO e de quando data. No jornal da Califórnia há um bonequinho espectador (LITTLE MAN, ou Pequeno Homem, ou Homenzinho, ou Bonequinho mesmo) de terno e chapéu (deve ser antigo, ver acima): pulando (e aplaudindo) na poltrona do cinema, quando gosta muito de um filme, e suas variações: aplaudindo sentado, olhando (com algum interesse) e dormindo (numa boa). Dorme, mas não sai do cinema, simplesmente não vai ( Don't Bother).
Não estamos sós neste mundo. Vide a mania de dar notas que no caso norte-americano, chega a extremos, como nos portais de critica onde há a indexação (outra mania deles). Lidas as criticas, saídas em tudo que é meio (e não são nunca menos de 50) a elas são imediatamente atribuídas notas de 10 (excelente) a 1 (muito pobre).
Vejam – por exemplo os portais que mais consulto : http://www.metacritic.com/ e o http://www.rottentomatoes.com/. Neste último há também a tradução gráfica: tomates frescos (as criticas positivas) e os tomates podres (as negativas).
Lá também, Roger Ebert <