REDUTO DO COMODORO AMPLIADO

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Postado em 24/07/2005

 

 A NOITE DOS CULTS EXTREMOS

SESSÃO DUPLA DO COMODORO - 03 de agosto de 2005

 A Sessão Dupla do Comodoro de agosto vai exibir dois filmes bastante cultuados e inéditos nos cinemas brasileiros: CÃES RAIVOSOS (Cani Arrabbiati), o último filme do mestre europeu do cinema de horror, Mario Bava, e TETSUO, O HOMEM MÁQUINA (Tetsuo), o premiado filme de estréia de Shinya Tsukamoto.

 CÃESD RAIVOSOS será mostrado em sua versão original, falado em italiano, com legendas em inglês e TETSUO, O HOMEM MÁQUINA, falado em japonês, com legendas em português, graças (mais uma vez) aos irmãos Tauffenbach.

  As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão a disposição a partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.

CÃES RAIVOSOS

(Rabid Dogs, aka Cani Arrabbiati, aka Wild Dogs)

Itália – 1974

96 minutos - colorido

falado em italiano, com legendas em inglês

diretor –  MARIO BAVA

Roteiro: Cesare Frugoni and Alessandro Parenzo

Fotografia: Mario Bava

Montagem: Carlo Reali

Musica Original: Stelvio Cipriani

Elenco: Riccardo Cucciolla (Riccardo); Maurice Poli (Doc); Lea Lander (Maria); Luigi Montefiori (Thirty-two); Aldo Caponi (Blade); Erika Dario (Maria, the hitchhiker); Gustavo De Nardo (Gas station attendant)

Outros títulos: Semaforo Rosso; Red Traffic Light

 

Sinopse

 Ladrões truculentos, após um violento assalto, fazem uma mulher de refém, e obrigam um senhor de carro, que carrega uma criança doente no interior, a dirigir com segurança até o local onde pretendem dividir o produto do assalto.

 

Informações sobre a produção

 Último filme do mestre Mario Bava, que foi filmado cinco anos antes de sua morte  em dezesseis milímetros (Bava queria um filme ágil e seco), mas que não pode ser completado por causa da morte de um dos financiadores principais. Questões legais fizeram o projeto ser esquecido por algum tempo. Em 1998, os negativos foram encontrados e o filme pode ser finalmente editado, tal como Bava o imaginou, seguindo fielmente as anotações deixadas por ele. Lamberto Bava, filho de Bava e seu assistente no filme, acompanhou a edição final.

 

Opiniões superlativas

 - A masterwork of violence, irony and vulgarity.

 - Bava's crime masterwork!

 - A perfect film.

 - A gritty, realistic masterpiece.

 - "Rabid Dogs" is a roughly-hewn masterpiece.

 - Rabid Dogs is up there with Edgar G. Ulmer's Detour and Ida Lupîno's The Hitch-Hiker as one of the best examples of this exciting subgenre.

 Sobre MARIO BAVA

http://www.superwonderscope.com/mario_bava_e.htm

MARIO BAVA : IL PIU GRANDE

Textos críticos

http://www.horrorview.com/Rabid%20Dogs.htm

“Rabid Dogs" (1974) is possibly the last truly great film to be directed by Italian maestro Mario Bava.

http://www.thespinningimage.co.uk/cultfilms/displaycultfilm.asp?reviewid=201

Bava's Legendary 'Lost' Film!

http://culturedose.bravepages.com/review_10002875.html

Mario Bava's Rabid Dogs: The Maestro's Lost Masterpiece

http://www.imagesjournal.com/issue05/infocus/rabiddogs.htm

Rabid Dogs is an exceptional work in the distinguished career of Mario Bava--Italy's foremost director of fantasy and horror films.

 

TETSUO, O HOMEM DE FERRO

 

(Tesuo, aka The Ironman)

Japão – 1988

96 minutos – branco e preto

falado em japonês, com legendas em português

direção e roteiro - Shinya Tsukamoto

diretores de fotografia: Kei Fujiwara e Shinya Tsukamoto   

música original: Chu Ishikawa 

montagem: Shinya Tsukamoto   

ELENCO

Tomorowo Taguchi ....  Man

Kei Fujiwara ....  Woman

Nobu Kanaoka ....  Woman in Glasses

 

SINOPSE

(se é que isso seja possível)

 Um homem esquisito, "fetichista do metal", possui uma estranha compulsão de aplicar metal em seu próprio corpo e é, aparentemente, assassinado por um operário, quando estava na companhia de sua namorada. Mais tarde, o operário descobre que contraiu uma estranha doença que também transforma sua carne em sucata de metal e que seu antagonista está tomando conta do interior de seu corpo.

PRÊMIOS

- Melhor Filme (júri oficial) no FANTAFESTIVAL (Roma) (1989)

- Melhor (júri popular) no Sweden Fantastic Film Festival

SITE DO DIRETOR

http://shinyatsukamoto.info/Home.php

Opiniões

 “Constant comparisons to such distinctive celluloid experimentalists as David Cronenberg and David Lynch may give the uninitiated an idea of what to expect aesthetically and thematically from the works of renegade Japanese filmmaker/actor Shinya Tsukamoto, though as complimentary as they may be, the comparisons ultimately don't do justice to the remarkably original and frantic essence of his hauntingly jarring cinematic nightmares.” – ALL MOVIE GUIDE

Análises sobre o filme

http://www.midnighteye.com/reviews/tetsuoim.shtml

http://www.mandiapple.com/snowblood/tetsuo.htm


Postado em 13/07/2005

 

SANTA MARIA, A CIDADE QUE RESPIRA CINEMA

 

 

 Relutei algum tempo até decidir postar este texto. Mas diante do comovente depoimento de Milton Prado sobre o nosso primeiro contato pessoal, escrito especialmente para o catálogo do 4o. FESTIVAL NACIONAL DE VÍDEO E CINEMA DE SANTA MARIA, não hesitei em pedir permissão ao diretor do evento para incluí-lo neste site.

 

foto de Marina Chiapinotto


 Voltei no último domingo de Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde recebi uma das mais calorosas homenagens de toda a minha vida.

 Organizado e dirigido por Luiz Alberto Cassol e "acionado" por Bebeto Badke, Marcos Borba e uma jovem e eficiente equipe de estudantes da cidade, o evento privilegia o cinema movido pela paixão.

 FILME DEMÊNCIA, ALMA CORSÁRIA e DOIS CÓRREGOS foram exibidos em praça pública e a versão "redux" de GAROTAS DO ABC no tradicional Theatro Treze de Maio. Indescritível a experiência de mostrar FILME DEMÊNCIA em praça pública. A reação do público presente na sessão da versão de duas horas e meia de GAROTAS DO ABC foi arrebatadora (me arrependo de não ter batido o pé e mantido o filme tal como foi concebido no papel).

 Lembrar a homenagem final, com o Theatro Treze de Maio lotado e aplaudindo de pé este escriba, me faz entender a importância de passar meia semana em contato direto com um novo público, mostrando e debatendo os filmes. Graças ao Cassol e sua equipe meus filmes ganharam um nova e inédita contrapartida cúmplice.

 Como se não bastasse, o festival possui um dos mais originais e belos troféus concebidos neste país para premiar seus homenageados especiais e os melhores filmes e vídeos de curta metragem, locais e nacionais. Trata-se do troféu VENTO NORTE, concebido por Ana Norogrando, uma das mais importantes artistas plásticas do Rio Grande do Sul.
 Em Santa Maria não há tapete vermelho, vedetes da televisão e nem holofotes. Há filmes o dia inteiro e muita gente discutindo o cinema e sua linguagem. A competição é voltada para os curtas metragens em vídeo e película, mas a população da cidade pode assistir (de graça) de João Moreira Salles a Peter Baiestorff.
 O Festival de Santa Maria tinha tudo para dar errado, tendo em vista a distância de sua localização (quatro horas de carro, para quem vem de de Porto Alegre) e a temperatura no mês escolhido para a evento. Mas a paixão pelo cinema que flui pela cidade durante a semana esquenta a platéia mais que o quentão que é vendido na praça principal. A ânsia de ver filmes (às vezes até debaixo de chuva gelada - quem esteve no primeiro evento foi testemunha), e debatê-los a céu aberto, contagia a cidade inteira. Por conta de sua cinefilia, Santa Maria se impôs definitivamente no calendário anual dos festivais brasileiros.
 Vida longa ao SANTA MARIA VÍDEO E CINEMA !!!!
 Vale a pena visitar o site do festival para conhecer os vencedores da competição de curtas e vídeos:
http://www.santamaria.rs.gov.br/festival/

 

 Segue abaixo o texto-depoimento de Milton do Prado para o catálogo do Festival de Santa Maria.

 

 P.S. - Fui obrigado a enviar um e-mail para Milton confessando que voltei a fumar, depois de dois anos e meio de abstinência forçada. Na próxima semana eu prometi ao dr. Alexandre, meu cardiologista, iniciar um tratamento severo para voltar a abandonar o vício. Oxalá os repentes de depressão e/ou euforia excessiva não se repitam!

 

fotos de Marina Chiapinotto

 

Carlos Reichenbach, cinema e vida

 Era 1997, eu preparava minha monografia de final de curso sobre Cinema Marginal e tinha ido a São Paulo fazer algumas entrevistas. Consegui somente duas, no meu último dia na cidade. Num sábado, às 14 horas horas, eu me encontraria com Carlos Reichenbach; às 17 horas, com José Mojica Marins.

 Cheguei 13h55 na casa de Reichenbach. Ele acabava um artigo sobre A Ostra e o Vento, de Walter Lima Jr., que estava para ser lançado. Durante 15 minutos, defendeu apaixonadamente o filme. Convidou-me então para a cozinha, onde, cinco horas, duas garrafas térmicas de café e vários cigarros depois, tínhamos conversado sobre seus filmes, sobre os filmes dos outros, sobre cinema, sobre a vida, sobre Brasil. Saí entusiasmadíssimo, com quatro certezas: que eu acabara de ter uma das melhores aulas de cinema de minha vida, que eu seria amaldiçoado pelo Zé do Caixão por ter faltado à entrevista marcada e que minha monografia não seria mais sobre Cinema Marginal, mas sobre os filmes do Carlão (que seria como o chamaria daí em diante).

 Faço questão de contar o episódio não somente pelo caráter anedótico que ele possa ter, mas porque para mim resume muito do que o Carlão é e, por conseqüência, o que está em seus filmes. Sim, porque Carlão faz filmes de autor (expressão gasta, vilipendiada e mal utilizada hoje em dia), ele ESTÁ nos seus filmes, talvez como nenhum outro cineasta brasileiro, com o perdão do exagero.

 Carlão foi estudante de Cinema na Escola São Luís, de São Paulo, onde entrara com o objetivo de ser roteirista. Foi Luís Sérgio Person que o convenceu a dirigir, enxergando seu potencial. Depois de alguns curtas, Carlão dirigiu episódios de dois longas-metragens que dialogavam diretamente com a explosão do Cinema Marginal daquele momento. São filmes dos quais ele mesmo não gosta, colocando-os mais como experiência de vida do que qualquer outra coisa.

 Ele vem a realizar seu primeiro longa-metragem a partir de um convite para dirigir um filme estritamente comercial. Como o ator principal saiu antes das problemáticas filmagens, Carlão passou a experimentar a linguagem justamente a partir da falta de condições de produção. Corrida em Busca do Amor, cuja única cópia existente, em 16mm, foi recentemente descoberta em São Paulo, pode não ser dos seus bons filmes, mas sedimenta algumas das características que ele imprimiria em seu cinema daí em diante.

 Depois de um período trabalhando com publicidade, ele investe tudo que possui num projeto extremamente pessoal.  O resultado é Lilian M - até hoje um de seus filmes mais importantes, onde já se nota a preocupação com a figura feminina, o humor impedindo qualquer traço de demagogia, a inventividade da narrativa.

 Passam-se quatro anos e, com uma nova encomenda, Reichenbach vai dar outra guinada em sua carreira. Chamado para dirigir o que seria uma pornochanchada, ele faz A Ilha dos Prazeres Proibidos e inicia uma série de filmes em que trabalha sempre com vários níveis de leitura. Sucesso de bilheteria no Brasil e na América Latina, A Ilha… é um policial erótico recheado com idéias anarquistas e libertárias espalhadas entre as marcas de celulite das pernas das atrizes. A receita vai ser ainda mais bem dosada em Império do Desejo, um de seus melhores filmes, e vai virar uma marca do autor: o aproveitamento e a subversão do repertório popular para a expressão de suas idéias. O sucesso de público vai lhe permitir a fazer trabalhos mais pessoais, ainda sob o esquema de produção da Boca do Lixo e sob a alcunha da pornochanchada: Amor, Palavra Prostituta (que foi cortado pela censura e teve a cópia completa recentemente recuperada), Paraíso Proibido, Extremos do Prazer.

 Se alguns dos seus filmes foram sucesso de público, a leitura mais intelectual e menos preconceituosa sobre os mesmos demorou a vingar. Aos poucos, graças em parte à crítica cinematográfica do sul do país e a festivais como os de Gramado (em 1984 ele recebe menção honrosa pela integridade de sua obra graças a Extremos do Prazer) e Rotterdam (no mesmo ano, Hubert Bals, criador deste festival, apaixona-se por Lilian M), Carlão se consagra como autor respeitado.

 É nesse momento feliz da carreira, no final dos anos 80, que vão aparecer dois dos seus filmes mais importantes. De um lado, Filme Demência, auge do cinema como expressão pessoal, como experimentação radical, tendo um personagem masculino à deriva, como de certa forma já aparecia em A Ilha…, Extremos do Prazer, Paraíso Proibido. Do outro, o classicismo e a delicadeza de Anjos do Arrabalde, onde estão presentes novamente o universo feminino, a opressão social sem demagogia, como em Lilian M e Amor Palavra Prostituta. De certa forma e mesmo sem intenção, são filmes-balanço dessas duas vertentes.

 Depois de anos difíceis, quando ele pensa até mesmo em abandonar o cinema para se dedicar à música, vem Alma Corsária. Filme de retomada em todos os sentidos: memorialista, ali estão presentes todos os temas tratados por Carlão em sua carreira, sempre levados pelas apaixonadas citações literárias (Augusto dos Anjos, Cesário Verde), musicais (Jimi Hendrix, Debussy) e cinematográficas (Samuel Fuller, Godard), em especial do cinema brasileiro (Luís Sérgio Person, Humberto Mauro, chanchada). Caleidoscópio de referências pessoais e de toda uma geração, Alma Corsária foi feito com parcos recursos (Carlão acumulou várias funções a fim de viabilizar o filme) e lançado em um momento de agonia do cinema nacional,  conquistando os principais prêmios no Festival de Brasília de 1993. Quem não viu ainda precisa abrir o coração e a mente para esse filme luminoso.

 Carlão continua a surpreender. Quando todos esperavam outra ode ao anarquismo, ele aparece com a delicadeza de Dois Córregos. De uma tristeza profunda, o filme funciona quase como um antídoto contra qualquer cinismo – o que o torna, à sua maneira, extremamente ousado em tempo de filmes “modernos” (atenção às aspas!). Surge também com um filme moderno, com uma narrativa extremamente inventiva e um fantástico trabalho de montagem: Garotas do ABC fala de trabalho, de lazer, do mundo feminino, de racismo, de facismo. Talvez um de seus trabalhos mais mal-compreendidos, tira boa parte de sua força da tensão entre o realismo do tema e do seu tratamento anti-naturalista. E, por fim, Bens Confiscados, que ainda não tive oportunidade de ver.

 O cinéfilo que está sendo apresentado a Carlos Reichenbach por esse texto talvez identifique uma possível contradição. Falo de temas recorrentes, defendendo o lado autoral de Carlão, mas falo também de surpresas a cada filme. Também pode ter achado exagerado a quantidade de citações colocadas em tão curto espaço. Convido-o então a assistir à mostra que vai ser exibida no Festival de Santa Maria e a tirar suas próprias conclusões. Quem puder assistir aos quatro belos exemplos de seu cinema vai entender que coerência não significa acomodação e vai se dar conta que havia muito mais a falar sobre eles, até porque a obra do Carlão dá muito o que falar.

 É um pouco como aquele primeiro encontro que tive com ele, cinco horas de muita conversa inteligente e nada pedante, bem-humorada e séria, gentil mas nada condescendente, regada a muito café – mas não mais a cigarro! Oito anos e três pontes de safena depois, Carlão não pode mais fumar. Talvez por isso ele tenha mais fôlego para fazer e assitir a mais filmes, dar cursos e palestras, promover uma sessão de cinema mensal com raridades underground, escrever em seu blog, promover um prêmio anual para sites e blogs de cinema, caminhar pelas ruas de São Paulo, entrar em sebos em busca de mais um filme para sua coleção, conversar sobre cinema com quem lhe demonstra interesse e curiosidade. Na vida, como no cinema, Carlão é intenso e inquieto.

 Falei anteriormente que tinha saído do encontro que tive com Carlão Reichenbach com quatro certezas, mas citei apenas três. Deixei para o final uma espécie de confissão: quando saí do seu apartamento em 1997, eu tinha certeza que queria fazer cinema.

Milton do Prado

montador e sócio da produtora Clube Silêncio

 


 

Postado em 30/06/2005

 

OS NOVOS OBJETOS DE DESEJO

 

  Eis alguns filmes que estão saindo em DVD, nos Estados Unidos, no mês de julho. Vamos começar a coçar a carteira e o cartão de crédito desde já.

 



POINT BLANK (À Queima Roupa - 1967) - Finalmente em DVD, um dos maiores clássicos do moderno cinema policial . Dirigido por John Boorman, com Lee Marvin e Angie Dickinson em grande forma, À QUEIMA ROUPA inovou o gênero com sua montagem descontínua e o truculento cinismo de seus protagonistas.

 



JOSEPH SARNO "GIRL MEETS GIRL" TRILOGY - Três filmes e um CD musical, com os melhores trabalhos do lendário diretor sueco-americano Joseph Sarno, um dos papas do erotismo. Em todos eles, a presença deslumbrante de Marie Forsa (uma cover assanhadíssima de Catherine Deneuve). Os filmes disponíveis no "pacote" são: "Vampire Ecstasy" (a.k.a. Veil of Blood), considerado o mais erótico de todos os filmes de vampiros já realizados (deverá ser mostrado ainda este ano na Sessão Dupla do Comodoro); "Girl Meets Girl" (a.k.a. Bibi) e "Butterflies", um exercício subversivo de "naturalismo devasso", com a participação bem humorada do "astro pornô" Harry Reems (o médico safo de "Garganta Profunda"). Sarno, que vive metade do ano na Suécia e a outra metade nos Estados Unidos (ele tem problemas de saúde com o frio em excesso), é um dos poucos diretores do gênero "exploitation" que vem sendo incensados atualmente pela crítica mundial.

 



THE NARROW MARGIN (Rumo ao Inferno - 1951) - um dos melhores filmes de Richard Fleisher, um dos grandes representantes do chamado "cinema do corpo"; daquelas obras essenciais e marginalizadas, que a gente nunca imaginou que fossem - um dia - autoradas em DVD.

 



BORN TO KILL (Nascido para Matar - 1947) - um belo clássico "noir" de Robert Wise, com o truculento Lawrence Tierney e a magnífica Claire Trevor.

 



CLASH BY NIGHT (Só a Mulher Peca - 1952) - Raridade do mestre maior, Fritz Lang, com um elenco soberbo: Barbara Stanwyck, Robert Ryan, Paul Douglas, Marilyn Monroe e J. Carrol Nash.  Destaque para a espetacular fotografia preto e branco de Nicholas Musuraca. O DVD traz nos extras os comentários de Peter Bogdanovitch.

 



DILLINGER (1945) - Esta é a versão fílmica que influenciou Jean-Luc Godard, em "Acossado" (por causa dela, o diretor franco-suiço homenageou a Monogram Pictures). Escrito por Philiph Jordan, dirigido por Max Nosseck e protagonizado por Lawrence Tierney, essa versão de DILLINGER se tornou um estandarte na luta pela liberdade de expressão contra os "conselhos de ética e moral" dos grandes estúdios americanos da época. O DVD traz comentários de John Milius, outro fã confesso desta versão.

Postado em 26/06/2005

SESSÃO DUPLA DO COMODORO - dia 06 de julho de 2005

 A Sessão Dupla do Comodoro, do dia 06 de julho, já apelidada de "Sessão Viagra", irá mostrar dois marcos do moderno cinema erótico: A ALCOVA, de Joe D´Amato, e PAPRIKA, de Tinto Brass, recente e finalmente homenageado pela Cinemateca Francesa. "A Alcova" será projetado em sua recente versão restaurada na Alemanha, e legendada em português graças à colaboração de um freqüentador das sessões. "Paprika" será exibido com legendas em inglês.

 As sessões, como sempre, começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratuitas estarão à disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.

A ALCOVA (1984)

(L´Alcova)

de Joe D´Amato

Itália, 90 minutos

em alemão, com legendas em português (ou em inglês, com legendas forçadas em alemão)

diretor - Joe D'Amato

roteiro - Ugo Moretti (inspirado em romance de Juditte Wexley)

fotografia - Joe D´Amato (como Federico Slonisco)

música - Manuel De Sica

montagem - Mariano Laurenti   

elenco

Lilli Carati, Laura Gemser, Al Cliver (Pier Luigi Conti), Annie Belle e Roberto Caruso

SINOPSE

 Em uma cidade italiana, no ano de 1936, retorna da frente abissínia, o comandante Elio, trazendo como troféu, Zerbal, uma belíssima princesa nativa, que ganhou como presente por ter salvo a vida de um rei local. O militar fascista, ao retornar a Itália, descobre que, além de estar mergulhado em imensas dívidas financeiras, é obrigado a dividir as atenções afetivas e sexuais de sua bela esposa devassa com a própria secretária lésbica. Zerbal é introduzida neste ambiente decadente como serviçal e vai, aos poucos, descobrindo as fraquezas e vilanias de todas as pessoas da casa. Graças à sua beleza e sensualidade, em pouco tempo coloca, literalmente, todos eles a seus pés.

SOBRE JOE D´AMATO

  Joe D´Amato, um dos mais prolíficos cineastas da história, cujo nome de batismo era ARISTIDE MASSACCESI, nasceu em Roma, em 15 de setembro de 1936 e morreu em janeiro de 1999. Iniciou sua carreira profissional como fotografo de cena, foi operador de câmera e diretor de fotografia em mais de 100 filmes e dirigiu aproximadamente 186 filmes de longa metragem. Assinou filmes com inúmeros pseudônimos: Michael Wotruba, Peter Newton, Kevin Mancuso, John Larson, David Hills, Richard Franks, John Franklin, Alex Carver, Charles Borsky, Steven Benson, Fred Slonisko, Maxima De Best, Tom Salina, John Bird, Hugo Clevers, Alexandre Borsky, Hidi Morris, Haidi Morras, Richard Haller, John Cart, Bernard Brel, Alex Susmann, Oliver J Clarke, Dirk Frey, Philippe Fromont, Gerry Lively, James Burke, Joan Russell, Chang Lee Sun, Robert Yip, Young Sean Bean Lui, Jeiro Alvarez, Andrea Massai, Chang Chun, O. J Clarke e John Shadow. Exercitou quase todos os gêneros cinematográficos, incluindo filmes de sexo explícito; por esta razão foi alvo de todo tipo de preconceitos, sendo inclusive alcunhado de "o pior cineasta da Itália". Chegou, inclusive, a rodar dois filmes simultaneamente em São Domingos, na República Dominicana ("Porno Holocaust" e "Erotic Nights Of The Living Dead"), que são considerados "dois musts" por seus fãs. Seu filme mais polêmico é "Emanuelle na América", de 1977, proibido em mais de 40 países, por conter cenas de bestialismo explícito e uma (falsa, mas muito bem realizada) seqüência de "snuff movie". Alguns de seus melhores filmes vem sendo redescobertos pela crítica e estudiosos do cinema da Península: "Papaya dei Caraibi", "Buio Omega" (já exibido na Sessão Dupla do Comodoro), "Orgasmo nero", "Antropophagus" (The Grim Reaper), "Rosso sangue", "L´Alcova", "Il Piacere", "Killing birds - uccelli assassini" e "Marquis de Sade" (talvez, o mais transgressivo e fescenino dos filmes de sexo explícito da história). Entre todos eles, o mais cultuado é "A Alcova", graças aos cuidados da produção, as suas cenas de sexo realmente bastante excitantes e a beleza natural de suas duas atrizes principais: a magnífica ex-Miss Java, Laura Gemser, e Lilli Carati.

COMENTÁRIO

 Joe D´Amato está para a Itália assim como Oswaldo de Oliveira esteve para o cinema brasileiro. Profissional dos mil instrumentos realizou filmes de todos os gêneros e de baixo e médio custo. A ALCOVA e BUIO OMEGA podem ser consideradas as sua obras primas. D´Amato filmava a sexualidade sem nenhuma culpa. Em BUIO OMEGA abordou a necrofilia de maneira subversora, quase explícita, como que filmando uma inocente história de amor obsessivo. Em "A Alcova", transforma uma princesa núbia numa espécie de "anjo vingador", deflagrando uma revolução dos sentidos no seio de uma família fascista decadente. Para acentuar a atmosfera, que lembra demais os livros de Gabriele d'Annunzio, D´Amato trocou a sua habitual parceria com o músico e cantor Nico Fidenco, pelo “muzak” minimalista (mas sempre eficiente) de Manoel De Sica (Dellamorte Dellamore). Em vários sentidos, A ALCOVA lembra o TEOREMA, de Pier Paolo Pasolini. D´Amato sabia muito bem a diferença entre sensualidade e sexualidade porque exercitou ambos à exaustão em seus filmes. Soube como (muito) poucos explorar a "combustão" lúbrica de suas musas Laura Gemser, Lilli Carati, Rosa Caracciolo e Simona Valli. Com excessão de Laura Gemser, que - conforme a lenda - não gostava muito de praticar o que representava na frente das câmeras, as outras três "estrelas" adoravam vivenciar as suas performances. Os filmes de Simona Valli, por exemplo, podem ser usados como material pedagógico em qualquer aula de sexo. Valli e Rosa Caracciolo são provas cabais da existência do tal "Ponto G".

OPINIÕES

Thomas Simmons (IMDB) - "A Surprisingly well-crafted piece of twisted art-house erotica from Joe D' Amato. An soldier (Cliver) returns home from the war with the daughter of a tribal king (Gemser) as his slave (a gift that he was given for "saving" the kings life). The spoils of war, ya know? While he's been gone, his wife has been having an affair with the female housekeeper (Belle). Not at all pleased with being a slave, the Ebony princess notices the mistress of the house engaging in a quick bit of foreplay with the housekeeper and plots her revenge starting with the seduction of the mistress. Jealousy spreads like wildfire and before you know it, she has turned the household into a lustful frenzy of sex and hatred. I can't give away too much more or it would ruin the story, but there are plenty of little twists along the way. Speaking of twists, this film is actually far more twisted than it sounds. One of the more disturbing moments being a sequence about the filming of an inquisition-themed porno that turns into the sadistic rape of a lesbian / virgin by the filthy and none too bright gardener. Sporting tons of full-frontal nudity, simulated lesbian and straight sex and some hard-core (as seen in an old stag film), this has the sleazy goods to go along with the D.H. Lawrence-ish setting and atmosphere, and is definitely recommended for fans of such.”

Anon in 'Bama - “Some good chemistry here! If I have a criticism right off the bat it's the usual: too many guys and not enough of the women! Still, what's there is pretty good, even though none of the love scenes are particularly long. Basically, this entire film takes place on the estate of one of Mussolini's officers, back from the war in Ethiopia. It's a lush setting, as Italy always is. The officer in question has brought back a beautiful Ethiopian girl, perfectly cast in the role by Laura Gemser. Those familiar with the Emmanuelle series already know how attractive Laura is, and when the officer gives her to his wife (played by the very sensual Lilli Carati) the storyline quickly picks-up steam. Carati is already playing footsie with the cute little housekeeper (Annie Belle), so when she begins eyeing her sexy slavegirl of course there's going to be some jealousy. The love scenes between the women tend to be rather tame, but I thought this movie did a great job of setting up these passionate encounters. Toward the end it gets a little weird, but watching this one was still a mostly enjoyable experience. The women are all beautiful, and I liked the basic story of passions and possessions.”

PAPRIKA (1991)

(Paprika, Life in a Brothel)

de Tinto Brass

Itália, 100 minutos

em italiano, com legendas em inglês

diretor - Tinto Brass

roteiro - Tinto Brass e Bernardino Zapponi (inspirado na novela “Fanny Hill or, Memoirs of a Woman of Pleasure”, de John Cleland)

fotografia - Silvano Ippoliti   

música - Riz Ortolani   

montagem - Tinto Brass

elenco

Deborah Caprioglio, Stéphane Ferrara, Martine Brochard, Stéphane Bonnet, Rossana Gavinel, Renzo Rinaldi e Nina Soldano.

 

SINOPSE

 Garota do interior da Itália vem para a cidade trabalhar em um bordel, no intuito de juntar dinheiro para que o seu noivo consiga abrir o seu próprio negócio. A cafetina a apelida de Paprika motivada pela sua espantosa disposição para a árdua tarefa.

SOBRE TINTO BRASS

 Giovanni Brass, nasceu em março de 1933. Neto do famoso artista plástico Italico Brass, recebeu do avô o apelido de "Tintoretto"; por isso, mais tarde, Giovanni adotou o nome artístico de Tinto Brass. Tinto começou sua carreira cinematográfica trabalhando com Federico Fellini e Roberto Rosselini. Seus primeiros filmes foram acentuadamente influenciados pelo cinema experimental e pelo movimento underground americano. Filmes como Col cuore in gola (1967 - no Brasil, "Escalation"), Nerosubianco (1969), L´Urlo (1970), Drop-out (1970 - no Brasil, "Os Desajustados do Amor") e La Vacanza (1971) apontavam Brass como um dos cineastas mais estimulantes e inventivos da Península. O sucesso comercial de Salon Kitty (1976) e todo o incidente e escândalo mundial envolvendo a atribulada produção de Caligola (1979), provocaram uma quinada radical na carreira do diretor, marcando-o comercial e artisticamente como “il maestro” do filme escandaloso.  Insurgindo-se com a crítica italiana que não o perdoou pela “traição” ao cinema experimental, Brass filmou “La Chiave”, inspirando-se num clássico da literatura erótica oriental de Junichirô Tanizaki, desnudando - sem nenhuma cerimônia - a musa “rafaeliana” Stefania Sandrelli. Estimulado pelo estrondoso retorno financeiro deste filme, Brass começa a revelar para o mundo uma série de opulentas estrelas de cinema em outra série de filmes bem sucedidos comercialmente: Serena Grandi, em “Miranda”, Francesca Dellera, em “Capriccio”, Raffaella Baracchi, em "Snack Bar Budapest", Deborah Caprioglio, em “Paprika”, Claudia Koll, em “All Ladies Do It”, Katarina Vasilissa e Cristina Garavaglia, em "L´Uomo Chi Guarda", Anna Ammirati, em "Monella", e Yuliya Mayarchuk, que ele descobriu trabalhando como garçonete num bar de Budapeste e transformou na protagonista assanhada do filme "Transgredire". As vestais de saliências e consoles generosos, os cortes abruptos, a zoom sapeca e a mania obsessiva do contra-plongée a dois palmos do traseiro de suas protagonistas, impuseram o estilo sáfico do ogre Tinto Brass. As feministas detestam, mas todos os heteros e cultores da abundância adoram.

OPINIÕES

 Aílton Monteiro (Diário de um Cinéfilo) – “Tinto Brass é talvez o único cineasta da atualidade que faz cinema erótico - e com praticamente um pé na pornografia - que trafega com respeitabilidade dentro do circuito dos filmes de arte. PAPRIKA (1991) é Tinto Brass em grande forma. O filme mergulha no submundo dos antigos bordéis italianos, antes deles serem fechados pelo governo. Quem viu ROMA, de Fellini, tem uma idéia de como eram esses lugares. Mas Tinto Brass vai mais a fundo, ao contar a história de Paprika, nome de guerra de uma jovem de 18 anos que pretende passar apenas duas semanas trabalhando de prostituta num bordel para conseguir dinheiro para ajudar o necessitado noivo. Por uma série de eventos, as duas semanas se prolongam bem mais do que ela esperava. Ao chegar no bordel, ela é encaminhada ao médico, para que seja verificado se ela tem alguma doença venérea. Ela gosta tanto do toque do médico que quer logo que ele seja o seu primeiro cliente. Também não faltam experiências com o mesmo sexo para Paprika. Brass faz um verdadeiro elogio aos bordéis e suas prostitutas nesse filme. Sem moralismos. Até os padres freqüentam os tais lugares. A seqüência que mostra Paprika indo a um médico clandestino para fazer um aborto - o médico é o próprio Tinto Brass, com cara de safado e fazendo questão de pegar nos peitos da paciente -, é seguida de uma cena de pura felicidade. Não há lugar para a culpa cristã em PAPRIKA. Debora Caprioglio, a Paprika, era namorada de Klaus Kinski. Diz a lenda que Brass estava procurando uma intérprete ideal para o seu novo filme, quando viu Debora assistindo a uma partida de tênis e teve certeza que era ela a Paprika. Conseguiu o telefone da casa da moça e quando a mãe dela soube que a filha iria ser convidada para trabalhar com o mestre do erotismo, em vez de proibir, ficou felicíssima. PAPRIKA foi realizado na virada dos anos 80 para os 90, época em que a AIDS era uma doença ainda mais mórbida do que é nos dias de hoje. Por isso, há em todo o filme um clima de saudosismo, a começar pelos créditos de abertura, com uma bela música reaproveitada de A CHAVE, um dos mais celebrados filmes de Brass. O diretor dá a entender que eram mais felizes aqueles que viveram nos tempos dos bordéis, um tempo em que era possível curtir os prazeres da vida sexual sem uma preocupação maior.”

Spawn (Radikalboard) – “Tinto Brass es el director más venerado en el género erótico, sus películas son siempre un espectáculo para la vista porque siempre busca la sensualidad más abrumadora, las curvas más peligrosas y las mujeres más rutilantemente deliciosas del elenco de actrices italianas, conocidas o no, que da la buena tierra italiana.

Los Burdeles de Páprika es una película homenaje a unas mujeres maltratadas socialmente pero amadas en secreto por esa misma sociedad hipócrita, las prostitutas. El guión lo escribió el propio director basándose en sus propias experiencias, y encontró en la voluptuosidad de una actriz de 20 años totalmente desconocida la exhuberancia que quería para su Páprika, una prostituta con cara de inocente pero tan picante como el famoso condimento húngaro. La historia es sencilla pero encantadora, una chica de 18 años, de pueblo, enamorada hasta la médula de su novio, un electricista demasiado listillo que quiere dinero fácil, se mete provisionalmente en un prostíbulo en secreto para conseguir el dinero que su novio necesita. Aquí dentro encontrará su verdadera vocación y dejará boquiabiertos a todos los hombres y mujeres que la conocen por su entrega a la profesión.

Páprika comienza una aventura en busca de la autodeterminación y luchando por escapar del mundo de la prostitución en el que cae una y otra vez movida por sus ansias de sexo y por amor a hombres que solamente quieren su dinero y su estupendo cuerpo. Tinto Bras es generoso mostrándonos las redondéces de esta gloriosa joven italiana, diosa del celuloide erótico y deleite a los ojos. Las escenas de sexo son más cómicas que otra cosa pero efectivas, Bras consigue mediante el esperpento y la exageración provocar la mayor de las excitaciones en el espectador (en mí lo consiguió), siendo esta cinta de culto cita obligada para todo el amante del buen cine erótico. Es tal la magia de esta película que ahora me doy cuenta que ha marcado la manera de mostrar los prostíbulos de lujo en el cine, y es que la gracia y la sensualidad de este director italiano crea escuela.”

Andres Rais (IMDB) – “The plot is very simple. In late '50s a young lady starts working as a prostitute in a brothel in order to help his boyfriend. She thinks that is the easiest way to make money. I do agree. Mr. Tinto Brass centered the view in Debora Caprioglio, who plays the roll of Paprika. Hell, she is very hot, sensual... but as nothing is perfect in her life she will go from one place to another and this is a kind of repetitive. She is filmed from every angle you can imagine. You can imagine that with the view centered on Caprioglio the other ladies are not seen in plenitude. Doesn't matter Caprioglio is the hottest woman in the movie and is a well chosen actress for the leading actress. Her performance is very good. Finally I would like to say that this movie is far from pornography.”

 

DEPOIMENTO DO DIRETOR

 “Como si se tratase de uno de los más libertinos romances, he seguido a Páprika de un prostíbulo a otro, una joven tan inocente y, al mismo tiempo, tan sumamente perversa. Todo esto ha hecho de Páprika una apoteosis de los cinco sentidos, resumidos por encima de los demás en uno sólo: la vista. Es bien sabido que tratándose de erotismo la única perversión condenable es... la castidad. Decía Dino Buzzati que ‘la clausura de los prostíbulos fue una pérdida para la humanidad semejante al incendio de la Biblioteca de Alejandría: un inmenso compendio de civilización erótica destruido para siempre’. Con Páprika he vuelto a abrir ‘aquellas casas’...” Tinto Brass, Diretor.


 

Postado em 11/06/2005

 

AS IMAGENS EXCLUSIVAS DO 15o. CINE CEARÁ

 

O sol de Fortaleza.

 

Visão do paraíso.

 

A sede 2005 do festival.

 

 O cenário dos meus sonhos e pesadelos. Na quinta-feira, 09 de junho, dia da premiação, eu acordei às 6 horas da manhã e fui caminhar por esta orla fantástica. No meio de uma praça eu tive uma crise de labirintite. O cenário ficou rodando nos meus olhos por quase oito minutos e fiz um esforço descomunal para não vomitar. Havia uma guarita da Guarda local e eu fui obrigado a me abraçar num poste. Não há nada no mundo mais terrível do que se descobrir impotente às reações incontroláveis do corpo ou organismo. Tenho certeza que dei a impressão de estar completamente bêbado. Consegui voltar ao hotel e coloquei meu estômago inteiro para fora. Conto tudo isso porque passei a tarde inteira numa imensa depressão. À noite, ao subir ao palco para receber os prêmios dos meus queridos amigos Werner e Betty, veio a catarse. Dei uma de presidente e por pouco não irrompi num choro convulso. Peço desculpas aos amigos pelo mico.

 

 Werner Schünemann em frente ao já histórico Cine São Luiz, no centro de Fortaleza.

Website de Werner:

http://www.wernerschunemann.com/

 

 Werner e Reichenbach, antes da projeção de BENS CONFISCADOS.

 

 Meu primeiro encontro com o amigo virtual Aílton Monteiro, do premiado blog DIÁRIO DE UM CINÉFILO.

http://cinediario.blogspot.com/

 

 Colóquio siteblogueiro. Aílton Monteiro acompanhado de Ana Bárbara (BIRILO) e Maíra Suspiro (site CINEMA COM RAPADURA).

http://www.cinemacomrapadura.com.br/

http://www.birilo.blogger.com.br/

 

 O 15o. Cine Ceará homenageou Rosemberg Cariri, que aparece no centro da foto ladeado por um amigo e o diretor do festival, Wolney Oliveira.

 

 A jornalista e pesquisadora Maria do Rosário Caetano autografa o seu livro "CANGAÇO, O NORDESTERN NO CINEMA BRASILEIRO".

 

 Rosário e a jornalista Vera Ferreira (neta de Maria Bonita e Lampião) autografam o livro para Luiz Alberto Zakir.

 

 A grande atriz paraibana Marcelia Cartacho e o cineasta Wolney Oliveira, diretor do CINE CEARÁ, durante uma peixada "de respeito" oferecida aos participantes.

 

 Marcelia Cartaxo, Fernando Adolfo (diretor do Festival de Brasília) e Claudio Assis ("Amarelo Manga"), muito bem acompanhado.

 

 A deslumbrante Dira Paes, a "senhora cinema brasileiro", e suas tietes cearenses.

 

 Ivan Cardoso, "a marca da invenção", mostrou em primeira mão seu filme mais dissoluto, estimulante e deflagrador: A MARCA DO TERRIR. Um inventário sincero, contracultural, corsário e anticareta, mas sempre inocente e nunca hipócrita do próprio rito de passagem. Pivetes se masturbam em frente ao Forte da Urca, a namorada de adolescência faz cunnilingus na amiga mais próxima, o poeta Torquato Neto cai de boca no pescoço de suas tietes, o conteudismo é imolado em praça pública, Paulo Vilaça solta a franga no Sururu Catiripapo, chuva de brotos em pleno infernálio fluminense, um intelectual corta o prepúcio com uma tesoura cega, a sina do judeu.  Cardoso antecipa em dez anos (a maior parte das imagens foram rodadas em Super-8, no início da década de 70) a rebelião estética e os propósitos do "Cinema de Transgressão", de Nick Zedd e Richard Kern. A MARCA DO TERRIR é o cinema do espanto, do desconforto e da poesia áspera. Deveria ter ganho o prêmio de melhor filme exibido no evento.

 

 Ivan mimetiza o ídolo José Mojica Marins no cine São Luiz. Vamos aguardar ansiosos a estréia de AMAZÔNIA MISTERIOSA.

 

 Nelson Hoineff mostrou seu longa metragem, o documentário O HOMEM PODE VOAR, no encerramento do Cine Ceará. Esteve acompanhado do ator e narrador Roberto Maia, de seu roteirista Henrique Lins de Barros e do sensacional músico David Tygel (que compôs e arranjou uma das trilhas musicais mais singelas e saborosas do cinema brasileiro atual). Didático sim, mas nunca aborrecido ou trivial, o documentário fez o editor do REDUTO grudar os olhos na tela por todos os seus noventa e poucos minutos. As imagens exclusivas do último vôo de Santos Dumont são de uma beleza única e arrebatadora. O filme deveria terminar com estas cenas deslumbrantes: o público que lotou o cine São Luiz na noite da premiação, ao aplaudi-las entusiasticamente, corroborou esta opinião.

 

 Recebendo o Troféu Samburá (o prêmio mais "robusto" ganho até hoje pela Dezenove Som e Imagens), atribuído pela Fundação Demócrito Rocha e o jornal O Povo, do Ceará, ao filme BENS CONFISCADOS, como melhor longa metragem exibido durante o evento. O filme foi escolhido por unanimidade por um júri formado pelo cineasta Nirton Venâncio, o crítico Wilson Balthazar e o jornalista e crítico Frederico Fontenele Farias (que aparece na foto entregando o troféu). A justificativa do prêmio: "Pela contribuição exponencial de diretor Carlos Reichenbach ao cinema nacional e pelo tema escolhido, num roteiro que está inspirado em crises recentes da república, e nas entrelinhas a que se refere a película àqueles que, apesar de há 20 anos ter voltado a raiar a liberdade no horizonte do Brasil, nem puderam da Pátria, filhos, nem viram contente a Mãe gentil.".

 A foto foi "socializada" do site CINEMA COM RAPADURA:

http://www.cinemacomrapadura.com.br/cineceara/

 

 Dira Paes, Aílton Monteiro e Reichenbach, na frente do Cine São Luiz, com os prêmios oficiais do filme BENS CONFISCADOS.

 

Postado em 20/05/2005 e 03/06/2005

ABERTURA DA RETROSPECTIVA REICHENBACH NO CCBB SÃO PAULO

Fotos de VEBIS JUNIOR

 Marcelo Lyra, curador da mostra, apresenta Carlos Reichenbach e Eder Mazini, respectivamente o diretor/roteirista/diretor de fotografia e o produtor/montador de AMOR, PALAVRA PROSTITUTA.

 Flagrante da platéia do CCBB/São Paulo, durante a apresentação da retrospectiva. Compenetrados, Francis Vogner e Guilherme Martins.

 Após a projeção do filme, cineastas, críticos, jornalistas e cinéfilos se reuniram para a "confraternização azteca" organizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, Francisco Cesar Filho e Marcelo Lyra.

 Jacob Solitrenick reuniu-se com os organizadores do evento PENSAMENTOS INSTIGANTE - FILOSOFIA E ARTE. Ivany e Cláudio Bergamo foram prestigiar a abertura da Retrospectiva Reichenbach.

 Marcaram presença Antonio Leão da Silva Neto (Dicionário de Filmes Brasileiros) e Archimedes Lombardi, do Clube dos Colecionadores de Filmes em 16 Milímetros.

 Outros pesquisadores renitentes estiveram presentes ao evento, Remier Lion e Alessandro Gamo. O sinal de Lion não condiz muito com a pertinência e a seriedade de seu trabalho de propecção.

 Paulo Sacramento encontra Cleber Eduardo e Paulo Santos Lima.

 Flavia Rea e Daniela Carneiro encontram o "garoto do ABC" Vébis Junior, fotógrafo oficial do Reduto e mentor do blog Fotograma Experimental.

 A Xanadú Produções Cinematográficas (As Libertinas e Audácia!) se reencontra, após quarenta anos. As libertinas e o pornógrafo em pleno amor, esta palavra prostituta. Na foto: João Callegaro e Carlos Reichenbach.

 Meia Casa de Imagens (Andréa Tonacci e Reichenbach) voltou a se reunir na festa dos quarenta, após 15 anos. Cristina Amaral observa o reencontro. Tonacci, fecha os olhos, e pensa: "Agora, nunca mais". Reichenbach retruca: "Ninguém é de Ninguém". Os dois filmes (e diretores) continuam no prelo.

 O CCBB, Francisco Cesar Filho e Marcelo Lyra produziram um ótimo "boas vindas" aos convidados da sessão "quase" inaugural de AMOR, PALAVRA PROSTITUTA. Depois da miséria existencial e nativa na tela, a fartura mexicana nas mesas. Faltou só os "mariachis". Ou não ?

 Carol e Daniel Chaia (roteirista de BENS CONFISCADOS) fizeram questão de experimentar a quacamole e a deliciosa polenta com carne moída que foi servida com um honesto vinho tinto.

 Francis Vogner (Cinimperfeito) mandou bem. Vebis Junior (nosso eterno "Capitão de Fragata") fez questão de pousar ao lado de José Eduardo Belmonte (Subterrâneos), que está em São Paulo concluindo a edição sonora de seu novo longa metragem.

Mantido em 10/05/2005

MOSTRA REICHENBACH CCBB - São Paulo

 Esta é a programação completa da mostra DIRETORES BRASILEIROS: CARLOS REICHENBACH, que é promovida de 17 a 29 de maio no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.
 O evento promove a primeira exibição pública de uma versão integral de "Amor, Palavra Prostituta", longa-metragem que aborda o aborto e que foi mutilado pela censura à época de seu lançamento (1980).
 Entre os títulos pouco conhecidos da programação destaca-se "Corrida Em Busca do Amor" (1972), considerado perdido pelo diretor e resgatado pela Associação Brasileira de Colecionadores de Filmes em 16 mm. O filme é o primeiro longa-metragem dirigido por Reichenbach, que anteriormente havia assinado três episódios de longas. A cópia foi localizada em dezembro último pelo pesquisador Archimedes Lombardi, presidente da Associação, e adquirida por R$ 80,00. É provavelmente a única cópia do filme.
 Destaque também para "As Libertinas", 1968, primeiro longa em episódios dirigido por Reichenbach, que estava desaparecido, mas foi localizado por João Callegaro, diretor de um dos episódios.
 Também foi restaurada a cópia de "Extremos do Prazer". A única cópia disponível anteriormente tinha cortes e estava em péssimo estado.
 Na sessão de sábado, 21/05, às 15h00, outra raridade. Será exibida uma versão "redux" de "Garotas do ABC". Trata-se da uma versão original do longa, com 30 minutos a mais daquela exibida comercialmente em 2004, que teve sua duração cortada por questão contratual com os exibidores. Essa será a única exibição, já que essa versão não será lançada em vídeo ou dvd.
 No dia 19/05, quinta-feira, às 20h00, acontece um debate reunindo Reichenbach, Lyra e o crítico Inácio Araújo.


16 de maio (segunda-feira) - SOMENTE PARA CONVIDADOS
20h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão completa inédita

17 de maio (terça-feira)
18h00 - O IMPÉRIO DO DESEJO - Carlos Reichenbach (105 min, 1980)
20h00 - CORRIDA EM BUSCA DO AMOR - Carlos Reichenbach (92 min, 1971)

19 de maio (quinta-feira)
18h00 - DOIS CÓRREGOS - Carlos Reichenbach (112 min, 1999)
20h00 - DEBATE - com Carlos Reichenbach, Inácio Araújo e Marcelo Lyra

20 de maio (sexta-feira)
18h00 - FILME DEMÊNCIA - Carlos Reichenbach (90 min, 1986)
20h00 - EXTREMOS DO PRAZER - Carlos Reichenbach (92 min, 1983)

21 de maio (sábado)
15h00 - GAROTAS DO ABC (versão redux) - Carlos Reichenbach (155 min, 35mm, 2004) versão inédita
18h00 - ESTA RUA TÃO AUGUSTA - Carlos Reichenbach (8 min, 1966)
SANGUE CORSÁRIO - Carlos Reichenbach (10 min, 1979)
SONHOS DE VIDA - Carlos Reichenbach (10 min, 1979)
DESORDEM EM PROGRESSO - Carlos Reichenbach (20 min, 1989)
OLHAR E SENSAÇÃO - Carlos Reichenbach (10 min, 1994)
EQUILÍBRIO E GRAÇA - Carlos Reichenbach (10 min, 2002)
20h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão completa inédita

22 de maio (domingo)
18h00 - BENS CONFISCADOS - Carlos Reichenbach (110 min, 2005) - pré-estréia
20h00 - O IMPÉRIO DO DESEJO - Carlos Reichenbach (105 min, 1980)

25 de maio (quarta-feira)
18h00 - ALMA CORSÁRIA - Carlos Reichenbach (116 min, 1994)
20h00 - CORRIDA EM BUSCA DO AMOR - Carlos Reichenbach (92 min, 1971)

26 de maio (quinta-feira)
18h00 - LILIAM M, RELATÓRIO CONFIDENCIAL - Carlos Reichenbach (90 min, 1975)
20h00 - GAROTAS DO ABC - Carlos Reichenbach (125 min, cor, 35mm, 2004)

27 de maio (sexta-feira)
18h00 - O PARAÍSO PROIBIDO - Carlos Reichenbach (95 min, 1981)
20h00 - AS LIBERTINAS - Carlos Reichenbach, Antônio Lima e João Callegaro (90 min, 1968)

28 de maio (sábado)
18h00 - AMOR, PALAVRA PROSTITUTA - Carlos Reichenbach (92 min, 1980) versão completa inédita
20h00 - EXTREMOS DO PRAZER - Carlos Reichenbach (92min, 1983)

29 de maio (domingo)
18h00 - ALMA CORSÁRIA - Carlos Reichenbach (116 min, 1994)
20h00 - A BADALADÍSSIMA DOS TRÓPICOS X OS PICARETAS DO SEXO - Carlos Reichenbach (42 min, 1969)


Postado em 25/05/2005

SESSÃO DUPLA DO COMODORO - dia 01 de junho de 2005  

  A Sessão Dupla do Comodoro, do dia 01 de junho, irá mostrar dois filmes inéditos nos cinemas brasileiros: “Sessão Espírita”, de Kiyoshi Kurosawa, um dos mais incensados diretores do moderno cinema nipônico, e o premiadíssimo “Dias Contados”, de Imanol Uribe.

 As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão à disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.

 SESSÃO ESPÍRITA (2000)

(Kourei, aka Seance)

de Kiyoshi Kurosawa

Japão, 118 min

em japonês, com legendas em inglês

roteiro - Kiyoshi Kurosawa eTetsuya Onishi

história original - Mark McShane

produtores - Takehiko Tanaka e Yasuyuki Uemura

música original - Gary Ashiya   

fotografia - Takahide Shibanushi    

montagem - Junichi Kikuchi   

elenco

Kôji Yakusho, Jun Fubuki, Tsuyoshi Kusanagi e Hikari Ishida.

 

SINOPSE

 Um casal vive uma vida tranqüila e modesta. Koji é um técnico de efeitos sonoros e sua esposa Junko, uma sensitiva, que atende consultas espirituais esporadicamente. Um jovem policial, que estuda psicologia, tenta convencer Junko ajudar a polícia em algumas de suas investigações.Koji está captando ruídos em uma floresta quando,Yoko, uma menina que está fugindo de um seqüestrador, tranca-se acidentalmente em sua caixa do equipamento. Koji, sem saber o que aconteceu, transporta Yoko até a sua casa, e a caixa é deixada na garagem por alguns dias. A polícia pede para Junko ajudá-los a encontrar a menina seqüestrada. Junko acaba encontrando a menina inconsciente dentro da caixa de equipamento na garagem. Temendo que os polícias não acreditem na coincidência e nem em suas habilidades psíquicas, Junko imagina um plano para que a menina seja encontrada pela polícia numa construção em ruínas. O problema é que a menina acorda e ao ver Junko, se assusta. A partir daí, a tragédia se instaura na monótona vida do casal.

 

COMENTÁRIO

 O uso da metáfora e da alegoria no horror não é nenhuma novidade, mas no caso de Kiyoshi Kurosawa, a sua inserção em meio à banalidade do cotidiano tange a transgressão. As linhas violentas do horror são traçadas por Kuroawa com profunda análise social, e a audiência é conduzida a um passeio sombrio e angustiante ao extremo que evidencia gradativa e lentamente as implicações "políticas" de suas histórias.

 Produzido por um canal de televisão, SESSÃO ESPÍRITA é baseado na novela "Séance", de McShane. A forma límpida de filmar de Kurosawa transforma um pequeno e eficiente plot policial, num calvário agônico quase insuportável rumo ao abismo. Os filmes de Kiyoshi Kurosawa inovam o cinema de gênero que transita entre o suspense, o mistério e o horror. Para vários especialistas, o diretor foi o maior sopro de originalidade que aconteceu no cinema japones dos últimos anos.

 "Vampires drink blood. Zombies eat flesh. My ghosts are very Japanese...they don't do anything." - Kiyoshi Kurosawa 

PRÊMIOS

Cannes Film Festival

2001 - FIPRESCI Prize Un Certain Regard

Fant-Asia Film Festival

2001  Won Critic's Prize

 

OPINIÕES

IMDB

“Beautiful reflection on death, and how we fill our lives waiting for it. This movie should not be seen as a straightforward ghost movie, nor as a basic series of set-ups, struggles and resolutions. It is a gripping movie, masterfully shot, bleak in its vision yet assembled with an inspiring meticulousness.”

MOVIE GEEK

“Movies like that can sometimes be a lot of fun, but they're rightly called schlock; Kurosawa is working on another level entirely. Now that he's being noticed here in the West, I'll definitely be paying attention to his work.”

MOVIEFORUM

http://www.movieforum.com/features/festivals/tiff00/reviews/seance.shtml

“Imagery aside, "Seance" remains most compelling with its interior, domestic drama worthy of comparison to vintage Polanski. Is the psychic the real deal, or a charlatan? Does her concocting a kidnapping hoax for publicity negate her paranormal abilities? Are the husband's spiritual recordings just garbles, interpreted as something darker by his need to believe in his wife (at first, he seems to tolerate his wife's spiritist assemblies like he would a weekly bridge club) and absolve himself of his own guilt in participating in the hoax? The understated performances of Koji Yakusho (returning from "Cure") and Jun Fubuki render their characters sympathetic to the end...we become caught up in the couple's scam-gone-awry, hoping they'll undo the damage even as their actions become exponentially more desperate and grisly. Far from an ambiguous cop out, the film's gruesome climax will leave you satisfied and shaken but arguing with friends for days. What more can you ask of a movie, other than we get a chance to see it beyond a repertory house one-off or convention bootleg?” Robert L

23.30 horas

DIAS CONTADOS (1994)

de Imanol Uribe

Espanha, 105 minutos

falado em espanhol, com legendas em inglês

Diretor -  IMANOL URIBE

Roteiro -  IMANOL URIBE (adaptado de uma novela de Juan Madrid)

Diretor de fotografía: JAVIER AGUIRRESAROBE

Música: JOSÉ NIETO

Montadora: TERESA FONT

ELENCO

Antonio: CARMELO GÓMEZ

Lisardo: JAVIER BARDEM

Rafa: KARRA ELEJALDE

Charo: RUTH GABRIEL

Vanesa: CANDELA PEÑA

Ugarte: PEPÓN NIETO

Lourdes: ELVIRA MÍNGUEZ

Carlos: JOSEBA APAOLAZA

Portugués: CHACHO CARRERAS

Alfredo: PEDRO CASABLANC

RESUMO

 Militante basco se envolve, afetiva e sexualmente, com uma adolescente "junkie", seus amigos drogados e policiais truculentos, colocando toda uma violenta ação terrorista em risco.

PRÊMIOS

"Concha de Oro" de Melhor Filme e Melhor Ator (Javier Bardem) no Festival de San Sebastián (1994)

Premio Goya 1995 (o Oscar espanhol) de Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Principal (Carmelo Gómez), Melhor Atriz Revelação (Ruth Gabriel),  Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem - primeiro Goya de sua carreira), Melhor Atriz Coadjuvante (Candela Peña), Melhor Montagem e Melhor Efeitos Especiais.

SOBRE IMANOL URIBE

 Imanol Uribe nasceu em 28 de Fevereiro de 1950, em San Salvador, El Salvador. Filho de pais espanhóis, apesar de ter nascido na América Latina, foi educado na Espanha, onde depois de estudar jornalismo vem a formar-se em 1974 no curso de direção na Escola Oficial de Cinematografia. Um ano depois funda a produtora Zeppo Films. As suas primeiras obras chamam desde logo a atenção ao demonstrarem o seu interesse por um cinema sóciopolítico: É o caso de "El Processo de Burgos", um controverso documentário realizado com poucos meios, apoiado em extensas entrevistas a antigos membros da ETA condenados à morte no tristemente famoso processo de 1970, no final da ditadura do General Franco. Outro exemplo é "La Fuga de Segovia", onde narra a fuga da prisão de Segóvia de trinta membros da ETA; ou, ainda, o grande êxito "La Muerte de Mikel", onde analisa a última etapa da vida de Mikael, um homossexual de uma pequena localidade basca, morto em estranhas circunstâncias. Depois de criar sucessivamente as produtoras Cobra Films e Aiete Films, muda em 1986 de registro e dirige "Adios Pequeña", a adaptação de uma obra de Andreu Martin sobre as relações sentimentais entre uma advogada e um traficante de drogas. Seguiram-se a história de terror "La Luna Negra" e  "El Rey Pasmado", baseado em "Crónica del Rey Pasmado" de Ballester. Em 1994 é largamente contemplado nos "Prémios Goya", assim como no Festival de San Sebastian onde conquista a Concha de Ouro com "Dias Contados", uma turbulenta história de amor entre um membro da ETA e uma toxicodependente. No ano seguinte roda "Bwana", uma análise ao racismo, conquistando novamente a Concha de Ouro em San Sebastian. Seguiram-se os policiais "Extraños" e "Plenilunium" e em 2002 "A Viagem de Carol", uma película intimista onde Uribe visita a infância durante o período da Guerra Civil Espanhola.

COMENTÁRIO

 Angustiante, atmosférica e excitante história do envolvimento quase impossível entre um ativista do ETA e uma jovem prostituta viciada em heroína. Imanol Uribe conduz o filme com um domínio absoluto da linguagem cinematográfica e sem firulas modernizantes. Por trás de sua simplicidade aparente vislumbra-se, aos poucos, uma rara sofisticação. DIAS CONTADOS impregna a memória do espectador por muito tempo, graças a belíssima luz saturada, o esquisito encanto de sua atriz central, a angústia de seus protagonistas, a atualidade de seu tema, a sensualidade e ousadia de suas cenas de sexo e o achado deflagrador e niilista de seu desfecho. Esta é mais uma "gema" do moderno cinema espanhol nunca lançada comercialmente nos cinemas brasileiros.

 

A atriz Ruth Gabriel

OPINIÕES

"Thriller pasional, hiperrealista y desaforado que de un golpe descubre lo mejor del panorama interpretativo español" (Luis Martínez: Diario El País)

"Imanol Uribe created quite a stir when he debuted this film at the San Sebastian Film Festival, which is held in the Basque country of Spain, for this film deals with the ETA, a Basque terrorist organization responsible for many acts of violence throughout Spain. Winning several Goya awards including best actor, best new actress, best film, best supporting actor, and best director, the film traces the gradual disillusionment of Antonio with his mission and his life, spurred on by his increasing involvement with Charo, a prostitute and junkie. Javier Bardem does a wonderful turn as a junkie/dealer/pimp. The film is a gritty and realistic approach to the subject matter."

"Good film. I predict you'll like this film, with the added benefit of plenty of steamy sex and nudity, but if you're like me, you will have a difficult time forcing yourself to forget that he is a terrorist."

"Imanol Uribe's Dias Contados recieved widespread critical aclaim for its compassionate but unsentimental, multi-layed analysis of the tumultuous relationship between a Basque terrorist assigned to bomb a Madrid police station and the neighboring prostitute with whom he falls in love." - Sandra Brennan


Postado em 10/05/2005

CONFERINDO KING HU e KLAUS KINSKI

Fotos de VÉBIS JUNIOR


Postado em 24/04/2005

SESSÃO DUPLA DO COMODORO – 04 de maio de 2005

 A Sessão Dupla do Comodoro de maio vai exibir dois filmes inéditos no Brasil: CHUVA DE LUZ NA MONTANHA VAZIA (Raining in the Mountain), a obra prima do falecido  King Hu, considerado o maior diretor de cinema de Hong Kong, e PAGANINI (idem), o único filme de longa metragem escrito e dirigido pelo exuberante e demencial ator Klaus Kinski.

  As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão a disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.

 CHUVA DE LUZ NA MONTANHA VAZIA

(aka Raining in the Mountain, aka Pluie de Lumière dans la Montagne Vide, aka Kong shan ling yu)

Taiwan - Hong Kong - 1979

115 minutos - colorido

falado em mandarim, com legendas em inglês

diretor - KING HU

roteiro e montagem – KING HU

fotografia - Henry Chan

Musica - Ng Tai-Kong

elenco - Feng Hsu, Yueh Sun, Shih Chun e Feng Tien

 

Resumo

 Na China da dinastia Ming, o superior de um monastério budista precisa escolher um sucessor. Entre os dignitários convidados a assistir a escolha do novo abade, alguns cobiçam ardentemente o inestimável pergaminho protegido pelo Templo. Mentiras, traições, tentativas de vôo e assassinatos vão acompanhar as cerimônias de entronização.

 

Comentário

 Ppr seu extremo rigor fílmico, King Hu é constantemente comparado a Sergio Leone. Sua influência foi marcante nos filmes orientais de artes marciais, notadamente em diretores como John Woo, Tsui Hark, e mais recentemente, no Zhang Yimou de “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”.

 King Hu (1931-1997), nome artístico de Wu Kam-Chen, nasceu em Beijing, China. Começou apresentando programas de rádio e editando livros budistas. Era militante de esquerda, quando estudou na Escola de Arte de Beijing, e resolveu concluir seus estudos em Hong-King. Inicou sua atividade no cinema como “set-designer” e foi trabalhar com os irmãos Shaw. Atuou e escreveu em mais de dez filmes e quando resolveu estrear na direção mudou de nome. No total, King Hu realizou 16 filmes como diretor.

 No ocidente, King Hu foi consagrado com o  filme “The Touch of Zen”, que ganhou o “prêmio da Comissão Técnica Superior” no Festival de Cannes, em 1975.

 Nos últimos anos de vida, Hu mudou-se para Los Angeles, onde lecionou direção de cinema na universidade.

 “Raining in the Mountain” foi rodado quase que simultaneamente a “Legend of the Mountain”, na Coréia, e estes dois filmes são considerados as suas obras-primas. Ambos tratam do mesmo tema, a ambição pelo poder e os impulsos humanos, mas com dois pontos de vista diferentes. Cada película é o espelho da outra, onde o relacionamento com o sutra é invertido totalmente, e levam a uma mesma conclusão.

 King Hu explicou certa vez que extrai mais as suas inspirações da literatura, da pintura e da ópera do que propriamente do cinema. Essa é a diferença essencial entre ele e os seus contemporâneos.

 Para suas duas obras primas, Hu escolheu o formato do cinemascope visando integrar verticalmente elementos como cachoeiras, montanhas, árvores e os raios de luz entre as folhas. Trabalhando sempre com perspectivas complexas, suas imagens impressionam pela força da sugestão pictórica.

 Embora o potencial imagético seja dominante no cinema de Hu, foi ele quem introduziu o humor nos filmes de ação chineses.  Além do humor, Hu herdou da ópera chinesa, o gosto pela coreografia complexa de corpos humanos arremessados no espaço cênico.

 "Eu considerei sempre as seqüências de ação de meus filmes mais como danças do que como lutas, porque sempre fui interessado na Ópera de Peking, com seus movimentos e seu impacto na ação", confessou o diretor.

 Não seria exagero dizer que “Chuva de Luz na Montanha Vazia” (Raining in the Mountain) é uma das experiências imagéticas mais estimulantes concebidas em toda a história do cinema mundial.

Opiniões

"On ne sait plus si l'on est devant un film de cape et d'épée, un ballet, un policier ou une initiation bouddhique. Mais ce que l'on sait, c'est que Raining in the Mountain est un chef-d'oeuvre."- Télérama

"Film directors come and go, but true masters of the craft are few and far between. Up there with luminaries such as John Ford, Yasujiro Ozu and Jean-Luc Godard is a less well-known figure: King Hu." -- Richard James Havis.

“Au final, Raining in the mountain, est un film parfaitement maîtrisé, superbement filmé, dans un environnement unique, qui nous délivre son puissant message philosophique avec beaucoup de grâce et d'intelligence. Une oeuvre fascinante donc, que je vous conseille vivement si vous voulez connaître ce que Taiwan a pu produire et filmer de meilleur.”  (CASAPLUM)

PAGANINI

(aka KINSKI PAGANINI)

Itália - França - 1989

82 minutos (versão para os cinemas) - colorido

falado em inglês, sem legendas (a maior parte dos diálogos são falados em off e não possuem nenhuma importância para o entendimento do filme)

- observação: serão exibidos trechos do "making-off", antes da exibição do filme

diretor - KLAUS KINSKI

produtor - Augusto Caminito

produtor executivo - Carlo Alberto Alfieri

roteiro - Klaus Kinski

música - Niccolò Paganini   

fotografia - Pier Luigi Santi    

montagem (original - não aprovada pelo produtor) Klaus Kinski

elenco - Klaus Kinski, Debora Caprioglio, Nikolai Kinski, Dalila di Lazaro, Eva Grimaldi, Bernard Blier e Marcel Marceau

 

Resumo

 Leitura pessoal e experimental da vida de Niccolo Paganini, que foi chamado de “o violinista do diabo” pela igreja católica, que o perseguiu obstinadamente. Desvairado, libertino e libertário, Paganini envolveu-se afetiva e sexualmente com várias mulheres da sociedade do século 18, incluindo algumas menores de idade. No final da vida, dedicou-se obsessivamente ao seu filho Achille e a extrair timbres sobre humanos de seu violino.

Comentário

 Durante muitos anos, Kinski sonhou personificar Paganini, com quem acreditava ter inúmeros pontos de contacto. O produtor Augusto Caminito (“Forever”, de Walter Hugo Khouri), com quem havia filmado “Nosferatu a Venezia”, aceitou o desafio de produzi-lo e logo se arrependeu quando assistiu aos primeiros copiões enviados pelo laboratório. Eram mais de trinta minutos de cenas abstratas (muitas vezes filmadas pelo próprio Kinski com a câmera na mão, correndo pelo cenário ou se agitando em cima de uma cama) e uma profusão de detalhes quase ginecológicos de sua mulher na época, a bela Débora Caprioglio. Quando o filme foi mostrado ao diretor Gilles Jacob, do Festival de Cannes, em sua versão editada pelo próprio Kinski, o júri de seleção o considerou pornográfico e um acinte ao gênio de Paganini. Kinski ficou possesso e o produtor Caminito resolveu remontar o filme longe do diretor. Foi esta versão mais comportada que chegou aos cinemas. Mesmo assim, o filme continuou mantendo sua principal qualidade,  a ousadia formal. “Paganini”, o filme, é um poema musical, um solo de improviso, um mergulho imagético e sonoro no êxtase e no frenesi das experiências extremas. Trabalhando com atores de várias nacionalidades, o diretor optou pelos diálogos em off, que não possuem muita (ou nenhuma) importância para o entendimento do filme.

 Kinski, assim como Paganini, sempre viveu nas extremidades da sanidade física e mental.  Para o ator-diretor, Paganini era “um diabólico vampiro com um violino”, que incendiava a audiência com sua música e personalidade irresistíveis. Obviamente, o desvairado Kinski jamais faria um biografia burocrática do demoníaco virtuoso. Sua leitura anticonvencional da vida de Paganini, construída de fragmentos autênticos e históricos, serve-se de alguns episódios de sua vida apenas para mostrar a danação de seu talento único e de suas grandes paixões: o violino, as mulheres e o dinheiro.

Opinões

“Extreme, unleashed, furious, tender, brutal, loving, merciless, hated & beloved”

“Wow! What a fascinating mess!”

Uma ótima matéria (em inglês) sobre Klaus Kinski e o filme PAGANINI em:

http://www.nitrateonline.com/1999/fpaganini.html


Postado em 22/04/2005

SOUVENIRS DE RECIFE E CHICAGO

 Vista do quarto de hotel. Recife é linda demais.

 Betty Faria, Marcelo Lyra e Maria Altberg, na sala de recepção do Festival de Pernambuco.

 Antonio Pitanga e Carlos Reichenbach se rencontram no hall do hotel.

 Eduardo Dussek é recebido como um califa pela galera, no hall do Centro de Convenções de Redife, no dia da exibição de BENS CONFISCADOS. Duas ou três fãs mais exaltadas pedem para ele cantar "Nostradamus"; um gaiato prefere "Cobra Venenosa" (que pica, que pica).

 Dussek, Betty e Sara Silveira aguardam o momento de serem chamados ao palco para apresentarem BENS CONFISCADOS para um público de 3.000 espectadores. Dussek levou a platéia ao delírio em todas as seqüências hilárias do húngaro Miklos.

  Betty Faria teve dificuldade para subir ao palco "toureando" os fotógrafos.

 Na noite de encerramento e premiação, vários amigos pernambucanos de Betty vieram ao Recife torcer por ela.

 Mestre Pitanga recebeu uma linda homenagem do Festival, por toda a sua brilhante carreira no cinema. Só isso já valeu pelas decepções relativas aos prêmios de melhor atriz e melhor ator coadjuvante "confiscados".

 A acintosamente moderna Chicago, recebeu bem GAROTAS DO ABC. No final da última exibição do filme, a gerência do cinema foi obrigada a expulsar o público que permaneceu na sala por mais de duas horas querendo debater o filme. Mas o melhor aval veio do notório crítico Jonathan Rosenbaum, do Chicago Reader: "This 2003 Brazilian melodrama in more mainstream than the others I´ve seen by director Carlos Reichenbach (Suburban Angels, Buccaneer Soul and Two Streams), but is visual flair is still very much in evidence."

 Na entrada do Museu de Arte Contemporânea de Chicago, uma curiosa instalação deixava os pedestres ressabiados. Seria esta a arte do novo milênio; quem sobreviver (sem sapato), verá!

 Uma imagem sintagmática da cidade de Chicago. Do outro lado das águas, o Canadá.

 Pamela Diaz de León comanda todos os passos dos convidados do Chicago Latino Film Festival munida apenas de um telefone celular. É impressionante a eficiência desta mexicana radicada em Miami. Neste dia o Comodoro quase foi parar no hospital com a quantidade de "salsa picante" digerida neste formidável restaurante mexicano. Dá-lhe guacamole!

 O incansável Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival, em companhia de Carlos Reichenbach e da linda atriz guatemalteca Andrea Rivera. Pepe Vargas é um entusiasta do cinema latino americano e tem especial apreço pelo cinema brasileiro. Deveria ser - urgentemente - homenageado por algum festival brasileiro. Neste ano o Chicago Latino Film Festival contemplou o cineasta brasileiro Carlos Diegues com o Gloria Award, um troféu belíssimo e valioso, por toda a sua obra fílmica.


Postado em 20/04/2005

O DESABAFO DE MARCO AURÉLIO MARCONDES

O Bonequinho CEGO, SURDO e MUDO, ou, A MALDIÇÃO do Bonequinho, ou ainda, O Bonequinho AMORDAÇADO, ou, Bonequinho, A LOTERIA.

 

Por Marco Aurélio Marcondes (mam1950@terra.com.br) - São Paulo, 15 e 16 de abril de 2005.

 

Estou chamando um caboclo espalha-brasas que vai trabalhar este fim de semana para que o pujante filme de Toni Venturi, com interpretações maravilhosas de Leonardo Medeiros e Débora Duboc, consiga que o público carioca – moços e/ou velhos - aprenda a ver CABRA-CEGA, com suas qualidades e (porque não) defeitos, e triunfe sobre esta maldição.”

 

Creio que não há na mídia mundial nada comparável ao Bonequinho de O GLOBO. Ele é do século passado, creio que do final da década de 40 e nós que trabalhamos com o cinema sabemos que ele pode ser tudo ou nada para determinados filmes.

Algo parecido – nota e/ou avaliação de filmes, dadas pela critica cinematográfica - tentou a Folha e o Estadão (agora o irmão mais novo deste, o JT, tem ao invés de estrelas, saquinhos de pipoca).  A Folha (ou seria o Estadão?) já utilizou carinhas (rindo, chorando, esperneando, etc.). Mas nada comparado à força do Bonequinho.

O JB tem suas estrelinhas e a bola preta, não me lembro de quando datam, ou se tiveram vida intermitente, e elas fazem (ou faziam) certo contraponto.

Alias são estrelas (de 5 a uma) o que utilizam, por exemplo, os críticos do The Guardian de Londres. O New York Times, não as utiliza. As Vejinhas (Rio e SP) tem, assim como hoje a Folha e o Estadão, suas estrelinhas e suas bolinhas.

Algo similar o San Francisco Chronicle tem.

http://sfgate.com/cgibin/article.cgi?f=/c/a/2005/04/01/DDGQ8C0SRR1.DTL&type=movies

 

– não saberia dizer, se é uma cópia do Bonequinho de O GLOBO e de quando data. No jornal da Califórnia há um bonequinho espectador (LITTLE MAN, ou Pequeno Homem, ou Homenzinho, ou Bonequinho mesmo) de terno e chapéu (deve ser antigo, ver acima): pulando (e aplaudindo) na poltrona do cinema, quando gosta muito de um filme, e suas variações: aplaudindo sentado, olhando (com algum interesse) e dormindo (numa boa). Dorme, mas não sai do cinema, simplesmente não vai ( Don't Bother).

 

Não estamos sós neste mundo. Vide a mania de dar notas que no caso norte-americano, chega a extremos, como nos portais de critica onde há a indexação (outra mania deles). Lidas as criticas, saídas em tudo que é meio (e não são nunca menos de 50) a elas são imediatamente atribuídas notas de 10 (excelente) a 1 (muito pobre). 

Vejam – por exemplo os portais que mais consulto : http://www.metacritic.com/ e o http://www.rottentomatoes.com/. Neste último há também a tradução gráfica: tomates frescos (as criticas positivas) e os tomates podres (as negativas).

Lá também, Roger Ebert < http://rogerebert.suntimes.com/apps/pbcs.dll/frontpage > um dos críticos mais importantes da mídia norte-americana (ganhador de um Prêmio Pulitzer, escrevendo há anos para o Chicago Sun-Times), disseminou o Two Thumbs Up e Two Thumbs Down – dois polegares para cima (muito bom) e dois para baixo (uma bomba).

Pois é, não estamos sozinhos no mundo, e a tradição de dar nota aos filmes, ou atribuir notas as criticas feitas aos filmes, é (ao que tudo indica) uma preferência mundial.

 

Ocorre que aqui – dizem os colegas que tenho na imprensa – por conta de fatores não editoriais (papel em dólar, custos industriais, falta de gente nas redações, etc.) há falta de espaço para o exercício da critica, tanto para o cinema como para o teatro, artes plásticas e literatura.

E isto criou (em minha opinião) o BONEQUINHO CEGO, SURDO E MUDO, aquele que não vê, não sabe (em geral) falar e/ou não tem espaço para escrever e que também não ouve. E é bom que se diga que ele não trabalha somente em O GLOBO.

 

Na sua grande tradição (Paulo Emilio, Gustavo Dahl, Pola Vartuck, Rubens Biafora), o Estadão, tem hoje - em geral, com mais espaço - nos seus quadros (Luiz Carlos) Merten o Luiz Zanin (Oricchio). A Folha – sempre com bom texto - Ignácio Araújo, o José Geraldo Couto e o Pedro Butcher. O JB (não estou mais recebendo aqui em São Paulo, a Revista Programa) não sei (muito) como está.

Nas semanais, Isabela Boscov de VEJA e Ana Paula Sousa de CARTA CAPITAL, são as que mais leio e tendo espaço (não importa se a favor ou contra) em geral, trabalham para fazer criticas e não resenhas. Nos demais estados, lembro de pronto que há coisa boa no Zero Hora do POA e no Jornal do Comércio do Recife. Em Belo Horizonte, no Estado de Minas, Marcello (Castilho) Avellar, matém a tradição de Mauricio Gomes Leite.

 

Na web: temos a Super Rosário (Maria do Rosário Caetano), que com seu Almanaque, optou por uma militância explicita de repórter em favor do cinema em geral e do cinema brasileiro e latino-americano em particular.  Temos também o Carlão Reichenbach (que por vezes está na Folha) que mantém afiada e informativa sua página/blog: http://redutodocomodoro.zip.net/ . Tem tb a Expresso Reator  < http://www.reator.org/ >  sangue novo, revista semanal de cultura produzida por estudantes de jornalismo da ECO/UFRJ e da PUC-Rio e o pessoal de BH da ZETA http://www.zetafilmes.com.br/, sempre excelentes textos.

Na web temos ainda a Contra Campo <  http://www.contracampo.com.br > com uma critica (culta) e sempre com bons textos, e a Críticos.com < http://www.criticos.com.br/new/home/home.asp  > também com excelentes textos, em particular os do Carlos Alberto Mattos.

 

Já O GLOBO tem os Bonequinhos. E ai tem – como a rigor tem em tudo que é lugar – alho e bugalho, pouca critica e muita resenha – algumas graciosas e outras um tanto galhofeiras.

 

E deles voltarei a falar mais abaixo, mas antes vou discorrer um pouco do meu lugar de fala.

 

Todos sabem que sou distribuidor e produtor e que tenho interesses (econômicos) em jogo, que batalho (muitas vezes romanticamente) pelos filmes que distribuo, inclusive na divulgação dos mesmos. Mas duvido que em mais de 30 anos nesta labuta, alguém possa dizer que pedi, explicitamente ou não, direta ou indiretamente, uma critica favorável para este ou aquele filme.

De vez em quando estou a ligar para amigos e por vezes desconhecidos para ponderar sobre a importância deste ou daquele filme, para falar deste ou aquele aspecto de um filme, sugerindo pautas, trocando idéias, dando minhas opiniões, sendo entrevistado, etc. – mas nunca pedi (ou insinuei) para ninguém, seja para qual filme fosse, ou para quem fosse, uma critica positiva, a favor. 

Outra coisa: em mais de 30 anos nunca ouvi história consistente e apurável, de que tal o qual critico “se vendeu”. Em alguns momentos (mas isto já é assunto para outro texto) pode se detectar certa promiscuidade entre critica & cineastas & produtores & distribuidores, mas isto não é a regra, são situações localizadas, e idiossincráticas. 

Posto isto, NÃO acredito no Bonequinho Corrupto.


Também é bom que se diga que tenho dois ou três episódios, que me levam a afirmar, que não há pistolão que faça o Bonequinho aplaudir (sentado ou em pé) um filme. E vale contar um destes episódios: o saudoso Nelson Rodrigues, então colunista de O GLOBO, tentou com o próprio Dr. Roberto Marinho, de quem era amigo, e depois com Evandro Carlos de Andrade, ver se o Bonequinho acordava depois de ter assistido há uma das adaptações cinematográficas de peça ou crônica sua, que eu distribuía.

Em que pese à insistência do jornalista e dramaturgo tricolor, o Bonequinho não acordou. E com aquela graça enorme e voz de timbre e ritmo inconfundíveis – me disse ao telefone: “meu nobre e jovem amigo rubro-negro, não se importe com a critica, pois filme bom é aquele em que o ladrão – fugindo da polícia em plena Cinelândia, adentra o cinema Odeon para se esconder e não impetra sair, mesmo na iminência de ser preso, pois não consegue desgrudar os olhos da tela e desta forma acaba preso”.

E repetia isto sempre. Arnaldo Jabor já contou em sua coluna historieta similar (a do cara que corre e esconde no Odeon, e é preso porque gosta do filme).

Posto isto, também não acredito no Bonequinho Pistolão.

 

Mas o Bonequinho Cego é meu velho conhecido.

Inesquecível 1991: eu estava distribuindo o lindo filme de Miguel Faria Jr.: STELINHA. A fita havia recebido 8 importantes prêmios no Festival de Gramado de 1990, incluindo Júri da Critica, fora melhor filme do Júri Popular e do Júri propriamente dito.

E implacável, o Bonequinho Cego (neste caso também preconceituoso, e eleitor de Fernando Collor) - sob lavra de escriba que eu creio não está mais na redação de O GLOBO ou mesmo no meio - escreveu, mais ou menos assim, Saindo do Cinema, ou Dormindo:

- “Os 8 prêmios ganhos em Gramado por Stelinha não são nada. Não perca o seu tempo. Não vá ao cinema”.

Não consegui no Globo On Line obter este arquivo, mas quem tiver condições, e vocês do Blog tem, poderia fazer o favor de procurar:

- o ano é 1991 e o filme é STELINHA, direção delicada e firme do Miguelsinho, roteiro de Rubem Fonseca, estrelado magistralmente por Ester Góes e Emiliano Ribeiro, e num dos seus primeiros papeis de protagonistas temos o então novato Marcos Palmeira.

 

É claro que o Bonequinho Cego não trabalha e escreve somente em O GLOBO. Ele pode ser até um estado de espírito, ou um caboclo, e baixar em qualquer redação, mas dada à tradição é quando ele baixa em O GLOBO, que a porca pia.

 

Sugeri dia destes uma matéria comparando os resultados de dois filmes, ambos de minha distribuição, Sob o Céu do Líbano (Le Cerf-volant) de Randa Chahal Sabag e Dupla Confusão (Tais-toi!) de Francis Veber, nas cidades do Rio e São Paulo.

Sob o Céu ... – lançado apenas com duas cópias no Brasil, uma no Rio e outra em São Paulo – passou de passagem pelo Rio, o Bonequinho estava olhando, e somente uns 1.100 cariocas foram ver o filme. No Brasil o filme de Randa já acumula uns 21.000 ingressos, sendo que por volta de 16.000 o assistiram em São Paulo.

Dupla Confusão, teve resultado pífio em São Paulo (não fez mais do que 3.500 ingressos) lançado com 4 ou 5 cópias. Seu lançamento no Rio – por questões de disponibilidade de datas – somente ocorreu agora em março, com duas cópias, e o Bonequinho Aplaudiu. Na primeira semana, para mim e para os meus amigos do Estação Botafogo, o filme fez (apenas) na primeira semana surpreendentes 4.000 e tantos ingressos no Espaço Unibanco, e no Barra Point, pasmem , amais de 1.500 e tal de ingressos. Seu “boca a boca” é imenso e a fita se tornou um fenômeno de público na cidade.

A pergunta é: foi o Bonequinho Aplaudindo que criou este “caso”?

Minha resposta é: foi ele também.  Pois há no dia a dia, exemplos de filmes não resenhados que funcionam e resenhados com Bonequinho aplaudindo de pé ou sentado, que naufragam ou cambaleiam. Bem como de outros tantos que o “público descobre”, independente do Boneco.

Assim ele não é vida ou morte, mas eu não o subestimo, muito menos os seus efeitos.

 

Vamos ver o caso da critica de hoje, 15/04, do Eros Ramos, para CABRA-CEGA.

São apenas 243 palavras, sob o título FRESCOR DE MENOS, com o Bonequinho Olhando. Lá está que “a trama é interessante, mas carece de fascínio e frescor indispensáveis para capturar o olhar tão ávido de novidades do público mais moço”.

Por fim afirma que: “a maior qualidade de “Cabra-cega” está na dupla de protagonistas. Leonardo Medeiros (“Lavoura arcaica”) está tão bem que até um “a luta continua, companheiro” não soa caricato proferido pelo raivoso e antipático Thiago; e Débora Duboc também está perfeita como a mineira e doce Rosa (sua aversão à dor soa verdadeira)”.

Está é uma critica (não no sentido de ser é a favor ou contra) boa? Bem feita? Bem escrita? Instiga a reflexão do espectador? É mera opinião? É apenas do tipo “gostei não gostei”?

Não dá para avaliar. Seria uma injustiça com o Eros dar uma nota para o seu texto com base em apenas 243 palavras. Mas, em minha opinião, não temos aqui uma critica e sim uma resenha, um texto informativo/opinativo, conciso, para caber no espaço que a editora lhe reservou.

Outra questão é o achometro do Eros. Quando o Toni deu a entrevista a O GLOBO (capa do Segundo Caderno na semana passada, citada por ele na critica), dizendo que gostaria de estar falando também com as audiências jovens, é porque nós, em inúmeras sessões (ele Toni, mais ainda) vimos o filme ser ovacionado pela moçada de 15 a 29 anos. Platéias as mais dispares, em Brasília, ou Campo Grande no Mato Grosso do Sul, ou em São Paulo, no Rio ou em Tiradentes, nas Minas Gerais, ficaram chapadas com o filme. Quem lhe disse que – velho ou novo – este filme não atrai o olhar e mobiliza a rapaziada que não viveu sob a ditadura. Eros viu o filme com que audiência? Intuiu o sentimento destes moços ávidos por novidades, como?

Velhinhos, como eu, que estavam lá no Olho do Furacão – e que mesmo discordando da luta armada (eu militava então – com muita honra - no velho e glorioso Partidão) – descobri cinema no filme do Toni, afora ter tido forte emoção ao assisti-lo.  E está é uma marca do filme: EMOCIONA velinhos ou jovens.

Eu Vi e Eu Senti.

Bem, não tenho estofo para sustentar este debate e não quero torná-lo passional, mas lembro das polemicas que aconteciam nos bons e velhos tempos do Cinema Novo, entre monstros sagrados como um Gustavo Dahl e um Muniz Viana, ou entre Paulo Emilio e Rubens Biafora, e sei que isto faz falta para o cinema no Brasil e para o nosso cinema em particular. Não estou à altura dos citados, mas gostaria de continuar dando os meus palpites, com toda calma e respeito.

 

Mas voltando ao espaço. No mesmo O GLOBO, onde o filme também teve excelente cobertura, na quinta-feira, 14/04, Artur Xexéu, em sua coluna semanal, com 924 palavras, a abre com o seguinte título e subtítulo:

Um filme que tem que se aprender a gostar.

‘Cabra-cega’ estréia esta semana na contramão do que se convencionou ser o mercado de cinema.

 

Antes de qualquer coisa: conheço o Xexéu lá se vão 30 anos. Conhecemos-nos lá pelos idos dos 70 – Anos de Chumbo - no movimento cineclubista, ele do Cineclube Leme (uma das matrizes do Estação Botafogo) e eu do Cineclube Glauber Rocha (da Tijuca). Os anos passaram e não esquecemos a amizade daqueles tempos, mas não somos íntimos.

Assim, é raro eu estar ligando para ele para falar dos filmes que produzo ou distribuo. Primeiro porque não abuso daquela amizade de juventude e depois - quem o conhece sabe muito bem - ele impõe limites claros entre seu trabalho e suas relações pessoais. 

 

Deste modo, Artur Xexéu escreveu uma bela crônica / critica em sua coluna da última quinta-feira. Ótima para o filme, mas melhor ainda para os que gostam de cinema. Construiu com texto leve, agradável de ler – uma visão profunda sobre o filme e instigou seus leitores a reflexão. Não impôs nada. Apenas pensou o filme em movimento, datou o tema e a linguagem do filme e nela descobriu ambivalência criativa: “é um assunto de 40 anos atrás tratado como o cinema de 40 anos atrás”, sem dizer se o cinema (brasileiro ou não) de 40 anos atrás era melhor ou pior do que o cinema que fazemos e vemos hoje. E como Xexéu diz: é um filme que tem se aprender a gostar e ele ficou aberto para fazê-lo, gostou, e disse isto ao seu leitor.

Mesmo não sendo do fã clube da Fernanda Porto, Xexéu ouviu trilha diferente daquela escutada pelo Eros Ramos, que considerou a “a trilha sonora, com clássicos da MPB reformatados por Fernanda Porto, tida como inovadora” como sendo “pouco em termos de novidade. E sublinha com redundância e obviedade ações que dispensam canções.”.

Enquanto isto Xexéu diz que: “Na trilha sonora, a suave “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta. A canção ganha uma nova leitura e cria o clima do filme. Daí por diante, o espectador já sabe o que vai ver. A trilha sonora, por sinal, merece destaque. Elaborada por Fernanda Porto, já ouvi dizer que ela é óbvia. Não é, não. Mas é estranha, porque muitas vezes funciona como fio narrativo. E dá-lhe “Roda viva”, “Construção”, “Eu quero botar meu bloco na rua” em arranjos modernos e empolgantes.

 

E podemos ficar comparando os dois textos, um 243 palavras, outro 924, mas o filme é o mesmo. O primeiro – a resenha – tenta desdenhar o filme, o segundo – a crônica - descobre o filme e o recomenda, e estamos no mesmo jornal: O GLOBO. O que por sinal é muito bom, termos duas opiniões, o que é melhor do que ter apenas uma. 

 

Mas o que fica todos os dias no Roteiro do jornal é o Bonequinho, neste caso ele está Olhando, (melhor que o flagelante Dormindo) e mesmo que o texto que sai junto seja positivo (no caso: “As atuações de Leonardo Medeiros e Débora Duboc justificam plenamente a ida ao cinema – E.R.A”), a percepção do leitor (há pesquisas neste sentido) é que o filme não é bom.

 

Vamos torcer e trabalhar para que CABRA-CEGA funcione no Rio de Janeiro e que eu não colecione outro Sob o Céu do Líbano, e que a coluna do Xexéu, seja mais lida do que ele pensa que é, e desta forma o filme venha a superrar a Maldição do Bonequinho, que com causos como estes, vai criando seu folclore e suas lendas.

 

Por fim, este texto todo, que já está grande demais (estamos até aqui, creio, com 2.860 palavras), é para dizer que no causo de CABRA-CEGA, que lancei hoje, 15 de abril, em apenas duas casas no Rio, três em São Paulo, duas em Brasília e uma em Ribeirão Preto, consagrado no Festival de Brasília (6 prêmios), ovacionado nas sessões que compareci (e nas que me relataram) pelo público, com criticas excelentes em todo o Brasil, temos tudo para superrar a Maldição do Bonequinho.

 

De qualquer forma, estou chamando um caboclo espalha-brasas que vai trabalhar este fim de semana para que o pujante filme de Toni Venturi, com interpretações maravilhosas de Leonardo Medeiros e Débora Duboc, consiga que o público carioca – de moços e/ou de velhos - aprenda a ver CABRA-CEGA, com suas qualidades e (porque não) defeitos, e triunfe sobre esta MALDIÇÃO.

 

Axé!  Saravá!

 

MAM

 

P.s.: Não citei, mas tenho saudades dos textos do (José Carlos) Avelar, do Jean Claude (Bernadet), do Miguel Pereira e do Sérgio Augusto. Também não falei, mas adorava o texto do Orlando Margarido (hoje na Vejinha São Paulo), quando ele tinha tempo e espaço para escrever na Gazeta Mercantil, que por sinal, tinha uma critica esporádica – que não me lembro o nome (o Margarido deve saber)  – tb com excelente texto ( e espaço).

 


Postado em 27/03/2005

SESSÃO DUPLA DO COMODORO – 13 de abril de 2005 

 A Sessão Dupla do Comodoro de abril pode ser chamada de A NOITE DO CINEMA EXTREMO, por apresentar filmes importantes de dois dos realizadores mais radicais do gênero “gore” e mórbido: “SCHRAAM”, de Jörg Buttegreit, e “VOZES PROFUNDAS”, o filme-testamento do “mestre do gore”, Lúcio Fulci.

 Definitivamente, não se trata de uma seleção indicada para pessoas de estômago fraco ou facilmente impressionáveis. Como já informaram alguns editores de sites e  blogs, suas imagens podem efetuar verdadeiros estragos em mentes e sensibilidades menos preparadas. Que não venha ninguém depois reclamar que não foi avisado!

 As sessões começam às 21.30 horas, no CineSesc, e as senhas gratuitas estarão à disposição a partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.

 

SCHRAMM (1993)

“Schramm” – Alemanha

- falado em alemão com legendas em inglês –

75 minutos - Colorido

escrito, montado e dirigido por Jörg Buttgereit

produtor e diretor de fotografia: Manfred O. Jelinski

co-roteirista e co-editor: Franz Rodenkirchen  - Screenwriter / First Assistant

música original: Max Mueller

elenco

Florian Koerner von Gustorf ....  Lothar Schramm

Monika M. ....  Marianne

Anne Presting ....  Dentist

Franz Rodenkirchen ....  Dentist

Micha Brendel ....  Believer

Carolina Harnisch ....  Believer

Volker Hauptvogel ....  Waiter

SINOPSE

 O filme busca explorar obsessivamente a mente psicótica de Lothar Schramm, um verídico  “serial-killer” alemão, acusado de assinar mais de 12 mulheres. A assinatura macabra de suas ações era manchar a boca de suas vítimas com batom vagabundo e violá-las depois de mortas. Uma autêntica autópsia da psique disforme de um chofer de táxi, desfragmentada a partir de sua agonia final.

COMENTÁRIO

 SCHRAMM é considerado o mais “bem comportado” dos filmes de Jörg Buttgereit - se é que, em algum momento de sã consciência, pode-se considerar esse filme bem comportado.  Buttgereit é um cultor implacável da arte necrófila. Seus dois filmes mais conhecidos, cultuados por uma minoria e banidos pela censura de vários países, “Nekromantik 1” e “Nekromantik 2” são autênticos “vestibulares de tolerância e lucidez”.  Considerado o mais subversivo dos cineastas do mundo inteiro por alguns críticos, Buttgereit mistura ostensivamente cenas de prosaico e ingênuo lirismo com imagens abjetas e obscenas, quando não ultrajantes. Mas é na profunda melancolia de seus personagens sadomasoquistas que reside o “fascinante” cinema de Buttgereit. É impossível permanecer indeferente à insatisfação sexual da enfermeira de “Nekromantik 2” e da aversão que os protagonistas masculinos de “Nekromantik 1” e “Schramm” nutrem pela própria genitália. De qualquer maneira, é importante notar que, se a platéia das Sessões Duplas conseguir acompanhar SCHRAAM até o último fotograma sem abandonar a sala de projeção, é sinal de que estará preparada para assistir – futuramente – a série NEKROMANTIK.

OPINIÕES

1.

“UMA DAS MAIS DESCONCERTANTES, COMPLEXAS E INTELIGENTES EXPLORAÇÕES DE UM FENÔMENO TEMÁTICO DO CINEMA ATUAL.” - Marc-André Goulet

 “Mais fiel do que nunca aos seus temas e obsessões de predileção, mas com uma maturidade artística notável, prosseguindo e aprofundando a sua diligência iconoclasta e subversiva sem a mínima concessão, Buttgereit realiza com SCHRAAM uma dos mais desconcertantes, complexas e inteligentes explorações de um fenômeno temático do cinema atual. SCHRAAM é o seu filme mais pessoal, denso e bem conduzido, parente próximo de “Henry: Portrait of Serial Killer”, mas cujo diferencial é a vertente experimental e surrealista.”

 Schramm elabora o retrato fictício de Lothar Schramm, motorista de táxi solitário sofrendo de graves problemas psíquicos, sentimentais e sexuais que o empurram para o assassinato e atos necrófilos. Inventivo, sombrio e desesperado, privado de qualquer tonalidade cômica e absurda dos filmes precedentes, o cineasta se revela, inesperadamente, mais grave e pessimista, ao adotar a perspectiva do assassino, e obrigando o espectador a confrontar-se com o universo mental delirante e patológico de Schramm.

 Numa série de flash-backs que fazem alternar acontecimentos, sonhos, fantasmas sexuais e visões, o filme, casando com o pensamento delirante e obsessivo do personagem principal, põe-nos uma vez mais na frente da fixação sexual e macabra que horroriza. Mas em SCHRAAM, o tom não é debochado, e o retrato que Buttgereit compõe é o de um terrível e árduo pesadelo.”

Marc-André Goulet

TRAVELLING AVANT - WEBSITE CINÉPHILE

http://membres.lycos.fr/travelavant/

2.

“UM GENIAL, COMOVENTE, REALISTA E NAUSEANTE RETRATO DE SERIAL-KILLER” – Davide Rigamonti

  “Immenso Buttgereit! Dopo Nekromantik e Der Todesking, il prode regista teutonico (spalleggiato come di consueto dall'inseparabile produttore Manfred O. Jelinski) ci delizia con una nuova perla d'avanguardismo cinematografico, un concentrato inenarrabile di follia e tristezza che, ne sono sicuro, non mancherà di colpirvi direttamente al cuore. La trama serpeggia malefica tra i lugubri ambienti della degradata (nonchè degenerata) quotidianità di Schramm, un omuncolo apparentemente innocuo ed insignificante dentro il quale alberga un incontrastato oceano di perversione. Difficile esplicare il vastissimo caleidoscopio di emozioni che il cineasta tedesco riesce ad infondere in poco più di un'ora di pellicola (settantacinque minuti, per l'esattezza), difficile rendere giustizia in poche righe a quest'accurata analisi d'una mente traviata e distorta, e, ancor di più, è difficile nominare senza imbarazzo le più atroci bassezze sessuali a cui si assiste durante questo allucinante viaggio nei meandri d'un'odierna pazzia sin troppo verosimile. Schramm è un debole, un fragilissimo spirito nero, un triste individuo animato da puro, terrificante e fanciullesco odio; assolutamente da brividi.

(...)

 Poche scuse: ci troviamo di fronte ad un geniale, commovente, realistico e nauseante ritratto di serial-killer. Se siete stanchi di falsi psichiatri cannibali ed assassini all'acqua di rose non lasicatevi sfuggire questo film; anche se alla prima visione vi parrà ostico ed eccessivamente criptico non datevi pervinti: perseverate e scoprirete uno scrigno colmo di dolore e sofferenza davvero struggente e prezioso.”

Davide Rigamonti, no ótimo site "De Profundis",

http://www.profundis.it/cinema/FILM/schraam.htm

 

VOZES PROFUNDAS (1990)

Voci dal profondo - aka Urla dal profondo, aka Voices from Beyond, aka Voices from the Deep, aka Voix Profondes.

- falado em italiano com legendas em francês –

91 minutos - Fujicolor

argumento, roteiro e direção:  Lucio Fulci

co-roteiristas: Piero Regnoli e Daniele Stroppa

montador: Vincenzo Tomassi  - 

música original: Stelvio Cipriani

Elenco

Duilio Del Prete ....  Giorgio Mainardi

Karina Huff ....  Rosy Mainardi

Pascal Persiano ....  Mario Mainardi

Lorenzo Flaherty ....  Gianni

Bettina Giovannini ....  Lucy Mainardi

Frances Nacman ....  Hilda Mainardi

Paolo Paoloni ....  Grandfather Mainardi

Sacha Darwin ....  Doria (as Sacha Maria Dawrin)

SINOPSE

 Uma mulher, cujo pai milionário (Duilio do Prete) é assassinado com vidro moído e congelado nas pedras de gelo usadas em sua bebida, é atormentada por pesadelos e pelo espírito do falecido, que volta do além para descobrir o seu assassino. O seu alcance no mundo da vida diminui progressivamente na medida em que sua carne apodrece, mas o cadáver não vai descansar enquanto não se vingar dos parentes gananciosos.

COMENTÁRIO

 Para alguns críticos franceses, Lucio Fulci é "le Edgar Poe du 7ème Art". Para outros, ele trouxe erudição e poesia ao “grand-guignol”.

 O “grand-guignol” é o gênero teatral e burlesco derivado do Le Theatre du Grand Guignol, um teatro parisiense que aterrorizou audiências por mais de sessenta anos. O teatro foi fundado em 1897 por Oscar Metenier, um dramaturgo ligado ao movimento naturalista, que chegou a ser associado a André Antoine, no Teatro Livre. Uma sessão típica do Teatro Grand Guignol consistia em cinco ou seis pequenas peças, que variava do drama de crimes e suspense a farsas grosseiras de sexo. Mas o gancho principal do repertório era a exacerbação do terror, que culminava com gargantas e membros cortadas à machado, banhos de ácido, olhos vazados com estilete ou algum outro clímax igualmente terrível.

 “O gênero de horror consagrado pelo Grand Guignol, estabeleceu-se com o espetáculo "Le Système de Docteur Goudron et Professeur Plume", uma adaptação de um conto de Edgar Allan Poe. André de Lorde, o principal dramaturgo do Grand Guignol, escreveu certa vez: "As fontes de medo são variadas, mas o medo em si será sempre o mesmo, eterno e imutável". – extraído do site do grupo Pandemonium:

http://grupopandemonium.vilabol.uol.com.br/grandguignol/

 O Teatro du Grand-Guignol fechou suas portas em Paris, em 1962, ao cair numa obscuridade relativa, mas é inegável que ele teve uma influência profunda na arte da representação do horror e dos efeitos especiais.

 Lucio Fulci, que faleceu em 1996, já foi apelidado de muitos epítetos, desde “the godfather of gore” a “o papa gótico dos filmes de zumbi”.

 Nascido em Roma, em 17 de julho de 1927, Fulci optou pelo estudo da medicina, mas abandonou a faculdade quando sua aristocrata namorada o abandonou por ele ser insuficientemente rico. Ele entrou num curso superior de cinema com o firme propósito de ganhar dinheiro, mas a namorada nunca retornou. Foi na faculdade que Fulci se apaixonou pelos grandes filmes, indo posteriormente trabalhar como assistente de Max Ophuls, Marcel L´Herbier e Steno. Nos anos 50, Fulci trabalhou como roteirista e diretor assistente em muitas comédias italianas populares, incluindo filmes do notável comediante Totó. Em 1959 Fulci fez sua estréia como diretor, em I LADRI, protagonizado por Totó, mas o filme foi um fiasco de bilheteria, apesar da popularidade do astro.

 Fulci experimentou os mais diversos gêneros cinematográficos, tanto como diretor quanto roteirista, e de 1953 à 1998 realizou 53 longas metragens. No início dos anos 70, concluiu duas de suas obras-primas, UNA LUCERTOLA CON LA PELLE DI DONNA (Lizard in a Woman's Skin) e NON SI SEVIZIA UN PAPERINO (Don't Torture the Duckling), ambas com Florinda Bulcão como atriz principal. Chega a ser deprimente, quando não insultante, descobrir a atriz brasileira renegando publicamente dois de seus melhores trabalhos de atriz; sempre que entrevistada sobre a fase italiana, ela só lembra “del maestro” Visconti, em cujos filmes nunca passou de atriz secundária e, algumas vezes, de Elio Petri. O tempo mostrou que se Florinda Bulcão for ficar na memória da história do cinema mundial será por a sua estupenda participação em NON SI SEVIZIA UN PAPERINO, onde morre à golpes de barra de ferro, numa antológica e brutal seqüência “sublinhada” por uma canção popular de Ornella Vanoni.

 É, nos filmes de Fulci, o espectador é estimulado a reagir com agônicos risos de pavor. A violência em seus filmes não produz orgasmos de sadismo mas espasmos de perplexidade. As risadas e os gritos que se espalham no cinema em meio aos filmes sangrentos são invocações instintivas à sanidade mental. Fulci não mimetiza a cor do sangue; o vermelho é assumidamente falso, como que berrando aos ouvidos e sentidos do espectador que se trata de uma representação.

 O gênero “gore” entra na obra de Fulci quando ele convence o lendário produtor Fabrizio De Angelsis a bancar uma refilmagem ou seqüência de DAWN OF THE DEAD (A Noite dos Mortos-Vivos), do diretor americano George Romero, que foi lançado na Itália com o título de “Zombi”.  Surgiu assim, em 1979, ZOMBI 2 (aka Island of the Flesh-Eaters, aka Island of the Living Dead aka Gli Ultimi Zombi), um enorme sucesso de público, curiosamente lançado nos Estados Unidos com o título italiano de DAWN OF THE DEAD. O sucesso fez com que Fabrizio De Angelsis produzisse outros cinco filmes com Fulci, incluindo L´ALDILÁ (The Beyond), para muitos, o ponto alto desta parceria. Na seqüência de THE BEYOND, Fulci filma “Quella villa accanto al cimitero” (aka The House by the Cemetery) , lançado em 1981, um dos seus melhores filmes.

 Da obra remanescente é impossível não destacar “Un Gatto nel Cervello” (aka A Cat In the Brain, aka Nightmare Concert ), de 1990, que está para Fulci assim com OITO E MEIO, está para Federico Fellini (que, por sinal, era fã dos filmes de Fulci). Neste filme, o diretor é protagonista e personagem, ao mergulhar na mente de um cineasta insano que tem vísceras no cérebro e que busca o auxílio de um psiquiatra tão demente quanto. O filme não deixa de ter um amargo e mórbido tom profético quando lembramos que Fulci morreu após comer um prato de doces enquanto via um filme em vídeo, de coma diabético. Até na morte, Fulci foi um homem de excessos.

 VOZES PROFUNDAS, embora seja o penúltimo filme que realizou, antes de morrer, é considerado o filme-testamento de Lúcio Fulci porque, DOOR TO SILENCE (aka Le Porte del Silenzio), o último, foi renegado pelo próprio diretor quando remontado por Joe D´Amato, seu produtor não creditado.

 Em VOZES PROFUNDAS podemos encontrar uma súmula do estilo fílmico e da dramaturgia de Lucio Fulci. Assim ele se expressou, em uma de suas últimas entrevistas, a respeito do filme:

"I love it very much. It's a wonderful movie with a wrong cast. Karina Huff is unpleasant, Del Prete is completely out of the role... VOICES FROM THE DEEP was adapted from one of my tales."

Lucio Fulci


Postado em 10/03/2005

A NOITE DOS FILMES RAROS

fotos de VEBIS JUNIOR

LEI DE MURPHY

 A Sessão do Comodoro do dia 09 de março tinha tudo para ser um evento marcante e impecável. Dois filmes notáveis em cópias restauradas e cristalinas e um público ávido por conhecê-los. Às 21.05 horas as senhas já haviam se esgotado.



 Por algum misterioso problema técnico, incontornável no momento (o início da sessão atrasou por mais de meia hora na inútil tentativa de solucionar o problema), o projetor de lâmpada Xenon teimou em não permitir a sua reprogramação que possibilitasse a opção "full frame" (quadro cheio). Resultado: todas as legendas da tradução foram eliminadas do enquadramento. Como solução de desespero optou-se por exibir A ADOLESCENTE em sua versão dublada em castelhano. Já CROMOSSOMO 3 teve de ser projetado em língua original (inglês), sem legendas.



 Para evitar incidentes como este no futuro, e já que a primeira quarta-feira de abril (dia 06) a sala do CineSesc estará ocupada com a programação do festival É TUDO VERDADE, resolveu-se marcar a Sessão do Comodoro para o dia 13 (segunda quarta-feira do mês). Nesta data, feliz ou infelizmente, estarei fora do Brasil acompanhando a exibição de GAROTAS DO ABC nos festivais de Chicago e Austin-Texas; isso me fez adiar para o mês de maio a exibição do extraordinário CHOVE NA MONTANHA (Raining in the Mountain), de King Hu, que possui algumas das cenas mais belas que vi em toda a minha vida e que explora com extrema invenção a largura do quadro Cinemascope.



 Para combater os efeitos fulminantes da "Lei do Murphy" resolvi mudar drasticamente a programação do dia 13 de abril escolhendo dois filmes sintagmáticos do chamado "Cinema Extremo", compatíveis com o significativo número do dia. Neste dia serão exibidos duas obras delirantes, insanas e subversivas de Jörg Buttgereit e Lucio Fulci. Quem viver, verá !

 Esta será uma autêntica "NOITE EXTREMA", rigorosamente desaconselhável a pessoas de estômago fraco.

COLUNISMO SOCIAL


 Os críticos paulistas e alguns fiéis da Sessão do Comodoro debateram calorosamente a "lavada" de Clint Eastwood na festa do Oscar 2005, nos longos minutos a espera do início da sessão de "A Adolescente". Inácio Araújo ficou pasmo com a defesa apaixonada da nova versão de "O Massacre da Serra Elétrica" feita por Eduardo Aguilar. Cleber Eduardo e Marcelo Lyra optaram por uma trégua temporária no embate crítico que vem desenvolvendo na lista de discussão Infancinéfilos.

 O elenco de "Perpétua" compareceu "em peso" no CineSesc. Renata Jesion e Dionísio Neto pousaram para a lente de Vébis Junior com a mesma disposição saltimbanca dos atores que se reciclam a cada nova temporada.

 O nosso fotógrafo oficial fez questão de pousar com o DVD que ganhou do Comodoro, recém chegado de Paris. O instantâneo é significativo, já que Dionísio Neto poderá - assim que vier a dirigir o seu primeiro filme - ser considerado "o John Cassavetes nativo".

 Confraria blogueira se reuniu no Habbibs após a Sessão do Comodoro. Na foto: mostrando os dedos, Bruno Andrade (O Signo do Dragão), que acaba de filmar seu primeiro curta metragem em Floripa; ao seu lado direito Sergio Alpendre (Chip Hazard) e Allan. À frente de Bruno, Filipe Furtado (Anotações de um Cinéfilo), Francisco Guarnieri (O Quarto do Chiko) e Guilherme Martins (Free As a Weird).

 Sérgio Alpendre pousa descontraído para uma digressão fotográfica do nosso "Capitão de Fragata".


PARIS & LILLE - SALAS LOTADAS À 3 GRAUS ABAIXO DE ZERO

 Paris, 28 de fevereiro, linda como sempre e fria como nunca, recebeu o diretor e a produtora do filme GAROTAS DO ABC com um calor raro e surpreendente.

 Carlos Reichenbach em frente ao MK2 - Quai de Seine, o belíssimo complexo de cinemas construído numa plataforma em cima do rio Sena. A noite gelada não afugentou o público interessadíssimo que lotou a sessão e permaneceu uma hora debatendo atentamente o filme. A reação entusiástica da platéia, após os quatro longos minutos dos créditos finais que acompanham Fafá de Belém e Zé Ricardo cantando "Olhos Coloridos", surpreendeu seu realizador e sua produtora. A mesma e inesperada reação acompanhou o final da projeção de GAROTAS DO ABC, na homenagem ao seu diretor, em Lille, norte da França.

 Bastante intrigante a escolha da fotografia que ilustrou o cartaz concebido pela MK2. Os próprios diretores da Associação Bem-te-vi, que organizam o evento Cine-latino, ficaram surpresos com o fascínio exercido por Fafá de Belém nos funcionários do departamento de divulgação da MK2.

 Lille, 29 de fevereiro, chegada de trem à bela e lilás estação recém-reformada. O frio de Paris pareceu uma amena preparação para a temperatura local. Em destaque: Jacques Vandenbussche, diretor da Bem-te-vi.

 Três visões da bela cidade de Lille, que em vários aspectos lembra São Bernardo do Campo (sem a espessa neve do norte da França, claro), incluindo o fato de já ter sido a capítal da indústria têxtil francesa e que, hoje, vive todos os traumas do abandono das indústrias da região. Talvez isso explique o enorme interesse do público local pelo filme GAROTAS DO ABC.

 Na FNAC de Lille, o Comodoro encontrou farta programação para três meses das próximas Sessões Duplas.

 Detalhes do catálogo do Centro de Imagens L´ Univers, que possui uma impecável sala de projeção 35 mm, onde foram exibidos os três longas metragens da homenagem a Carlos Reichenbach.

 Magnífico o trabalho que o casal Paula e Jacques Vandenbussche vem fazendo a frente da Associação Bem-te-vi. Suas sessões no MK2 - Quai de Sienne, permanentemente lotadas, é porta mais democrática (sem nenhum exagero) que o cinema brasileiro vem tendo atualmente nas telas da França. Sem o aspecto mundano e descartável de retrospectivas e eventos de ocasião, as sessões do Ciné-latino se impõe pela persistência e dedicação quase missionária de um grupo de brasileiros e aficionados. Em setembro e outubro, com a mostra PRESENCE ET PASSE DU CINEMA BRESILIEN (Permanence, rupture, tradition et modernité), a Bem-te-vi fará o painel definitivo e deflagrador do Ano Cultural França-Brasil.

 Raphael, guardião da Bem-te-vi, temido e reverenciado por "experts" como José Mojica Marins, estará de plantão para afastar o baixo astral de pessimistas e ressentidos que torcem contra o cinema brasileiro.

 Ave, Raphael !


SESSÃO DUPLA DO COMODORO - DIA 09 DE MARÇO

A Sessão Dupla do Comodoro de março vai acontecer no dia 09 de março (e não no dia 02) em razão da ausência de Carlos Reichenbach, que estará sendo homenageado na primeira semana do mês, em Lille, na França, com uma pequena retrospectiva de sua obra, por ocasião do aniversário de seus "40 anos de cinema".

No dia 09de março, o CineSesc vai exibir dois filmes excepcionais: "A ADOLESCENTE" (The Young One), de Luis Buñuel, que há mais de 30 anos não é mostrado ao público brasileiro, e "CROMOSSOMO 3" (The Brood), de David Cronemberg, nunca lançado comercialmente no Brasil, embora distribuído em vídeo há alguns anos no Brasil, com o terrível (e equivocado) título de "Os Filhos do Medo". "Cromossomo 3" é o título original do filme em seu país de origem, o Canadá.

As sessões, como sempre, começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão à disposição do público à partir das 21.00 horas, na bilheteria do cinema.

A ADOLESCENTE

(1960)

(The Young One - aka La joven - aka White Trash - aka Island of Shame )

USA / Mexico - 1960 - em preto e branco - 96 min

Falado em inglês com legendas em espanhol

Ficha Técnica

Direção - Luis Buñuel

Produção - George Pepper (como George P. Werker)

Roteiro - Hugo Butler (como H. B. Addis) e Luis Buñuel, baseado no conto "Travelin' Man" de Peter Mathiessen

Fotografía - Gabriel Figueroa

Montagem - Carlos Savage e Luis Buñuel (sem crédito)

Música: supervisada por Chucho Zarzosa; canção: "Sinner Man" de/com Leon Bib

Elenco

Zachary Scott .... Miller

Bernie Hamilton .... Traver

Kay Meersman .... Evelyn o Evvie

Graham Denton .... Jackson

Claudio Brook .... Fleetwood

Sinopse

Em uma ilha do litoral sul dos Estados Unidos, uma jovem de 13 anos é deixada aos cuidados de um homem mais velho, quando morre o seu avô. Seduzida pelo seu protetor, a jovem acaba assumindo a função de amante. A chegada de um homem negro, ameaçado de linchamento, sob a acusação de estupro, vem subverter a aparente normalidade do relacionamento.

Comentário

Embora alguns críticos mexicanos insistam em afirmar que THE YOUNG ONE é o segundo e último filme falado em inglês de Luis Buñuel, a verdade é que ele é o único rodado nos Estados Unidos, na costa da Carolina do Sul. Buñuel considerava A ADOLESCENTE um de seus filmes mais pessoais.

"Es un filme muy mío", afirmava Buñuel. "Hay muchos detalles: los pies del cadáver, las arañas, las gallinas, la imparcialidad: el filme no es ni pro-negro ni pro-blanco. Incluso deja justificarse al blanco racista cuando habla con el negro. No hay malos ni buenos absolutos. El racista da al negro un cigarrillo, agua para beber, pero no puede verlo como un semejante. Esto no se debe a la maldad, sino a ciertas influencias sociales."

Buñuel afirmava que a difícil aceitação do filme nos Estados Unidos era resultante da abordagem anti-maniqueista de seus personagens. "A ADOLESCENTE" busca subverter estereótipos habituais do período. E é preciso lembrar que o filme toca de forma contundente em dois temas tabús do cinema pós-macartismo: racismo e pedofilia. Entre outras ousadas metáforas de Buñuel quase explicitadas no filme está o instrumento musical do fugitivo negro (que é músico): o clarinete. Essa foi uma das leituras que causaram a revolta e repulsa da platéia negra de um festival de cinema dos Estados Unidos.

Entre tantas ousadias de don Luis Buñuel destaca-se também a sua coragem em escolher uma atriz totalmente inexperiente, Kay Meersman (que voltaria a protagonizar outra obra-prima, desta vez na Itália, "L´Isola de Arturo" - A Ilha dos Amores Proibidos -, de Damiano Damiani, baseado em livro de Elsa Morante) e de Zachary Scott (astro crepuscular dos faroestes-C de Lesley Selander, Ray Enright, Frank McDonald, Michael Gordon e Edwin L. Marin).

Há textos muito interessantes sobre a realização de A ADOLESCENTE nos endereços:

http://www.lib.berkeley.edu/MRC/youngone.html

http://www.toxicuniverse.com/review.php?rid=10005430

http://altazorcafe.com/cine/joven.htm

Luis Buñuel por Salvador Dali

Opiniões

JONATHAN ROSENBAUM

"The Young One: Buñuel's Neglected Masterpiece"

ALBERTO MORAVIA

" La main de Buñuel, impie et profanatrice juste ce qu'il faut, a une puissance d'évocation qui tient de la magie. Il sait parvenir au réel sans l'aide d'aucune médiation, directement. Une pitié cruelle, un sadisme affectueux entourent le personnage de la gamine insolente et innocente à la fois. " (Alberto Moravia, 1960)

 

CROMOSSOMO 3

The Brood (1979)

Canadá - Color - 92 minutos

falado em inglês com legenadas em francês

equipe técnica

diretor - David Cronenberg

roteiro - David Cronenberg

produtores - Pierre David, Claude Héroux e Victor Solnicki

música original - Howard Shore

diretor de fotografia - Mark Irwin

montagem - Alan Collins

elenco

Oliver Reed .... Dr. Hal Raglan

Samantha Eggar .... Nola Carveth

Art Hindle .... Frank Carveth

Henry Beckman .... Barton Kelly

sinopse

Dr. Raglan (Oliver Reed) é um psiquiatra que pratica uma terapia radical, que ele chama de "Plasmonic": os pacientes são encorajados a exacerbar suas frustrações e ódios pessoais até que isso se manifeste fisicamente em seus próprios corpos. Ele está obcecado por uma paciente especialmente perturbada, Nola (Samantha Egger), mãe de uma menina de sete anos. Quando a menina aparece em casa com hematomas no corpo, o marido (Art Hindle) resolve interceder, afastando a menina do convívio com sua mãe esquizofrênica. O médico, sustentado pela leis que garantem o direito materno à companhia da filha, e convicto que a presença dela é fundamental para o tratamento da mãe, usa de todos os meios (incluindo o estímulo ao abuso infantil) para afastar o pai. Neste interim, começam a surgir bebes deformados e de atitudes monstruosas agindo no "tratamento" de Nola.

comentário

Considerado pelo próprio Cronemberg como o mais radical e violento de seus filmes - a própria filha de Cronemberg nunca consegiu ver o filme inteiro - CROMOSSOMO 3 (The Brood) é um dos filmes mais pessoais de Cronemberg; "It was certainly my most cathartically satisfying project.". Cronemberg escreveu o roteiro no exato momento do processo de divórcio de sua primeira mulher. Basta lembrar que David chegou a sequestrar a própria filha quando a mulher ingressou num grupo de anti-psiquiatria. O filme trata disso: um pai tenta separar a filha da mãe desequilibrada, quando ela cai nas mãos de um psiquiatra demente (Oliver Reed) que somatiza os ódios e frustrações de seus pacientes fazendo-os manifestarem fisicamente a sua esquizofrenia. A mãe (Samantha Eggar) quando estimulada a extravasar seus limites psíquicos, dá luz a fetos monstruosos. Cronemberg confessa que teve enorme prazer de filmar a destruição gradativa da personagem Nola, durante o tratamento do Dr. Raglan: "I can´t tell you how satisfying that scene is," disse Cronemberg para um jornalista. "I wanted to strangle my ex-wife."

"Cromossomo 3" marca a primeira colaboração do músico Howard Shore com Cronemberg, uma parceria que viria a se tornar permanente. O filme pode ser colocado na mesma instância de qualidade e invenção que "Scanners" e "Videodrome", meus filmes preferidos do diretor. É difícil não sair incomodado e modificado destes filmes magníficos.

opiniões

"The Brood is a great film which is just as emotionally powerful and intellectually exciting as it was 25 years ago. Its vital place in Cronenberg's filmography as the film which laid the groundwork for his extraordinary later studies of the frailty of the human soul is undeniable and it's also a very scary horror movie with some great jump-out-of-your-seat moments." - Mike Sutton (DVD Times)

"THE BROOD is perhaps the best introduction to the twisted world of David Cronenberg." - Casey Scott (DVD Drive-In)

"The Brood was written in spite of his divorce and subsequent custody battle. Its success can be related to the "well organized advertising campaign in many foreign markets and, most importantly, in the United States…re-released…in late 1981…on a double-bill with George Romero's Dawn of the Dead." (8) Here the womb has been developed externally through psychoplasmics, working in tandem with the conditioning of the Dr Hal Raglan doctrine The Shape of Rage. The newborn become an extension of pent-up rage, maternal mind acting as remote control for the actions of these doll-like bodies, rebirth metaphor for this new-found relationship. Cronenberg intimates that "The Brood is the most classic horror film I have done: the circular structure, generation unto generation; the idea that you think it's over and then suddenly you realize it is starting all over again." (9) The Brood uses the orthodoxy of the generic horror structure as a catalyst for self-interest, big budget puppeteering exceeding $1.5 million Canadian, cast with risk reducing notables Art Hindle, Oliver Reed and Samantha Eggar." - Ashley Allinson (Senses of Cinema)

"Provocative and disturbing, David Cronenberg's work penetrates the unceasing conflict between flesh and fantasy. In his visionary horror film, The Brood, a psychotherapist teaches patients how to manifest mental anguish in welts on their skin, but the practice leads to some terrifyingly real side effects." - The Art Film Collection

 

 

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PÁGINA DE DIVAGAÇÕES FÍLMICAS

Carlos Reichenbach  09/02/2005

O FILME DE AÇÃO E A MAQUINA DE COSTURA

 A irritação profunda causada pela visão recente do filme de ação A SUPREMACIA BOURNE, em DVD, me obrigou a rever dois excelentes filmes do mesmo gênero, na expectativa de arrefecer a péssima impressão causada pela continuação do competente A IDENTIDADE BOURNE.

 Nunca escondi a minha preferência pelos thrillers, entre todos os gêneros do cinema moderno. Sou fã absoluto dos entrechos bem construídos, de tramas urdidas com criatividade, da mise-en-scène eletrizante, das atmosferas  angustiantes, de desenvoltas, arriscadas e inovadoras movimentações de câmera, da montagem clássica e eficiente. O bom filme de ação faz o espectador esquecer o marasmo do cotidiano, a dia-a-dia medíocre, por hora e meia ou mais. Ao contrário da pejorativa alienação apontada pelos exegetas do "filme de arte" e do cinema proselitista nos demais gêneros cinematográficos, o thriller pode - quando deflagrador - surtir um efeito catártico e libertador. No gênero policial as regras sociais e de obediência civil precisam ser subvertidas; a lei de Talião é admitida sem a menor desfaçatez. No filme de ação aceitamos o "olho por olho" e/ou a "legítima defesa" independentemente da nossa religião, fé ou credo. Nada mais sintomático descobrir que os maiores diretores de cinema da história experimentaram o gênero em algum momento de suas carreiras.

 

 Afinal, o que me irritou tanto em A SUPREMACIA BOURNE? O excesso de planos e a montagem acelerada que não permitem a construção de atmosferas. O editor do filme parece ter montado o filme numa máquina de costura. O corte é executado com a mesma incompetência com que um açougueiro neófito corta um bife. O "montador" costura as cenas com a ânsia de quem busca esconder a ausência de talento da construção cinematográfica da narrativa.

 Vendo o filme tive a exata impressão de que a escola do video-clip está (com o perdão da palavra) fodendo com a linguagem do cinema. Assim como a televisão, o cinema publicitário e o plástico corromperam a sensibilidade cromática das novas gerações (que não conseguem mais distinguir e apreciar a variedade e as nuances dos matizes), a velocidade do corte está destruindo a percepção da atmosfera fílmica. Em nome das sensações é preciso sublimar - de forma criminosa (e burra) a percepção. Não é a toa que artífices de trailers comerciais são alçados a função de montadores do dia para a noite. A SUPREMACIA BOURNE é um péssimo filme de ação porque confunde ação com velocidade. E, como diz o ditado, a pressa é inimiga.....

 

A SUPREMACIA BOURNE
The Bourne Supremacy (2004)
diretor: Paul Greengrass (egresso da TV)
argumento e roteiro: Robert Ludlum (novela) e Tony Gilroy (roteiro)

 

elenco
Matt Damon .... Jason Bourne
Franka Potente .... Marie
Brian Cox .... Ward Abbott

 

Sinopse

 Jason Bourne está de volta, e cada vez mais perto de descobrir sua verdadeira identidade. Ele está escondido de tudo e de todos num distante ponto da Índia, ao lado da namorada Marie, quando se vê perseguido por um assassino russo.

 

 Essa foi uma das razões que me fizeram buscar correndo o DVD de CAÇADA A UM TERRORISTA (The Point Men - 2001), dirigido por John Glen, montador habitual dos filmes de 007 (On Her Majesty's Secret Service - 1969, The Spy Who Loved Me - 1977, Moonraker - 1979) e que dirigiu também "Licence to Kill" (1989), "The Living Daylights" (1987), "A View to a Kill" (1985), "Octopussy" (1983) e "For Your Eyes Only" (1981).

 Que diferença, santo Deus, entre um "colador de imagens" e um diretor formado na moviola (aquele aparato "arcaico" onde foram "construídas" as maiores obras primas do cinema) !

 John Glen - como ex-editor de suntuosos filmes de ação - sabe exatamente onde colocar uma câmera, qual lente deve ser escolhida para que a geografia e a espacialidade do cenário possam ser assimiladas, como utilizar o talento (ou a falta) de um ator e, mais importante, qual a duração mínima de um plano para que ele possa ser percebido devidamente.

 CAÇADA A UM TERRORISTA não é nenhuma obra-prima, mas é um excelente filme de ação com alguns momentos gloriosos. Glen acertou em cheio ao escolher o ator Vincent Regan para personificar o terrorista Amar Kamil. Com uma certa dose de ironia, Regan impõe fascínio ao seu vilão ignóbil. Ao contrário de A SUPREMACIA BOURNE, John Glen sabe a importância de se filmar os olhos dos personagens, já que são nos olhos que podemos descobrir a personalidade dos personagens (nos filmes e na vida real).

 

 

As melhores seqüências de CAÇADA A UM TERRORISTA são aquelas que envolvem o personagem Amar Kamil.

 A execução do médico e da enfermeira que fazem a operação plástica no rosto do terrorista e toda a cena da sedução da agente israelense, quando Kamil, fazendo-se passar por um turista grego, prepara uma "moussaka" (tradicional iguaria grega) e consegue levá-la para a cama, são momentos maiores deste eficiente filme comercial.

 

CAÇADA A UM TERRORISTA
The Point Men (2001)

diretor: John Glen
argumento e roteiro: Steven Hartov (novela), Ripley Highsmith (roteiro)

 

elenco
Christopher Lambert .... Tony Eckhardt
Kerry Fox .... Maddy Hope
Vincent Regan .... Amar Kamil
Cal Macaninch .... Horst


sinopse

 Baseados em eventos recentes, esta é a história de Tony Eckhardt, um agente do Serviço Secreto Israelense à caça de um terrorista palestino que ameaça interromper o processo de paz no Oriente Médio.
O agente do serviço secreto israelense Tony recebe ordens para matar o terrorista palestino Amar, em uma missão altamente precisa nas ruas de uma cidade européia. No último minuto, Tony percebe que eles seguiram o alvo errado e tenta evitar a tragédia, mas um de seus homens acerta o cara. De repente, um homem armado salta de um carro e abre fogo com uma metralhadora. Seu parceiro morre enquanto ele é resgatado por sua equipe. Tony está convencido de que foi uma armadilha do terrorista, mas ninguém acredita em sua história. Ele é transferido para trabalhos burocráticos, além de ter que suportar a indiferença de seus companheiros que o culpam pelo acidente. Enquanto isto, na Suíça, Amar passa por uma cirurgia plástica. Irreconhecível, ele segue as pistas e começa a matar, um por um, os antigos membros da equipe de Tony. Todas as mortes são executadas de forma a parecer um acidente, mas Tony sabe que o terrorista, ainda mais perigoso, está por trás delas e decide iniciar sozinho uma incrível perseguição ao terrorismo internacional.


Mas é na comparação com CAÇA AO TERRORISTA (The Assignment), produção canadense de 1997, dirigida pelo brilhante Christian Duguay, que A SUPREMACIA BOURNE se revela ainda mais descartável.

 Duguay é um cineasta tão competente quando John Glen, mas  vai muito mais além do artesanato eficiente, porque reinventa atmosferas de seqüência a seqüência. Assim como John Flynn (nos seus melhores dias) e Anthony Hickox filma a ação com o mesmo prazer e a originalidade dos melhores cultores do gênero.

 CAÇA AO TERRORISTA é um filmaço, na acepção do termo. Basta ver como é filmada a primeira explosão do filme para se perceber que Duguay não está atrás das câmeras para "bater ponto". Assim como Hickox e Samuel Fuller (pai de todos), Duguay faz uso de todos os recursos da linguagem cinematográfica: o travelling, a zoom, a câmera lenta, o "motor reverse", o "close quarter", a tele, a grande angular, e, sobretudo, o recorte preciso da lentes normais (a 40 e a 50mm) na maior parte do tempo, sempre à serviço da fluência narrativa e da busca de atmosferas.

 Para (re) inventar é preciso conhecer a fundo a gramática do cinema.

 Christian Duguay, nasceu em Quebec, Canadá, e dirigiu, entre vários filmes para tv, os longas metragens: The Art of War (A Cilada) - 2000, eletrizante filme ação produzido e interpretado por Wesley Snipes; o elogiado drama para televisão "Hitler: The Rise of Evil" (2003), único filme sobre a infância de Hitler e de sua entrada e ascensão na política, com Robert Carlyle, no papel-título; a obra-prima "Screamers" (1995), adaptado de uma história de Philip K. Dirk (Blase Runner); o competente "Live Wire" (1992) - com Pierce Brosnan e Ron Silver; e as duas seqüências do já clássico "Scanners": "Scanners II: The New Order" (1991) e "Scanners III: The Takeover" (1992).

 A ingrata missão de ter seus primeiros filmes comparados ao "achado" de David Cronemberg não arrefeceu o aprendizado de Duguay, que nitidamente é um cineasta em franco e permanente aperfeiçoamento.

 Eu confesso que sou daqueles que aguardam ansiosamente cada novo filme de Christian Duguay, Anthony Hickox (com ou sem Steven Seagal) e a ressurreição de John Flynn. Com esses senhores eu tenho a certeza que apuro a minha gramática fílmica e o meu prazer do cinema.


CAÇA AO TERRORISTA
The Assignment (1997/I)
Canadá
diretor: Christian Duguay
argumento e roteiro: Dan Gordon e Sabi H. Shabtai

 

elenco
Aidan Quinn .... Lt. Cmdr. Annibal Ramirez/Carlos
Donald Sutherland .... Jack Shaw/Henry Fields
Ben Kingsley .... Amos
Claudia Ferri .... Maura Ramirez


Sinopse

 Um oficial naval americano é recrutado para uma operação confidencial que visa eliminar o seu sósia, o abominável terrorista Carlos, o Chacal.